domingo, 18 de novembro de 2007

Uma saída por torpedo...

Cada vez mais as pessoas se comunicam por torpedos, emails, msn e afins… e cada vez mais as pessoas se relacionam pelos meios de comunicação escrita. Até que ponto isso é bom, ruim, aproxima ou afasta? Até que ponto esses meios se transformam em um “trampolim” ou confortável escudo protetor da rejeição? Mensagens podem não chegar, podem chegar a outro destinatário, podem falar o que não é possível ser dito, podem ter dupla interpretação, podem gerar tempo, podem ter consultoria de amigo, amiga, pai, mãe, garçon, colega de bar, manicure e até terapeuta. Por que cada vez mais as pessoas só conseguem escrever o que não conseguem dizer? Palavras podem ser jogadas ao vento, já algo escrito é um registro formal de muitas promessas, mágoas e de até inquéritos policiais. Por que cada vez mais o contato pessoal fica mais distante e amedrontador? Será que um torpedo de boa noite substitui uma ligação de voz macia? Ou horas de conversa no msn, googletalk e afins... substitui um encontro em uma mesa de bar? Na época dos meus pais, eles não se encontravam nessa tal internet. Será que um chat entre duas pessoas pode ser considerado dramaturgia ao ponto de virar uma história a lá Nelson Rodrigues?

Tive a minha primeira saída por torpedo! E o mais engraçado de tudo que o remetente trabalha numa empresa de telecomunicações com livre acesso há minutos de papo. Conheci o remetente em um ambiente típico noturno da cidade cenográfica, chamada Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele logo me chamou a atenção quando entrou, não sei por que, simplesmente me chamou a atenção. Porém, por interesses noturnos diferentes a noite terminaria mais cedo para mim, a destinatária. Telefones foram trocados, mas antes disso, as difíceis palavras normalmente escondidas em torpedos, tornaram-se tão fáceis e poucas para o remetente que queria partir logo para a ação. Enfim, telefones foram trocados e uma comunicação por torpedos estabelecida. Confesso que para mim, a destinatária, a situação passou a ficar um pouco confusa, por que muitas vezes me deparei sendo a remetente querendo partir para a ação. Uma coleção de torpedos, um tal de “plim” “plim”, pra lá, “plim” “plim”, pra cá, interrompendo, reuniões, sono e sonhos, me deixou sem saber se o pó do “pirlim plim plim” estava indo ou vindo. Torpedos muitas vezes não têm hora para chegar, muitas vezes são a tábua de salvação de um sábado a noite, onde todo mundo bem no fundo quer “zuar”. Minha paciência estava cheia como a minha caixa de mensagens. Mas, resolvi não ir contra o inimigo, e sim juntar-me a ele e fazer dele os olhos de uma paquera e quem sabe me divertir. Até que num sábado, um “plim plim” convite para o show de Lulu Santos surgiu, surpresa fiquei e claro que não acreditei que o remetente ia deixar de ser um envelope de mensagem, para se transformar num belo pacote completo. Já estava preparada para dividir as fatias do bolo que ia tomar. Mas, no horário marcado, o telefone tocou e não era uma voz do além, mas sim o remetente informando que estava lá embaixo, não num cavalo branco, mas em seu possante preto. Eu não era “Miss Daisy”, mas fui conduzida para uma agradável noite com muita música, cheiro, forma, olhares, conversa, risos, sentido e sexto sentido. E ao som de Lulu Santos, remetente e destinatária não tiveram qualquer problema de comunicação ou línguas. Mas, se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer, eu vou sobreviver, o que eu ganho o que eu perco, ninguém precisa saber. Afinal, mesmo por torpedo, todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite.

Um comentário:

mauriliochaves disse...

Hahahaha...muito interessante...gostei de verdade!!