segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cloud Love – Amor em nuvem

Amor em nuvem. É aquele que fica no ar, flutuando organicamente, que possui bastante espaço e modelos - que teoricamente podem acontecer.

Cada vez mais as pessoas administram esses amores em nuvem. Casados, solteiros, indecisos, carentes. Parece que esse tipo de amor passou a preencher rotinas, frustrações, vaidades, espaços vazios esvaziados pela enorme falta de sei lá o que na vida real, ou só por hábito de cultivar coisas mesmo.

Estamos nos habituando a teclar compulsivamente com uma população in cloud pseudo mais interessante do que no real.

Aplicativos virtuais, relações virtuais, expectativas virtuais. No virtual tudo pode acontecer. É um espaço elástico cheio de encontros, oportunidades irreais na possibilidade de que vire real, ou que vire aquilo que nós gostaríamos de viver. Quanto maior a nuvem, maiores as possibilidades.

Muito me impressiona os mega bites administrados nesse mundo virtual de capacidade infinita, capaz de viciar, preencher e frustrar qualquer um.

Essa relação em nuvem tem enorme dose de sedução, mas quando se é materializada muitas vezes perde a graça, vira cobrança, próximos passos, pede algum tipo de realidade, beijo, sexo, ou compromisso. E a realidade nem sempre é tão legal como as carinhas de Emoji, e por isso, next, ou fica aí em nuvem como mais um ícone, ou peixe disponível na minha could collection.

O amor em nuvem muitas vezes só existe em nuvem. Pessoas podem viver um relacionamento sério, extremamente íntimo e super compartilhado só em telas. Quando parte para o real se torna estranho. Já ouvi frases assim: no whatsapp ela é bem mais interessante.

Mas não é a mesma pessoa, no whatsapp ou fora dele?

Em TI as soluções em nuvem costumam ser mais simples, práticas, encaixam fácil nas necessidades, podem ser facilmente substituídas e na maioria das vezes são consumidas como serviço. Porém as soluções reais, físicas, instaladas em casa, requerem maior investimento, mas são mais seguras, controláveis e sólidas. Possuem administrações de instalação, suporte e manutenção, enquanto as em nuvem não.

Pois é, bom ou ruim, só no real que vemos, sentimos e experimentamos muitas coisas, e por isso incomoda, ou agrada tanto. No real todo aquele emocional e físico ficam expostos a julgamentos, já o em nuvem fica protegido pelo imaginar.

Pode ser apenas uma percepção, mas sinto que no virtual as relações são mais fáceis e sedutoras por vir acompanhada dessa imaginação toda e por preencher um espaço de X polegadas que é só nosso.


E nesse zap zap para lá e para cá, construímos uma crise de identidade digital capaz de viver tudo e nada ao mesmo tempo.