quinta-feira, 21 de junho de 2012

A INvolução da sustentabilidade



Para cada escolha uma renúncia será feita. De repente essa frase não é tudo, mas é quase 100%, pois quase todas as escolhas envolvem alguma renúncia, nem que seja a emocional do próprio sim ou não.

Em plena semana da Rio+20, onde líderes dos principais países discutem o desenvolvimento sustentável do planeta, chego à conclusão que quem ainda esta verde em toda essa discussão, somos nós mesmos, e por pura preguiça.

E quem fica mais pobre com essa economia verde?

Somos grandes preguiçosos em discutir diversos assuntos, inclusive da nossa sustentabilidade – vide exame de sangue abaixo. Afinal, discutir e aplicar sustentabilidade é chato mesmo. Quem chega numa mesa de bar e propõe bullets sobre erradicação da pobreza ou desenvolvimento sustentável? Temos preguiça em discutir a relação, educar comportamentos, dizer que gosta e até de nos abrir para o amor; não vamos ter preguiça em gastar energia nem que seja pensando sobre a emissão de monóxido de carbono? Algo que a gente não vê ou sequer sente? Hello!

E assim, seguimos diariamente destruindo o mundo e a nós mesmos.

Semana passada estava na porta de um restaurante francês, nada barato, quando um possante parou no vallet e uma senhora de fino trato desceu do carona, deixando cair uns papéis. Por movimento natural as pessoas que aguardavam na calçada e a equipe do restaurante foram recolher os papéis, para entregar a madame entendendo que a senhora não havia percebido que os havia deixado cair. Só que a fulana teve a pachorra de dizer que era para jogar fora mesmo. Em pleno Rio +20, ou no mundo mal educadamente sustentável ainda temos que ouvir essas pérolas de porcos!

Querendo ou não já disse a revista Veja dessa semana; verdades inconvenientes para mim e/ou para você. A verdade é que estamos mais para bichos preguiças que para ursos pandas que não vêem, não ouvem ou falam - toda vez que não reclamamos de uma agua errada que veio na conta, ou quando compramos um algodão doce no Disney on Ice por R$26,00, ou quando pagamos um chá verde do Sushi Leblon por R$16,00, por ser num restaurante cool da cidade. Será que a folha desse chá era o dólar?

Se eu falar que estou cansada disso tudo, parodiando ou não, volto ao estado inicial de preguiça em tentar mudar parte, ou pequena parte disso. Escolho a inércia que renuncia todas as possibilidades sustentáveis de agregar uma vida e um mundo melhor, e assim INvoluímos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Life is Now!



Acordei, o sol brilhava, resolvi ir ao parque, levei um livro. Sentada fiquei. O clima estava ótimo, crianças, cachorros, famílias. Você apareceu, sentou-se do outro lado. Lia o mesmo livro. Achei curioso. Nos olhamos. Nos olhamos de novo. De novo, e novamente. O coração bateu mais forte, mas não sorrimos. Você se levantou e nunca mais nos vimos....

Dia dos namorados, inúmeras matérias nos jornais e revistas falando sobre histórias de amor que aconteceram assim ou assadas. Mas, e as histórias que não aconteceram? Onde ficaram? Aconteceriam?

Situações onde pessoas se conheceram num cartório, por um erro da internet, numa batida de carro, ou em qualquer outra do cotidiano comum cabível a qualquer um – todos os dias, são chamadas de inusitadas pelo simples fato dele ou dela, ou ambos, terem feito algum movimento fora do comum que você ou eu não faz ou faria.

E para quem não faz nada, o que lhe resta é o “Se...” da inércia nas mãos, não é mesmo?

Sim, o amor acontece, (eu é que sei!), mas não sozinho, ou pela força do pensamento. Em algum momento ele precisa de risco, vontade, palavras, atitude e sorte para acontecer. Se funcionasse por telepatia ou entrelinhas, o mundo seria uma sucessão de encontros e não de vazios.

Há tempos não sentia isso, beijo bom, tudo bom, encaixou e foi leve, fácil. Posso ser eu sem grilos, flui... estranho e delicioso. Doido, doido. Bom, bom. Como chegar em casa. Acho que você sentiu o mesmo. Acho... não sei... não falei nada... nem você.. e nunca mais nos vimos...

Além da inércia, quantas palavras nunca são ditas? Quantas deixas deixamos de lado e nessa deixamos de conquistar o que muitas vezes buscamos? Mais uma vez, as histórias que aconteceram, aconteceram também, porque fizeram acontecer. Nem que tenha sido no último minuto no aeroporto antes de entrar no avião. Ou, antes de bater uma porta do carro. Surpreendentemente no meio da madrugada. Ou sei lá, cada um sabe as histórias que tem e as que não têm.

O problema são todas essas outras aí que não aconteceram, que deixamos escapar, que nem se quer nos demos ao trabalho de tentar que deem errado. Ou como diria Vinícius, que fosse eterno enquanto durasse. Preferimos ficar com o “Se...”, com as nossas reservas, medos, diria até preconceitos... “ela não é tão bonita para mim”... “ele não esta tão bem profissionalmente”. Ou com a lei da preguiça mesmo: “falar para quê? Não vai dar em nada mesmo...”.  Quem é que tem a coragem de estar correndo na praia, ver uma miúda bonita correndo também, dar meia volta para fazer companhia e começar um papo?

Tenho uma sábia amiga que diz que life is now! Por isso, ao invés de ficar postando amarguras ou mascaras falsas de felicidades no facebook ou por aí. Se você é solteiro e busca um amor, qualquer buraco é trincheira! Viva o óleo de Peroba. Faça do comum o melhor espaço para o inusitado - até para diluir a ansiedade. Seduza o mundo, mas para seduzir o mundo antes você precisa seduzir a si mesmo!

Feliz dia dos namorados!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Deu Mole?



Amigos conversavam no bar. Na verdade amigas, sendo que uma casada acompanhada de seu participativo marido.

Tema central, lógico, crise masculina, mais que batido. Eis que a casada chega à conclusão que o problema da falta da recorrência masculina se dá em virtude ao famoso dar na primeira noite. O que a casada não esperava era na coerente resposta de uma das solteiras: “Se a gente não der na primeira noite, a gente literalmente não dá. Hoje o primeiro encontro virou encontro de despedida!”.

O pior de tudo é que o marido foi obrigado a rir e a concordar com a amiga.

É mundo moderno... brincadeiras e exageros a parte, vivemos na época que o mocinho quando não fica com o outro mocinho, fica com a mocinha no início e não mais no final e o primeiro encontro já é o último. Logo, passo acreditar que caiu de moda dizer que mulher que dá de primeira é piranha, e se for, qual o problema? Ela nunca mais vai ver o cara mesmo. Logo 2, entramos na era do viver tudo numa noite só. E como o mundo acaba naquela noite, normal encontrar um vazio enorme no dia seguinte.

Ufa até cansei!

Independentemente da modernidade, do mundo estar cada vez mais impar e dos relacionamentos terem virado perecíveis – que depois de consumidos acabam ou de curtíssimo prazo de validade, por isso coma logo. O que entendo sobre dar ou não dar na primeira noite é que nossa liberdade vai até onde nossos valores vão. Não é porque você é independente, paga suas contas e não precisa prestar contas a ninguém que vai sair por aí fazendo sabe o quê, só porque tem liberdade de direito. Nossa casa, nosso corpo são templos e só deveriam entrar quem merece. Agora, se isso é sentido na primeira noite, na terceira, na vigésima ou por simples prazer, cada um sabe o valor e a vontade que tem. Mas, a gente faz tanto investimento financeiro em nós mesmos para um fulano qualquer achar que pode nos levar por dois trocados?

Tirando a bebida de efeito afrodisíaco engana trouxa total - de sorte de uns e ressaca moral para outros, poucas mulheres fazem sexo pelo simples prazer do sexo. Fazem sexo pelo simples prazer do envolvimento emocional que ele proporciona.  Aí, literalmente fudeu! Quase um PDCA: Pensar, Dar, Chorar e Acreditar que um dia poderá ser diferente, afinal não há regras nos assuntos do coração.

Mas, para encerrar o assunto de certo ou errado... o certo é sempre usar camisinha. Além dos motivos óbvios, se ele não liga para você no dia seguinte, imagine para o seu filho?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O conto que contamos


Como diz meu querido L.A. Será o fim ou o início de uma história? Segue a parte final do Conto que contamos, texto  em parceria com Luiz Alvaro - L.A do Pestanices: http://pestanices.blogspot.com.br/ - Confiram lá também.

Só tenho a agradecer a delícia dessa brincadeira, a alma de João Vicente e a você Luiz Alvaro Salles transbordando! Já estou com saudades....

Boa imaginação e leitura a todos! Beijos



PARTE 1:

Ela....

Sai do taxi e meu celular apitou. Era uma mensagem da Claudinha dizendo que estava presa no trânsito para eu aguardá-la no bar.

Quarta-feira, quase 20h, happy hour lotado e dia de final de algum campeonato de futebol.

Esperar a Claudinha sozinha no bar era algo meio constrangedor, para uma morena “classuda” como eu.

O local estava lotado, mas avistei uma cadeirinha no bar ao lado de um moreno interessante com ombros largos em seu celular.

Tracei uma reta e me sentei ao seu lado.

Pedi uma capevodka de caju com adoçante, “caju amigo” para os íntimos. Puxei o celular e lá fiquei twittando, postando no facebook, mandando mensagens para a Claudinha e também observando o ambiente – Afinal, precisava oxigenar a mente e me esquecer do trabalho, que anda nada amigo.

Não sei se foi minha blusa verde de seda, a altura ou os cabelos longos que chamaram a atenção do tal moreno interessante com ombros largos. Mas, que ele deixou seu celular de lado por alguns instantes e me olhou, isso ele deixou.

Nada da Claudinha e da companhia do moreno aparecerem. Já havia reparado na sua roupa amarrotada com gola torta, e escutado seu papo de trabalho pelo celular. Cruzamos umas cinquenta vezes os olhares. Pedimos uns quinze drinks para o pessoal que chegava ao bar - e,  ainda nesse período, driblei umas cinco cantadas... ok, falando a verdade, foram duas.  

Morri de rir quando o moreno interessante falou para algum cara do trabalho que ligava - muito provavelmente estagiário: “minhoca não tem perna, mas anda”. Impossível de minha parte não interagir depois dessa.

Não sabia o motivo para o tal comentário, mas com toda habilidade e receptividade, o moreno interessante, aparentemente interessado; puxou sua cadeira para mais perto, deixou de atender as ligações e solicitou todo íntimo do “caju amigo”, outra capevodka de caju com adoçante para mim.

Achei uma graça a sua percepção, ainda mais acompanhada de um sorriso charmoso e com covinhas.

E a Claudinha?

A caminho. Mas, sei lá.... bem que ela podia.... de repente... desistir de aparecer.

Ele....

Já estava esperando o Rafael no bar fazia quase 40 minutos. Nem era a espera o que mais estava me incomodando. Era o fato de ele ter me feito chegar lá às 19h porque precisaria ir embora cedo. Todo mundo que me conhece sabe que eu nunca consigo chegar antes das 21h. Essa história de HH direto do trabalho não é muito comigo.

Eu havia saído mais cedo, estava no bar lotado, sozinho e trabalhando no celular. Rafael estava atrasado e, se viesse (sempre digo que ele é o Rei do Cano), ainda iria embora cedo.

Nesse meio tempo, enquanto eu estava distraído com meu trabalho (ou será que estava concentrado no meu trabalho?), uma morena “classuda”, de cabelos longos aparentando ter 1,78 cm se sentou na cadeira ao lado.

Ela chegou sozinha com uma blusa verde bandeira de um tecido meio brilhante. Foi a blusa o que mais me chamou a atenção. Meu amigo Daniel diria: “meio gay esse seu comentário” mas a blusa era realmente espalhafatosa. 

Com certeza essa morena não é daqui, pensei. As meninas em São Paulo não usam roupas tão coloridas. Estão sempre de roupas escuras, de preferência pretas. Além disso, ela pediu uma “capevodka de caju com adoçante” quando uma paulistana pediria um “caju amigo com adoçante”.

Meu palpite? Carioca!

Nesse meio tempo entre trabalho, morena classuda e bar cheio, Rafael me liga avisando que não sabia se poderia ir porque havia ficado preso no escritório. Fiquei bastante irritado e disse, alto: “minhoca não tem perna mas anda!”

De onde eu tirei isso?!?!

A frase certa deveria ter sido: “Se vira; você não é quadrado!”

De qualquer maneira, frase certa ou frase errada, falei alto de mais e todo mundo, inclusive a morena classuda ouviu. Resultado? Ganhei um lindo sorriso e aquela oportunidade única de interagir com alguém possivelmente interessante.

Para me aproximar, puxei minha cadeira para mais perto, deixei meu celular e o Rafael de lado e pedi mais um “caju amigo”.

Parte 2 –

Ela...

Quarto “caju amigo” e sei lá quanto tempo de papo, muito agradável por sinal, com o charmoso moreno com ombros largos.

Do bar fomos para uma mesa esperar nossos amigos.

Meu estomago estava grudado no cérebro e eu ia ter a qualquer momento uma crise de hipoglicemia de tanta fome. Mas, mesmo tendo comido apenas um sanduiche, estilo amostra grátis no trabalho hoje, jamais pediria qualquer belisquete sem que João Vicente sugerisse. Moreno, covinhas, simpático e João Vicente... pagar de gordinha feliz, de jeito nenhum!

Rafael, seu amigo, havia confirmado o cano. Já Claudinha continuava no gerúndio. Mas, eu sabia que esse gerúndio tinha um nome – Gustavo, e por isso, resolvi informa-la que fui para casa para poder focar no papo com João Vicente – encerrando o assunto Claudinha.

Finalmente João Vicente falou: “Nossa! O papo esta tão bom que até esquecemos de pedir alguma coisa para comer... estou morrendo de fome! Vamos pedir algo? Aqui tem um filezinho delicioso”.

Adorei. Além de sanar a fome, percebi que estava agradando. E uma coisa ele estava certo, o papo, ops! O filezinho de lá era delicioso.

João Vicente, definitivamente não gostava de futebol, porque nem olhou os três gols do São Paulo, ou ligou para os Corintianos frustrados berrando. Ficamos falando de trabalho, vida, viagens, eixo Rio- São Paulo... e ...carinhosamente trocamos alguns toques.  

Ele é gerente de marketing de uma multinacional, mora no Jardins, mas já morou em Londres pela empresa. Tem família carioca, ama o Rio, viaja sempre nos finais de semana e não possui rastros de qualquer aliança no dedo. Uhmmm... a idade? Aparentemente a mesma que a minha.

Aconteceu algo engraçado. Antes do filezinho, pedimos um caldinho de feijão - acho que ele percebeu que eu estava mais “pra lá do que pra cá”. Mas, o que ele não percebeu é que, pós-caldinho de feijão, uma casquinha havia ficado em seu dente. Nada muito gritante, mas a “casquinha amiga” estava lá há horas em seu sorriso branco conversando comigo. Fiquei naquela “falo, não falo”. Nunca sei o que fazer numa hora dessas. Porém, quando ele foi ao banheiro, deve ter visto e a retirou.

Fingi que não tinha percebido seu ar sem graça e para cortar qualquer desconforto comentei que nunca tinha gostado tanto de um cano. E ele riu tranquilamente.

Definiria João Vicente Oliveira, sim! Ele já me adicionou no facebook - como uma combinação interessante de paulista-carioca. Seu jeito é muito mais carioca - pela leveza, humor e não formalismos ao falar das coisas; mas, sua educação e presteza totalmente de paulista.

“Adicionar no facebook”... no mundo moderno agora é assim -  entendo, curto, mas não sei se compartilho. Ainda prefiro que peguem meu telefone. Mesmo correndo o risco de não ligarem, não saber os amigos em comum, ou não poder ver nenhuma foto de mil novecentos e bolinhas.... – ainda sim, descobrir as pessoas aos poucos me atrai.

Já eram quase onze horas e depois de perceber umas quatro ligações de uma tal de Luciana em seu celular, resolvi deixa-lo atender e ir ao banheiro.

Confesso que estou bastante interessada, já ele não sei, paulista é muito discreto nesse aspecto. Mas, deve ter namorada... os bons já estão sempre ocupados.... e nem no facebook posso entrar do banheiro para confirmar o fato, pois a maldita conexão da TIM não pega aqui dentro!

Ele....

Passadas duas horas de papo, eu já estava na segunda vodka com energético e, tanto eu como ela, precisávamos comer alguma coisa.

Na verdade eu já estava com fome fazia bastante tempo mas sempre acho chato pedir comida quando a garota ainda não manifestou interesse em pelo menos um canapé de carpaccio. Vai entender porque elas gostam tanto disso. Por mim, andava sempre com um x-bacon no bolso!

De qualquer maneira, usando a desculpa de que já havíamos bebido bastante, pedi para o Flávio me arrumar uma mesa.

Não sabia se a amiga de Márcia viria ou não, mas Rafael eu já havia desmarcado fazia tempo!

A conversa estava ótima, já estávamos bastante à vontade, mãos e braços já se encontravam a toda hora. A essa altura, Rafael só iria me atrapalhar.

Eu havia quase acertado a origem de Márcia. Nascida em Goiânia, morava no Rio de Janeiro já fazia mais de dez anos. Com isso, combinava aquele charme meio “faroeste caboclo” com a ginga carioca. Mostrou-se bastante animada ao saber que eu tenho família no Rio e que estou sempre por lá.

Arquiteta, adorava os centros das cidades e conhecia o de São Paulo bem melhor do que eu. Aliás, sabia quase todas as exposições em cartaz tanto em São Paulo quanto no Rio.

Fui ao banheiro (acho que minha bexiga é minúscula!) e me deparei com uma casquinha de feijão bem no meu dente da frente. KCT! Havíamos pedido caldinho de feijão já fazia tempo e a menina nem para me avisar! Bom, paciência.

Voltei para a mesa meio sem graça e Márcia comentou que nunca havia gostado tanto de levar um cano. Pude rir com a certeza (e o alívio) de que meus dentes estavam limpos!

Conversamos por mais algum tempo e era a vez dela de ir ao banheiro. Confesso que o fato de as mulheres conseguirem segurar por bem mais tempo do que os homens me causa certa inveja. Excluídas as dificuldades logísticas, quase nunca se vê uma mulher desesperada no meio da rua ou da estrada.

Aproveitei para retornar as ligações da minha irmã. A Lu parece que sente quando vai ser inconveniente e me liga. Quando eu não atendo, liga sem parar. Tudo bem, amo minha irmã; dizem por aí que somos nós que escolhemos a família que vamos ter.

Aproveitei também para dar uma rápida olhada no Facebook . Hoje em dia é assim; apenas 2 pessoas na mesa? Uma delas levantou? Todo mundo para o Facebook; pode reparar.

Descobri que ela é solteira.

 Quando voltou perguntei a quanto tempo e a resposta foi a seguinte:

“Faz um ano. Agora que estou me acostumando com a vida de solteira. Adoro a liberdade, o poder decidir o que quero fazer. Definitivamente preciso ficar um tempo sozinha.”

Já estou solteiro faz quase cinco anos. Por mais interessada que ela pareça neste momento, sei exatamente o que esse discurso significa porque já o usei mais de uma vez...

PARTE 3:

Ele...

Conversamos de absolutamente tudo!

Ela era de família grande e convencional, oposta a minha que também é grande mas nem tão convencional assim. Apaixonada por cavalos e cães (me mostrou a foto de algo que ela diz ser um cachorro e eu fiz cara de quem acreditou). Tem medo de moto mas disse que me deixaria levá-la para dar uma volta. Disse que cozinha bem mas que era melhor eu não arriscar porque poderia me apaixonar. Contei a ela tudo sobre minha paixão por longas viagens de carro e ela, delicadamente, fez cara de interessada.

Até planos de viajar fizemos!

Ela ficou de me mostrar o Rio de Janeiro, mesmo eu afirmando que vou para lá quase todo mês. Eu fiquei de apresentar Paraty e suas peculiaridades arquitetônicas. Ficamos de descobrir juntos um museu de nome engraçado (que não me lembro mais) perto de Belo Horizonte.

Claro que é cedo para tudo isso, mas a conversa está animada. Estamos nos divertindo. Por que nos ater apenas ao que faz sentido? Ao convencional? Aliás, quem é que decide o que faz ou não sentido, o que é convencional? O que podemos ou não conversar?

Estamos simplesmente nos deixando levar.

E por falar nisso, muita conversa, mãos dadas, pernas encostadas por baixo da mesa, filezinho e porção mista de pasteis, mas nada de beijo na boca.
Sei que a culpa é minha. Quer dizer; sei que a responsabilidade é minha. Um amigo meu sempre diz: “O papel do homem é tentar; o da mulher é dizer não (se não quiser)”. Mas o fato é que sou péssimo nessa hora.

Resolvi propor um desafio: “Vamos pedir tequila?”

Ela aceitou. Quando a bebida chegou eu disse: “Body shot?”

Que sorriso maroto ela me deu!

Um pouco de sal no seu ombro, tomei a tequila e busquei, comportadamente, o limão em seus lábios. Era a vez dela.

Um pouco de sal no meu pescoço, tomou a tequila e então explodimos em um delicioso (e nada comportado) beijo. Aquele beijo forte, molhado, interminável.

Sempre acho “primeiros beijos” um assunto delicado. Tô colocando a língua de mais ou de menos? Abrindo a boca de mais ou de menos? Que diabos de movimento é esse que ela está fazendo? Tá me beijando ou tá me lambendo?!

Com Márcia não teve nada disso. Pelo menos para mim, nosso beijo era perfeito. Era como se fôssemos amantes de longa data que haviam acabado de se reencontrar no aeroporto depois de uma longa viagem separados. Tudo naquele beijo me era familiar e ao mesmo tempo tinha sabor de novidade.

As pernas não estavam mais apenas enconstadas por baixo da mesa. Nossas mãos já haviam se esquecido umas das outras e buscavam pernas, costas e nucas. Conversar era a última coisa que nossas bocas desejavam.

Não sei precisar quanto tempo ficamos assim. Mas sei que o bar ficou inapropriado para nós dois e resolvemos que era hora de irmos embora.

“Você me leva? Vim de taxi”. Disse ela.

O que mais eu poderia querer ouvir?!

Grande amigo e solteiro convicto, Luiz, escreveu recentemente um texto no qual dizia: “se aparecer uma Morena Linda, parceira e de sorriso fácil, talvez eu me apaixone...”

Com essa frase na cabeça, andando de mãos dadas, e um gosto delicioso na boca, fomos para o meu carro.

Ela...

Depois de conversarmos sobre estarmos solteiros, planos futuros e sua irmã Lu, percebi que João Vicente estava dando satisfação. Pontuando algumas coisas para que eu entendesse seu interesse. E talvez seja essa sutileza que me encanta nos paulistas.

Nossa conversa parecia um jogo de frescobol de perfeito entrosamento. O papo fluía fácil, quando um falava, o outro continuava, ou completava. Até quando as palavras faltavam ele ia lá e as pegava para mim. Estava sendo uma descoberta descobri-lo. Desde o fim com o Fabrício que eu não me encaixava tão bem com alguém.

Me diverti com as histórias dele de família, totalmente diferente da minha, família de Goiânia é tudo meio matuta, certinha. Já a dele parece ser aquela coisa meio junto e misturada, meio calça de moletom, sabe? Gostosa demais, mas que pode passar vergonha às vezes na rua. Quando que meu pai levaria minha mãe para andar de balão no dia das mães com primo, neto, cachorro e papagaio? No máximo faríamos um passeio com os cavalos da fazenda até uma cachoeira – local que quase não vamos mais depois que mudamos para o Rio.

Mas, minha paixão continua viva lá na Hípica e adoraria que João Vicente conhecesse a Dorothy, e quem sabe, desse uns saltinhos com ela. Mas para mim, andar de pedalinho na Lagoa ou dar uma volta com o Astor já estava mais do que suficiente.

Às vezes essa afinidade toda muito rápida me assusta. Estava solta e travada ao mesmo tempo. Acreditava não acreditando naqueles planos todos, inclusive de viagem e descobertas de museus em Minas Gerais, não sei literalmente de onde tirei essa ideia louca! Homens costumam fazer de tudo para ganhar uma mulher, possuem tantas habilidades que conseguem seduzir até uma samambaia.  Porém, mesmo cética, era fato que eu estava envolvida quase apaixonada a ponto de cozinhar um banquete para ele de cinta liga.  

Até que página acreditamos e nos deixamos levar como se fosse um “encontro de almas”? Até a página que ele não liga no dia seguinte depois do sexo, nos deixando apenas com a plaquinha do “Eu já sabia”? Ao mesmo tempo ao continuar cética assim, me fecho para encantamentos maravilhosos e coisas possíveis. Triste dilema dos apaixonados calejados que acreditam muito no amor, mas que no fundo acham que não é para eles.

Minha cabeça não parava de pensar entre o posso ou não posso, nossos corpos davam choques agora só de se esbarrarem e através dos olhares nos devorávamos. Não enxergava ou ouvia mais nada ao redor daquele bar. Sua boca ao falar já estava em 3D para mim e agora só tinha um pensamento que me atormentava: “Por que esse cara não me beija?”

Quando ele me propôs o desafio de bebermos tequila, saquei na hora. Ele está muito interessado. Homens pouco tímidos quando envolvidos, perdem o jeito de chegar em uma mulher, acho eu. Aí precisam de um empurrãozinho para se soltar. Achei ótimo, pois eu também estava precisando de um mata leão nos malditos pensamentos.

Quando ele falou “body shot”? Tive que rir!

Não teve jeito, não podia ser diferente, ao mesmo tempo em que a tequila queimou até a espinha João Vicente me dominou por inteira com o beijo mais agridoce dos últimos tempos. Esqueci onde estávamos, que tava fora da cidade e que trabalhava amanhã. E foi muito bom me sentir viva, pulsando.

Nós mulheres nos preocupamos tanto com tantas coisas - que esquecemos de dar valor quando realmente nos interessamos por alguém. Acho tão difícil isso acontecer hoje em dia, que passei a ficar feliz quando quero ir para cama com alguém de primeira.

Só sei que não queria desgrudar dele ainda. Saíamos do bar e caminhando pela rua com as mãos frias e suadas de nervoso, nos olhamos e sem pensar entrei em seu carro. 

- FIM? -



terça-feira, 1 de maio de 2012


“Quando o seu coração falar, escute. E quando a vida decidir mudar tudo o que planejou, aceite”.
Ana Corujo

Esta é a frase de chamada do meu primeiro romance. Mas, romances a parte, e o em breve nas livrarias, vamos torcer para isso também. Esta frase para mim é de pura força e amplo significado.
Vivemos em constantes questionamentos e planejamentos de curto, médio e longo prazo. E para quê?
Para a famosa busca da também constante evolução.
Evoluir envolve questionamento e planejamento. Porém, muitas vezes ignoramos, ou lutamos contra detalhes importantes para uma evolução plena, digamos assim.
Nosso racional briga com o emocional, e no limbo ficamos sem saber se mudamos ou compramos um velotrol, mais modernamente falando, se mudamos ou compramos uma bicicleta elétrica, afinal já saímos dos 20 e poucos anos e esta super na moda.
E nessa briga racional x emocional, ignoramos o fato de que muitas das respostas dos grandes questionamentos de nossas vidas esta dentro de nós, nos sentimentos. E por mais piegas que possa parecer nosso coraçãozinho sempre nos dá essas respostas – cabe a nós, ouvi-lo.
Porém, como malcriados que somos, costumamos racionalmente fazer a famosa análise de SWOT, pontuando as oportunidades e ameaças externas, bem como nossas forças e fraquezas internas - para assim seguirmos, cheios de teorias, expectativas e controle.
Racionalmente ainda, depois dessa análise toda, é chegada a hora do planejamento estratégico para o futuro. Afinal, quem vive sem metas e objetivos não vive, segue o fluxo, ou o enterro.
Neste planejamento desenhamos estrategicamente o pseudo-caminho do sucesso, da felicidade, da fortuna, do amor e também dos sonhos. - inclusive lotéricos e esotéricos.  
Hipocrisia, loucura? Claro que não! Por mais dúvidas que tenhamos de tudo ou de nada. Ter um norte, verbalizar, sonhar é sempre muito importante. Os planejamentos nos demandam fazer algum movimento, nem que seja o da força do pensamento. 
E quando a vida lê esse planejamento todo, ela como grande gestora toma decisões estratégicas por nós, decisões estas que podemos chamar de acontecimentos, sinais, ou destino.
Não questione a razão das coisas, porque a razão, muitas vezes, ou quase em 99% dos casos só vem com o tempo - com expectativas frustradas ou não.
A vida tem dessas coisas, ela pega o mapa que você montou e muitas vezes muda todo o caminho, nem sempre seguindo as diretrizes básicas de um bom GPS - da forma mais rápida, fácil, ou curta. Mas, seu objetivo é claro: chegarmos aonde devemos estar – afinal, tudo em nossa vida é o reflexo do que somos – e por algum motivo merecemos, ou precisamos estar exatamente aí, nem que seja só de passagem.
Por isso, quando seu coração falar escute e quando a vida decidir mudar tudo o que planejou, aceite. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Educadamente gostaria de dizer....



Ei sai da frente!
Não te perguntei nada.
Quer? Faz você.
Me deixa!
Que saco!
Quem paga as minhas contas?

Perdemos a educação. Aonde ela foi parar, na minha casa, na sua, na do vizinho, ou ela simplesmente desceu pelo ralo?

Educadamente gostaria de dizer que os bons hábitos, a gentileza, o muito obrigado e o olhar além do umbigo virou coisa do passado, a onda do momento é se vira aí malandro!

Sempre acreditei que educação, atrai educação, assim como bondade atrai bondade. Porém, da mesma forma que podemos atrair coisas do bem a má educação atrai também má educação. E nós pobres mocinhos educados, com tanta falta de educação, desrespeito e egoísmo, estamos nos transformando nisso tudo também - será?

Até nas conectividades não há mais educação. A internet publica o que você leu, o WhatsApp invade a sua vida a qualquer hora, sem pedir licença inclusive no seu sono e ainda informa ao invasor todas as suas conectadas. O Google rastreia seus comentários, históricos e que fez no berçário e não mais temos o direito de nos preservar, pois por incrível que pareça nos viciamos nessa “acessividade” tecnológica compulsiva e que voluntariamente nos aprisionamos..

Com isso, incentivamos a má educação em uma reunião, na mesa de jantar, na casa dos amigos, em sala de aula e até na hora do sexo.  Estamos educadamente presentes fisicamente, mas ausentes emocionalmente conectados uns aos outros. Ironicamente nos comunicamos com o mundo, mas estamos cada vez mais desconectados do que realmente é importante - nossos valores.

Paradoxal isso, né?

Hoje eu estava no metro e um pai entrou com seu filho doente em uma cadeira de rodas. O pai desse menino, “invadiu” nosso silencio e espaço tão educadamente e admiravelmente na luta para salvar seu filho que todas as pessoas que estavam no vagão, literalmente todas, doaram dinheiro, sem que ele pedisse diretamente.

O pai que trabalha e precisa pagar um tratamento de 62 mil reais - sem qualquer ajuda do governo para seu filho Danielzinho, criou um site de doações que conta sua história e sobre  doença do menino. Ele passa todos os dias no metrô depois do trabalho numa corrida contra o tempo comunicando essa campanha para conseguir o dinheiro – pois ainda faltam 12 mil reais. E vocês acham que ele usou um discurso piedoso? Não. O que vi, foi um ser humano com o maior amor genuíno do mundo por um filho, educadamente agregando pessoas em sua causa.

E o quanto vemos disso por aí nas ações pequenas do dia a dia? Nos sentimos tão lesados, como se quisessem nos tirar as coisas o tempo todo, que não deixamos nem o amor entrar - e de tanta rejeição o bem deixa de existir.

Quando entendermos que amor atrai amor e que os seus 50% com os meus 50% dá 110% passaremos a ganhar esses 60% que perdemos ou se quer enxergamos por puro egoísmo e falta de educação.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O fascínio dos anos 90

A cada dia, ou ano, percebo mais o fascínio dos meninos-homens de vinte e poucos anos pelas mulheres de 30, 40, 50, até 60. A maturidade feminina exerce um efeito ferormônico em cima desses jovenzinhos interessantes.

Enquanto as mulheres de 30 (solteiras), são quase um repelente natural para os homens de 30 e poucos anos também solteiros; para os meninos-homens de 20 e poucos anos, as mulheres de 30 são um atrativo e tanto. Elas frequentam os mesmos lugares que eles, aparentam muitas vezes a mesma idade que eles; mas são independentes, moram sozinhas, pagam suas contas e luxos. Além de saberem o que querem, são seguras sexualmente, não fazem doce, conhecem seu corpo e sabem escolher um bom vinho. Mas, o melhor de tudo é que elas não querem compromisso com eles – mas, sim com os homens maduros e já estabilizados.

Essa combinação maturidade-jovem, é bem interessante, porque a mulher madura encontra no homem de 20 uma admiração, respeito, e leveza (nela) que muitas vezes não é reconhecida pelos homens de sua faixa etária. E o homem de 20 encontra nessa mulher uma fonte de aprendizados, afirmação de sua masculinidade e poder - pelo simples fato de estar “pegando” uma mulher mais velha. Ele vira um jovem poderoso, sério, consistente e maduro. Estar com uma mulher mais velha enaltece as melhores qualidades de um homem jovem. Já as mulheres maduras ao lado de um jovemzinho, relaxa e se abstém de cumprir papeis, seguir regras e protocolos da mulher para se casar. Ela consegue enaltecer seu lado espontâneo, leve, sem cobranças e descompromissado; além de receber um banho de vaidade e auto-estima.

Não estou falando de sexo fácil, mas sim de troca. Diria até que essa miscigenação etária pode ser bem positiva. No mínimo faz bem para o ego, pele – e abre a mente de ambas as partes.

Não estou estimulando o intercâmbio cultural entre as décadas de 80 e 90, ou outras – mas, esta estatisticamente comprovado que o maior mercado masculino hetero disponível hoje, são os jovens de 20 e poucos anos. Até as vovozinhas estão de olho nesse mercado, pois também esta estatisticamente comprovado que os homens morrem antes das mulheres, logo também contamos com a falta de vovozinhos disponíveis, ou vivos.

E já que “pirralho” ta brotando que nem pombo por todos lugares, por que não se juntar a eles? Ou você prefere ficar dias, e dias em frente a sua TV LCD 42’’, comendo sorvete e vendo pela 5ª vez as temporadas de Sex and the City? Apenas um alerta: só cuidado para não “pegar” o irmãozinho de algum ex-namorado ou netinho seu. Isso sim seria o fim da linha, viu vovó?

Mas, cuidado meninas, antes de juntar-se a eles verifiquem suas carteiras de identidade para não caírem no conto dos falsos-jovens. Aqueles que já saíram há tempos dos seus 20 poucos anos, mas esqueceram de crescer. Moram ainda na casa dos pais, não são independentes financeiramente, adoram se encostar em você e não conseguem sair do gerúndio: “Ainda estou estudando, juntando dinheiro, montando um negócio”, ou “aplicando na bolsa”. A maioria dos homens “faz nada” – vulgo desempregados, dizem que operam na bolsa de valores em casa – na casa dos pais, é claro! Por isso, fujam desses falsos-jovens, pois eles costumam ter papo ótimo e sabem fazer você se divertir, mas não são futuro para ninguém! O máximo que vão conseguir é sair da casa dos pais para a sua. Por isso, garantam um jovem original, da década de 90 mesmo. Esses sim vão te proporcionar torpedos a tarde, cinema com Milk Shake, beijo na porta da faculdade, sexo na cama de solteiro, jantar na lanchonete pago pelo Visa Vale e quem sabe, um lindo casamento!

Miscigenação etárias a parte, percebe-se que independentemente de idade, as relações são sempre grandes trocas de interesses e objetivos - momentâneos ou de uma vida inteira.