terça-feira, 26 de agosto de 2025

Pau que bate em Chico, não bate em Francisco

 






Pau que bate em Chico, não bate em Francisco.

Teoricamente, todos deveríamos ter os mesmos direitos. Mas direito é algo que se perdeu faz tempo no Brasil e na sociedade.

Não temos mais o direito de ir e vir: podemos ser assaltados e mortos no caminho. De olhar para o céu ou sentar sob uma árvore ao ar livre. A rua virou medo, uma liberdade arruinada.

Perdemos o direito de opinar e de sermos conservadores. O direito romano, pilar da sociedade ocidental moderna, foi assassinado pelo antagonismo. O convencional perdeu o direito de ser de direita, enquanto o feminismo ganhou o direito de ser o machismo reverso. Perdemos o direito de nos expressar livremente e de ter autoridade sobre as crianças. Perdemos até o direito de envelhecer. Opinar virou crime, ser normal é errado, quem fala correto já está cancelado.

Pau que bate em Chico, bate em João, na Paula, na Joana — só não bate em quem bateu.

Perdemos o direito de prender quem rouba, mata e engana, de nos defender. Viramos bolhas, cárceres privados, para proteger a pele e a família em um sistema fechado.

Perdemos o direito de sonhar com um país melhor, de acreditar na justiça — virou utopia. Perdemos o direito à arte, à poesia, à música da alma. Foi tudo vendido, sexualizado em uma mídia fria.

Perdemos o direito de ser caretas, de acreditar na monogamia, no amor, no cuidado, de confiar nas pessoas. Perdemos o direito para a hipocrisia, para a tecnologia, para a robotização e para a IA. Homens perderam o direito de serem homens, mulheres de serem mulheres. Viramos super-heróis com poder de Zé Mané.

Onde ficou o direito?

Ganhamos apenas o direito de relativizar a ética, o certo e o errado, o belo e o feio. O natural perdeu espaço para o artificial. O construído foi desconstruído para ser reconstruído, onde democracia e moral não são mais virtudes — e o jogo do poder virou um absurdo sem regras.

Achamos que ganhamos direitos, mas colhemos segregação — como na Arte da Guerra: dividir para conquistar. Demos direito ao ódio e ao salve-se quem puder. O direito foi obrigado a virar à esquerda, e está ladeira abaixo. O coletivo perdeu o direito para o individualismo manipulado — e o povo entristeceu.

Não sei se existe saída, se as coisas vão melhorar. Mas a fé não pode perder o direito de existir. Discordar não deve ser confundido com ódio.

Somos todos Francisco. Mas se você quer ser Chico; eu só peço respeito, só peço ser Francisco. Porque pau que bate em Chico, também bate em Francisco.

sábado, 10 de maio de 2025

As pessoas oferecem o que gostariam de ser e entregam o que são.



Outro dia, me peguei pensando, com base em algumas experiências e percepções, que cada vez mais as pessoas estão criando uma personalidade no virtual e sustentando outra no real. Uma vez ouvi que eu era muito mais simpática por mensagem do que pessoalmente. Que, pessoalmente, eu era mais séria. E, nesse caso, achei a observação bem cirúrgica — de fato, sou mais séria em um primeiro contato. Já escutei também que sou brava. Brava… já não sei, se sei.

Fiquei pensando sobre essa desconexão entre a nossa personalidade no real e no virtual.

Por que o real se tornou tão desconfortável? Por que hoje responder espontaneamente e na hora nos gera, muitas vezes, reações de proteção? Como se o cérebro precisasse de um “delay” para avaliar e agir.

Tenho a sensação de que, no mundo virtual, podemos nos editar para versões que gostaríamos de ser. E, quando vamos para o real, não conseguimos fazer essa edição — causando uma distorção de personalidades. No virtual, temos coragem, entrega, humor e toda uma facilidade de ser o que não temos coragem de exibir no real: no olho no olho, no contato físico.

Viramos amedrontados da realidade, nos escondendo atrás de telas, onde apenas ali conseguimos ser nossa melhor versão e assim perdemos a coerência e autenticidade de nós mesmos — ainda mais agora, com a inteligência artificial que muda até o tom da nossa forma de dizer.

As identidades ficaram esvaziadas e medrosas diante do julgamento do outro e da sociedade.

No virtual, podemos disseminar amor e ódio sem barreiras ou fronteiras. Apoiamos causas, nos inserimos em movimentos populosos que nunca adotaríamos no mundo real, simplesmente por exigirem uma ação física.

Nossa identidade passou a ser definida pelos dedos: pelo dedilhar, pelas figurinhas e pelos memes — pela mente idealizada de nós mesmos e dos outros.

Quando, no real, o feedback do sentir, do experimentar, interage com nosso eu verdadeiro e toca todos os nossos gatilhos — sem que possamos disfarçar um olhar, um suor, um não saber lidar. Aí o interlocutor não reconhece, no real, a pessoa do virtual.

Cada vez fica mais claro para mim essa ruptura entre identidade virtual ou social e a pessoa real.

E, como diz o ditado, pau que bate em Chico também bate em Francisco. Devo fazer parte dessa mesma distorção. Será que terapia online resolve isso?

No virtual, escolhemos o que mostrar, e quando mostrar. Dá tempo de pensar. A reação ganha tempo para reagir. Escondemos uma boca trêmula, um coração acelerado, um sorriso nervoso. E o outro, do outro lado da tela, cria uma imagem com base na interpretação disso tudo.

Nessa distorção entre as personalidades do virtual e do real, a frustração com a imagem que construímos das pessoas se torna cada vez mais comum.

E como encontrar o caminho do meio? Como alinhar essas personalidades? Não sei. Vou perguntar ao GPT pra ver o que ele diz. Agora, nem do outro precisamos mais. O próprio GPT nos elogia, nos avalia, nos valida. E, em segundos, me sinto ainda mais autossuficiente.

De qualquer forma, entendo que esse alinhamento entre personalidades não é uma decisão racional. A energia do virtual é diferente da energia do real — e, em ambos, sentimos diferente, e por isso deixamos fluir de forma diferente.

No virtual, temos como base a interpretação, idealização, imaginação e projeção. No real, temos interação, reação, energia latente, olho no olho, cheiro, linguagem corporal, sabores e momentos reais.

Como diz a minha frase: a realidade tem um sabor que a imaginação não sabe; Na maioria das vezes, a realidade será minimamente diferente da imaginação.

Quantas vezes reservamos um hotel pela internet e, ao chegar, percebemos que o que tínhamos na mente era bem diferente da realidade?

Real e virtual são experiências que partem de perspectivas diferentes, mas nossa autenticidade deve ser única. Talvez o caminho para esse equilíbrio seja: fantasiar menos no virtual e tolerar mais no real. Projetar menos no virtual e se permitir mais no real.

E, também talvez, a pergunta mais consciente seja: sou capaz de sustentar isso no real?

E, já que todos aqui somos capazes de uma autoanálise:

Você se percebe como a mesma pessoa no virtual e no real?


Resposta do GPT (Caraca, sou muito boa!!Rs) 

Talvez o alinhamento entre o virtual e o real não seja sobre ser igual em todos os contextos, mas sobre ser coerente. O caminho do meio pode estar na auto-observação: entender que não precisamos agir da mesma forma sempre, mas que nossas expressões — online ou offline — estejam alinhadas com quem realmente somos. Não se trata de eliminar nuances, mas de reduzir a distância entre a versão que mostramos e aquela que conseguimos sustentar no olho no olho. Quando há verdade, ainda que com diferenças de tom, há autenticidade. E talvez seja isso que falta: coragem para sermos inteiros, mesmo com as imperfeições expostas.

A menina e o Sabático

 



Muitas pessoas me perguntam o que me motivou a fazer um sabático. 
Acho uma pergunta legítima, porque cada pessoa tem sua motivação — mesmo sabendo que poucas pessoas fazem um sabático.
O segundo comentário geralmente é: “Que coragem.”
Mas há momentos na vida em que não se trata de razão, e sim do que faz sentido para você naquele instante.

E o que faz sentido para mim pode ser completamente diferente do que faz sentido para você, porque cada um tem sua própria história. Talvez a pergunta mais importante seja: você é protagonista da sua própria história?

Se me perguntarem, posso dizer que sim. Acho que até demais.
Mas, voltando ao sabático: o que me levou a tomar essa decisão? Eu tinha o emprego perfeito, o apartamento perfeito, os amigos que escolhi e a academia perfeita (acho até que aborreci as pessoas com tanto amor por ela!).
Mas, para entender meu sabático, é preciso considerar dois aspectos que me transformaram profundamente: a fé e o exercício.

Cada pessoa que faz um sabático tem um propósito — uma motivação muito particular. Afinal, o que leva alguém à decisão de dar uma pausa ou viver experiências que dificilmente aconteceriam num fluxo de vida “normal” é diferente para cada um.

Para uns, é pausa; para outros, fuga; para outros ainda, resgate. No meu caso, foi transbordo.

Não sei se todos conhecem a história da lagosta. Quando ela cresce e se desenvolve, sua carapaça começa a apertar. A lagosta, então, precisa romper aquela casca. Nesse processo, ela fica nua, vulnerável, com medo de ser devorada por predadores.
Instintivamente, se esconde debaixo das pedras, onde se protege enquanto uma nova carapaça se forma — uma que lhe caiba. Esse esconderijo é seu abrigo diante da vulnerabilidade.

Foi isso que aconteceu comigo: fui lagosta. Minha pele já não me cabia mais, mesmo que eu genuinamente amasse a vida que construí. Mas, às vezes, a vida é maior do que conseguimos enxergar.
Existe o que sabemos, o que sabemos que não sabemos, e o que nem fazemos ideia que existe. E foi essa parte — a que eu nem sabia que existia — que me moveu.

Tem horas em que nos perguntamos:
O que nos prende? O que nos motiva? O que nos faz querer?

Nunca fui uma pessoa desprendida, aventureira ou que se adapta fácil a qualquer contexto.
Mas, se o controle me levou tão longe… imagine onde o “sair do controle” pode me levar?

Essa motivação, junto ao que fazia sentido naquele momento da minha vida, me levou à decisão.
Falando assim, parece uma decisão com um peso enorme — mas esse peso só existe para quem carrega fatores limitantes. E isso faz com que não ir seja tão legítimo quanto ir.

As histórias são particulares. Os sonhos, também.
Somos do tamanho daquilo que decidimos.

Desde o dia 1, quando deixei o mercado corporativo e minha bolha perfeita, passei a me despir do que não me pertencia mais e a me abrir ao que podia acontecer.
A fé teve (e tem) um papel transformador e singular nesse processo. Porque, quando você decide acreditar no processo, sua vida passa a estar a serviço do acaso — mesmo que você tenha planejado tudo.

O controle é uma ilusão.

Quando escrevi minha carta de demissão, me despedi, saí de todos os grupos de WhatsApp, aluguei meu apartamento (aquele que levei uma vida para comprar e reformar), empacotei minha vida e coloquei tudo em um storage, me despedida dos amigos, da família: entendi que o controle não era mais meu. Estava abrindo espaço para o que a vida estivesse disposta a me entregar.

Viver é um ato de coragem.

Desapegar do seguro nunca é fácil, mas eu estava disposta a viver o que não me preparei para viver.

Receber também é um ato de sabedoria.

E foi isso que aconteceu.
Me permiti receber, sentir, olhar, parar, contemplar, dormir, cantar, escrever, conhecer, chorar, não fazer nada e fazer tudo.

Aprendi que a gente se leva. A gente constrói "a mesma vida" em contextos diferentes, com pessoas diferentes. Porque "a mesma vida" somos nós — nossa essência. E nossa essência, em diferentes contextos, se multiplica.

Quando nos permitimos “mudar tudo”, inclusive a nós mesmos, é impossível não entrar em crise. Seria minimamente estranho viver tantas coisas diferentes e sentir tudo igual. A crise faz parte da transformação. E não há transformação sem crise.

No momento da crise, só podemos fazer uma coisa: abraçá-la, aceitá-la, deixar o tempo trazer as respostas.
Mas, teimosos que somos, queremos encontrar uma resposta — mesmo sem saber exatamente qual é a pergunta.

Passei pela ansiedade, medo, euforia, plenitude, liberdade, crise, angústia e finitude. E o único sentimento que me acompanhou o tempo inteiro foi: gratidão.

Quando eu não sabia o que viria, fiz movimentos. E a vida respondeu, colocando no meu caminho o que era necessário naquele momento.

Recebi, fiz minhas malas e voltei para a minha antiga vida — porque o que é nosso, ninguém tira. Me abri novamente para sentir tudo o que esse novo/antigo contexto ainda tinha para me mostrar. E percebi que estou vivendo entre mundos.

O que será?
Talvez em um próximo texto a gente descubra...

Novos ciclos.






Um novo ciclo tem um sabor de dor e felicidade ao mesmo tempo. Dor porque, infelizmente, somos muito apegados ao passado, e nem sempre o velho ciclo era ruim — ele apenas não cabe mais. E até o que foi ruim, temos dificuldade em desapegar. Para que tanto apego, se precisamos praticar o desapego?

Felicidade porque — quem não gosta do novo, da descoberta, do inesperado e daquele frio na barriga? A novidade pulsa, e os desafios também. É como cortar o cabelo: por mais que esteja com pontas, minguado e sem brilho, a incerteza do novo corte dá insegurança, medo de não ficar bom — e depois, todo um processo de adaptação. E quando não fica bom, nos punimos pela má escolha.

Não adianta fingir que não sabemos quando um ciclo se encerra.

A gente tenta se enganar, coloca uma venda nos olhos, se esconde atrás da árvore… mas, se a coragem não vem, às vezes é a própria vida que vem nos buscar para novos ciclos. Há ciclos dos quais não queremos sair porque são bons, gostosos, quentinhos — e, para nós, perfeitinhos também. Aí vem a vida, nos dá uma rasteira, tira nosso chão e nos obriga a lidar com a frustração de viver uma nova vida, ou um novo ciclo que não queríamos viver.
Até a dor tem sua beleza, porque ela nos engrandece. A gente só cresce no caminho da dor — e quem não quer ser maior? Ok, tem gente que não quer, e tudo bem. Fica pelo caminho, ou acompanhado de pessoas do seu próprio tamanho… ou de quem só está de passagem.

Crescer, evoluir, ser maior, mais espiritualizado, e se tornar aquele que descobre as insignificâncias é, também, abrir mão de muita coisa — e de muitas pessoas.

Somos diretamente influenciados pelas cinco pessoas com quem mais convivemos. O mais difícil é chegar ao simples. E, quando se chega, também se torna mais simples entender certas coisas — e agradecer, como se um nó tivesse se desfeito.
Tem horas em que não se trata da razão, mas do que faz sentido no momento. Tem horas em que faz sentido comer um doce que sua avó fazia, ou simplesmente porque você quer. E tem horas em que não faz sentido comer um doce e sair da dieta.

Agradeço à maturidade, que me ajuda a sofrer menos com certas decisões — mesmo quando Nossa Senhora do Ego vem me atormentar.

Só sei que os novos ciclos sempre precisarão dos antigos para existir — e talvez esteja aí a resposta que a gente tanto busca. Não seríamos quem somos se não tivéssemos passado pelo que passamos. Querer permanecer no mesmo ciclo é imaturidade emocional. Entender que a vida é cíclica é liberdade emocional.

Feliz novo ciclo!


sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Minhas Composições | Transformei as escritas deste blog em música!!



Transformei as escritas deste blog em música!!
 A Inteligência Artificial mudando nossas vidas como mágica. É lindo ver os textos daqui escritos ao longo desses 17 anos, com tanta verdade e alma dançarem, ganharem voz e ritmo. 
Que esta playlist, viva, porque cresce a cada dia, te faça companhia e a dançar emocionadamente como faz comigo.  Deixe aqui o seu comentário e sugestões. :-)

Clique aqui:

 

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Esgotamento emocional

 

Ao conversar com homens e mulheres vejo que existe um esgotamento emocional em relação aos encontros afetivos, principalmente nos aplicativos de relacionamentos. A sensação de rodar e rodar e estar sempre no mesmo lugar é comum e diria global. 

As pessoas estão cada vez mais esgotadas dessa busca, não digo nem mais pela alma gêmea, mas por encontros saudáveis, reais e com alguma evolução. 

Quando deixamos de nos interessar e sermos interessantes ao olhar do outro?

Vejo um desencontro generalizado, mesmo havendo uma genuína vontade de encontrar.

Será que o amor se perdeu, levando embora o romance e os romances passaram a ser com a própria autoestima? 

Nem vou dizer: calma, porque já passou a fase de se desesperar por isso, fica só o cansaço da tentativa e erro para aqueles que ainda não desistiram de tentar. 

Como o timing dos aplicativos é ainda mais rápido que os encontros tradicionais, se não falado no dia seguinte ao encontro, o ciclo dos matchs: busca, conexão, interesse e encontro, volta ao início: a busca - ou acelera outra conexão que estava esperando na fila. Aí ficamos que nem ratos de laboratório rodando nesse ciclo. O rato homem achando as mulheres interesseiras e desesperadas e a rata mulher achando que os homens só querem sexo e nenhuma conexão afetiva. 

Acho isso tão demodê, mas ainda tão atual.

A generalização leva também a esse esgotamento emocional. E podemos perceber isso através de novas modalidades “paqueras” que estão surgindo. Aqui na Europa, uma rede de supermercado está muito popular por em um determinado horário solteiros circularem fazendo as suas compras em corredores específicos com um abacaxi de ponta cabeça. O corredor define o tipo de relacionamento ou abordagem que pode ser feita. Achei de tamanha inteligência, porque hoje as modalidades de assédio assassinaram as paqueras tão deliciosamente espontâneas. Sou da época que se paquerava no trânsito, no metrô, na fila do mercado. Primeiro veio o insulfilme, depois a censura, depois o celular fazendo com que cada um viva em seu mundo digitalmente paralelo.

A necessidade de conhecer gente, principalmente para os 40+ está tão latente que aplicativos que organizam jantares com desconhecidos, ou que criam grupos por interesses, crescem mundialmente e proporcionam pessoas conhecerem pessoas diversas para fins diversos: amizades, networking, troca de ideias, relacionamentos afetivos, sem a pressão e desgaste emocional que os aplicativos de relacionamentos geram - de atender a expectativa do outro. 

Nessas minhas andanças e falanças, percebi que apesar de homens, mulheres e os gays quererem a mesma coisa: encontrar um parceiro de vida e construir uma relação de amor. A indisponibilidade emocional para abrir espaço para alguém entrar juntamente com a ausência de vontade de aceitar as incompletudes do outro, reforçam a normalização da solitude. 

O acúmulo de desencontros está levando as pessoas cada vez mais trabalhar a solitude, o amor-próprio, e a autoestima. Esse excesso de “eu independente, forte, autossuficiente” também gera um distanciamento cognitivo do que nos conecta ao outro. E assim vamos fechando a portinha do coração, ao ponto de nos acostumarmos com a sala preenchida somente conosco, em paz ao som do silêncio, ou ouvindo a playlist da nossa história. 

Para os corações solitários que ainda querem bater com a batida de alguém cafonamente juntinho apesar do descompasso da vida em tempos modernos. Acredito que o caminho está na desconstrução da paixão e na observação das possibilidades de amor. E para isso é necessário abrir espaço e ter paciência na dilatação das histórias, no olhar mais empático e menos crítico, inclusive com nós mesmos. 

A paixão não se transforma em amor, ela é egoísta e uma grande falácia, ainda mais na maturidade. Na paixão você se melhora para uma única pessoa, no amor você melhora para todos. 

Segundo Carpinejar: “Paixão divide a loucura, amor divide a normalidade”.  E você busca a felicidade na loucura ou na normalidade?

terça-feira, 18 de junho de 2024

As pedras são portuguesas e a vista é linda.

 

Antes tudo era estranho, as ruas, as pessoas, o cheiro, a humidade. Me sentia estranha. Será que tomei a decisão certa? A estação de trem, de metrô, cenários tão comuns e tão incomuns para mim. Tudo era novo, até escolher direita e esquerda não parecia tão simples. Mas a vista, a sensação de liberdade compensava qualquer insegurança e dúvida quanto ao estável e certo deixado.

No caminho, as pedras portuguesas me guiavam, assim como me faziam escorregar, aí entendi que precisava usar o calçado certo para melhor seguir na caminhada. Também não estava acostumada com as ladeiras. As ladeiras sempre deixam mais difícil chegar ao topo, mas as dificuldades que nos possibilitam chegar até lá, ou não. 

Aos poucos, mas bem rapidamente, tudo foi se tornando conhecido e mais colorido, o medo deu espaço à intimidade e conforto. As pessoas não eram mais estranhas, mas sim amigas, acolhedoras. O estranho muitas vezes nos paralisa, mas tem horas na vida que sabemos que temos que transbordar, o quê? Não sei.  Só sei que igual não mais serei. E foi isso que vim buscar, uma nova eu, melhor, mais inteira, mais madura, mais corajosa e cheia de vida. Abraçar o inesperado sempre foi um medo, receber também, e hoje não mais os tenho.

Nem sempre o que serve para mim, serve para o outro, mas o que importa é o que te importa. Por anos fiquei tentando caber nas minhas e nas expectativas dos outros. No planejado, no idealizado principalmente. E isso até me levou a muitos lugares e a muitas frustações, mas acho também que faz parte, assim como fazer planos e mudar todos. O importante é a evolução. Faz um pouquinho, erra, aprende, segue, cria uma opinião, muda, depois muda novamente cheio de certezas, até entender que qualquer certeza nem sempre é certa. O que existe é o que é certo, ou o que melhor nos cabe em cada momento. E foi isso que entendi. 

Essa experiência tem sido incrível. Lindo poder pegar a sua vida, olhar para ela e decidir que o seu único compromisso é com você mesmo. Que você é dono de si e que pode fazer somente o que quiser. Lógico que não controlamos tudo e seres maduros sabem sobre responsabilidades e prudência. Quando criança sempre quis ter superpoderes; hoje tenho, e sei disso. Mas, esse superpoder tem que saber a hora de utilizá-lo e se pode utilizá-lo. Felizmente, posso me proporcionar isso. O que me faz olhar para trás e sorrir com cada pedra, cada não que me disseram, cada não que me disse, cada piano que empurrei, cada um que não quis ficar, cada sapo que engoli, cada noite que não dormi, cada escolha que não queria fazer e fiz, cada hora de terapia, cada desafio que assumi - que me trouxe até aqui, com frutos emocionais e financeiros que me proporcionam viver o momento mais pleno e feliz da minha vida. Nunca havia entendido a liberdade tão inteira. A liberdade não é uma condição, é um sentimento. O que me faz entender e comprovar que apesar de não ter sido o que planejei lá no passado para mim, é o melhor plano que a vida pôde me dar e não há espaço que caiba maior gratidão. Sem saber, eu mesma criei isso e sem saber sigo, sem saber o que virá. 


sábado, 15 de junho de 2024

Às vezes são portas, outras são janelas






O ditado popular fala: quando Deus fecha uma porta, abre uma janela. 

Deus sempre vai querer o melhor para nós, mesmo que ele feche uma porta na nossa cara e nem sempre a janela aberta vem assim no mesmo momento. Mas quando confiamos que ele quer o nosso melhor, a nossa relação com a aceitação dos fatos vem acompanhada com a esperança e um aprendizado que também não necessariamente temos no momento presente. 

Falando em momento presente, pouco vivemos o momento presente, normalmente estamos relembrando o passado ou querendo o futuro. 

O presente a própria palavra já diz, é um presente. Um presente de Deus. E cabe a nós ter a inteligência em vivenciá-lo em tempo real, mas teimamos em estar no celular. 

Muitas vezes estar no celular é bem mais divertido mesmo, principalmente por causa dos memes. 

Muitos ou poucos sabem da minha relação com a fé. A fé não é algo que racionalmente escolhemos. Talvez a intenção sim. Mas a fé é algo que vem de dentro de uma crença genuína, que existe algo maior, mais forte que a nossa própria força. Os galhos não dão folhas e frutos sem o tronco. 

A minha vida mudou quando me encontrei com a fé. Acho que na verdade me encontrei comigo mesma através da fé. E foi um belo de um encontro.

Primeiro comecei fazendo as pazes com o tempo e percebi que tinha todo tempo do mundo. Depois passei a ser mais legal comigo, me amar mais, fazer mais exercícios. Amar meu corpo e minha alma. Se você juntar a endorfina e a fé, os efeitos podem ser melhores que muita lipo e botox. 

Mas voltando. Sim, sou esse vai e volta de pensamentos e assuntos. 

Foi um encontro bonito, de almas. Ficar mais próximo de Deus foi como passear em um jardim e escutar a sua voz; como se ele pudesse tocar e acalmar o meu coração através de sinais, às vezes bobos, mas me abastecia de paciência e paz. Tô longe de ter virado Buda, mas passei a ficar bem menos possuída com as coisas. 

Fé não se discute, assim como time de futebol. Cada um pode ter a sua, cada um deve encontrar a sua e não querer evangelizar ninguém, somente inspirar que cada um encontre a sua própria, para melhor lidar com o presente, com as aceitações. O ponto de partida é a gratidão e ela está no presente. Gratidão pelo dia, pelo que se tem, pelas pessoas. A gente só muda através do amor, e nosso eu de amanhã não existe sem o nosso eu de hoje, então o presente é o processo. O medo é o processo. Ele caminha com a gente e tudo bem. 

Quando deixamos de acreditar em nós? Quando passamos a olhar só para as portas fechadas, sem perceber as janelas? 

Quando a nossa perspectiva muda, tudo muda, quando temos amor em nós, por nós, tudo muda. Quando nos conectamos com o sagrado, com a fé, tudo muda, e somos eternos mutantes, essa é a beleza da vida, da evolução. 

A felicidade está na trivialidade do dia a dia. Se algo não me deixa feliz, ou não está bem, é preciso fazer algo para que fique, e não precisa ser sozinho. A força maior vai me acolher, segurar a minha mão. A vida sempre será aquilo que te pertence e aparece no seu caminho, mesmo que você não queira. Tudo que acontece tem um sentido, mesmo que você não veja sentido nenhum, uma hora talvez você entenda. 

E é por isso que agradeço a Deus por todas as portas e janelas. Através delas posso atravessar, me atravessar, parar, ficar, enxergar, seguir ou somente apreciar a vista. Amém.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

A moça do bar

 



Quando nós moças devemos tomar a decisão de sair sozinhas para um bar? 

Não tem regras, até porque o primeiro julgamento é o seu. O que vão falar se me verem sozinha lá? Este é sempre um dos pensamentos, mas se você tem mais de 40 anos, essa preocupação deveria já ter caído de regra.

A melhor parte de sair sozinha é observar, ouvir as conversas, sentir. Dar atenção ao que nunca damos quando saímos em grupo. O externo toma forma, sotaque, múltiplos sons, cheiro. A gente invade a vida dos outros. E tem vezes que é uma delícia invadir e ser invadida. 

Estou escrevendo esse texto em um bar, olhando para uma mulher que veste um conjunto listrado mais listrado que seus óculos amarelos. O cheiro agora é maconha, mas antes era do queijo serra da estrela. O som? Um jazz meio R&B, podia passar o dia ouvindo isso. A melhor dica que dou é, sente-se no bar, ou balcão e observe. 

Sair sozinha na minha visão de iniciante é estar no poder. Me sinto em um pedestal a observar o que nunca observaria se estivesse com outros, ou a dois. Vejo os olhares: quem é essa moça do bar? De onde ela vem? O que está fazendo aqui sozinha? 

A frase, o que está fazendo aqui sozinha se te agride ou te faz sentir pena de você, lhe digo: mude a forma de enxergar, se enxergar. A mulher sozinha está no comando, no pedestal que você mesma colocou, então para quebrar esse poder todo, sorria. Um sorriso de canto para manter o mistério. Observe e olhe para o nada, porque o objetivo é deixar fluir. E flui. Agora o papo aqui do lado é sobre ménage. Não escutaria um papo assim se não estivesse ouvindo. Já o casal do outro lado, encontro de aplicativo, fato! Agora o papo aqui do primeiro lado apimentou; a mulher tirou uma selfie e falou: fazer é nojento, mas vc faz pelo parceiro e pelo prazer que ele sente, mas que no caso dele, ele nem curtiu. Achou a mulher robótica. Expectativa sempre é uma merda até em uma ménage. Mas o mercado fechou e a moça do ménage não vai poder fazer brigadeiro de coco para filha. Super a entendi, porque também mudo de assunto como mudo de conversa no Whapp. 

Mas, voltando para o sair sozinha, o inusitado pode te surpreender. E o inusitado tem a visão que você da para ele: ele pode ser agnóstico, mais para o bem, ou mais para o terrível. Tudo vai depender da sua relação com o controle. 

Normalmente quem está no controle o que mais quer é descontrolar e quando perde o controle se descontrola. Vai entender.

Não devemos dar tanto peso às coisas que não tem peso. Sou mestre em não fazer isso. Sair sozinha é apenas sair. Somos adultas e sabemos nos cuidar. Então não tem o que se julgar, só desfrutar, pois o inesperado do descobrir é uma delícia. Então divirta-se, pois ninguém está vendo. Tim Tim! 

terça-feira, 9 de abril de 2024

Faz tempo que não escrevo aqui, faz tempo que escrevo só para mim e faz tempo que não me leio. Nas minhas releituras, encontrei textos surpreendentes e tão fortes, que nem eu sabia mais que podia transformar força em poesia - e que encontro tudo isso dentro de mim.  Onde nos desencontramos do que demoramos muito a encontrar? A gente vai se endurecendo, o mundo vai nos julgando e quando vemos, perdemos a melhor parte de nós; a doce, leve e a que se importa. 

Aconselho a todos, que nem sei mais se me leem, já que nem eu mais o fazia, a se lerem de vez em quando. Converse hoje com o seu eu do passado. O que mudou? Melhorou, se perdeu, ou está adormecido. Inteligentes são aqueles que sabem aproveitar o melhor de si, deixar ficar o que deve ficar e deixar ir o que não cabe mais. Às vezes a nossa pele fica pequena e como as lagostas, precisamos criar uma nova.

Nessas minhas releituras, encontrei um texto que escrevi em 2013, quando publiquei "A bailarina da loja de tapetes". E nesse texto entendi que não posso me afastar da escrita, de mim, mesmo escrevendo, porque materializar sensações é como sentí-las novamente. E maior beleza não há.


A história do sonho

Acordei, abri a gaveta. Tirei aquele sonho deixado de lado por anos. Peguei-o... ainda tinha formato de nuvem. Não tinha cheiro, forma, mas havia um sentido latente, vivo, apesar de quase empoeirado. Falou comigo, afinal, só dependia de mim, fazê-lo existir. Não foi num passe de mágica, aliás, nenhum passe de mágica aconteceu. Nessa receita de realizar sonhos, não teve mágica, mas magia. O que teve, foi muito trabalho... Tanto trabalho, só para parecer que não se trabalhou - a ponto de parecer, que tudo aconteceu como um passe de mágica. Mágica, ou mágico, realizar sonhos tem um sabor que só quem realiza, consegue entender o medo agradável de sentir. A campainha tocou. E o sonho chegou embrulhado. Não era uma cegonha, mas o motoboy, com você tão bem embrulhado, para não se machucar no caminho. Foi um caminho nem rápido, nem demorado; nem fácil, mas também, nem tão difícil. Foi um caminho do tamanho do tempo e esforço que precisava ter - para poder existir. O tempo exato para não se desistir. E assim, você chegou embrulhado com nome gravado. Nervosismo, emoção, medo, sentimentos não mais engasgados, rasgaram aquele pacote para poder sentir você em minhas mãos suadas. Podia tocar, tinha cheiro, forma, 268 páginas, era a minha cara... tinha vida, eco e todo sentido do mundo, descoberto, registrado... Depois de me sentir tão oca, a ponto de me acostumar a me sentir assim... agora era um enorme conjunto completo de mim. Segurei o meu sonho nas mãos. Me emocionei, me orgulhei, aliviei, respirei, respirei esse novo ar. Nunca havia tocado num sonho, foi como ver a neve. A nuvem se materializou, com nome e sobrenome de A bailarina da loja de tapetes, com preço de prateleira, mas de valor de uma vida inteira vivida, acompanhada da certeza de que nunca mais serei a mesma, pois agora eu sou eu - e vou me lançar.

Toda vez que sentir medo, não acreditar ou sei lá, vou reler esse texto da realizadora de sonhos, que sou eu! Agora vamos para um sonho maior ainda que terá o caminho do tamanho do tempo e esforço que precisa ter, guiado por uma fé transformadora. 


domingo, 11 de setembro de 2022

Dieta Emocional



Não estou me sentindo muito bem. Não é nada físico, mas algo dentro de mim – incomoda. Resolvi ir ao médico. Chegando lá, falei o que sentia. E mesmo falando, falando, ainda sim não conseguia definir exatamente o que era - para que o médico me passasse um medicamento que fizesse aquele incomodo desaparecer. 

Após meu blá blá blá infermo, o médico disse: “Você precisa de dieta”. E na mesma hora que disse isso, pensei: “Será que este incômodo são gases?”. Mas, para minha maior surpresa, o médico não me recomendou um Luftal, mas sim continuou: “Você está precisando de uma dieta emocional”. 

Dieta emocional? Fiquei mais de cinco minutos tentando entender o que ele queria dizer com aquilo, e o médico com muita paciência começou a me explicar a necessidade do tratamento – uma dieta de desintoxicação emocional.  

Precisava emagrecer meus sentimentos, esvaziar, tirar umas férias emocionais – descansar a alma – só assim conseguiria me tranquilizar e me limpar emocionalmente.  

Meus sentimentos estão inflamados, cheios de impurezas desnecessárias – e por isso, o incomodo – disse ele. 

O médico me fez entender que tem certas coisas que não se curam com medicamentos, se curam com exercício emocional. Gastamos tempo e energia nos preenchendo com rotinas, histórias, estresses e afins que só nos engordam de substâncias e sentimentos totalmente desnecessários. Temos que aprender a nos alimentar emocionalmente somente de sentimentos saudáveis.  

Ele me cortou tudo: redes sociais, ligações de madrugada, bebidas durante a semana, pessoas que não levam a nada, sexo casual, mensagens desnecessárias, conversas e exposições exageradas, encontros fadados ao fracasso, dar chance para quem não se tem interesse, desalinhos familiares, improdutividade profissional, vestidos apertados, projetos impossíveis, noites mal dormidas, jogar na Mega Sena, pratinhos rodando.  

Os primeiros dez dias, segundo ele, devem ser radicais. O importante desse corte é eliminar principalmente qualquer perda de tempo no que e em quem não me leva a nada e a lugar algum. Ao contrário dos exercícios físicos, o exercício principal nessa dieta é o da inércia. 

Explicou que tem horas na vida, que a melhor coisa é não fazer nada. Movimentos demasiados demais cansam demais, e a gente acaba nos desperdiçando, desperdiçando o melhor de nós em situações e com pessoas que não vão enxergar ou reconhecer - pelo menos agora. E todo esse movimento, só gera uma estafa emocional. 

Sempre achei o contrário. Quanto mais movimento, mais coisas aconteciam, mais rápido eram os resultados e mais se conquistava. Porém, só agora percebo quanta ansiedade ingeri e quanto tempo perco com histórias sem sentidos, em projetos fracassados, com pessoas que nunca se importaram ou vão se importar. Quanto tempo perco me alimentando de coisas emocionalmente ruins para minha alma. O quanto engordei com porcarias que jamais devia ter absorvido - e só agora percebo que quem esvazia a alma é livre.  

domingo, 24 de julho de 2022

Complicada e perfeitinha


 

A vida é como a música de Charlie Brown: complicada e perfeitinha. Complicada porque ela complica mesmo, e as pessoas complicam ainda mais e perfeitinha porque ela mesmo faz as coisas se encaixarem através de seus sinais. E a bichinha dá os sinais, um, dois ou mais. Algumas vezes de cara entendemos, outras nosso estado negacionista se faz cego e vira de costas. 

Gostamos de acreditar no que nos faz bem, e tudo bem. Mas, tem horas que precisamos entender a razão das coisas. Nada cruza nosso caminho sem propósito, sempre há um ensinamento e sempre, sempre será sobre nós, não sobre o outro. Nossa estada na terra é evolutiva e a evolução está em nossas vivências, aprendizados, e na vontade íntima de evolução. 

E porque insistimos em negar o que não nos faz bem, ou o que não é para nós?

Existem tantos porquês para essa pergunta, porém o mais tangível seja: porque temos algum ganho em ficar. Pode ser medo, hábito, baixa autoestima, ou qualquer coisa que emocionalmente nos conforta, nem que seja só par podermos reclamar. Qualquer mudança pede ação, e nem sempre estamos dispostos a ser ativos, ou temos a coragem de sermos maiores que as circunstâncias. 

Queremos tantas coisas, mas entre querer e ser existe esse espaço da ação que depende somente de nós. Queremos emagrecer, realizar um projeto, terminar uma relação, mudar de emprego, pedir perdão. Mas, insistimos nos acomodar nesse hiato que nos separa da reclamação para a realização. Nada é fácil, mas nem tudo é difícil. Se o ganho compensa, não fica tão difícil. 

A vida não é fácil porque ela exige de nós, dado que exigimos muito dela, de nós mesmos e do outro. Complicada e perfeitinha, cabe a você escolher com qual versão quer ficar. 

A síndrome do justiceiro



Às vezes a gente é tomado ou faz parte de nós a síndrome do Justiceiro. Aquele que tem necessidade de pontuar, defender, consertar o que nós os justiceiros entendemos que está errado. 

Só que nossos entendimentos sempre serão relativos. Muitas vezes podem ser de senso comum, um princípio ético, uma crença ou até estarem escritos em lei. Mas ainda sim, nosso senso de justiça será nosso e nem sempre uma verdade para todos. 

Mas para o justiceiro, aquela verdade é tão absolta que ele se sente no direito e dever de fazer alguma coisa para resolver o que ele julga errado. 

O que o justiceiro esquece é que muitas vezes está errado para ele, nos conceitos, valores e entendimentos dele. Que para o outro ou outras pessoas aquilo que tá sendo colocado pode ser super ok. Aí o justiceiro passa a “injustiçar” e o problema que nem era dele, o coloca em um lugar de que ele criou um problema. 

Confuso isso? Sim. Tomar partido de algo é polêmico e arriscado. Ao mesmo tempo, corajoso e fala muito sobre você e seus princípios.

Normalmente o justiceiro é um ser racional, mas movido pelo o emocional. Onde o seu emocional age com base no que o seu racional entende que é certo e errado. O racional do justiceiro não vai lá conversar com o emocional sobre a necessidade de resolver o que nem sempre precisa ser resolvido. O racional do justiceiro é vaidoso. 

Um quadro torto pode ser só um quadro torto - mas não para um justiceiro. 

O entendimento que chego é que em terra de Marlboro, justiça não há. E o inteligente é aquele que inteligentemente não toma partido e faz com que os partidários se resolvam. 

Reparos


Por muito tempo senti um vazio dentro de mim, uma solidão e um pesar por não ter a vida do jeito que planejei. Era uma busca, um peso, um tentar se encaixar tão pesado, que parecia até que o amor não existia. E de certa forma ele não exista, ou melhor, não era percebido. A frustração nos cega de uma forma que corrói até a esperança, tira o ar. No autoconhecimento, entendi que não está no externo o preenchimento do vazio interno. O preenchimento está no reparo. Reparo no sentido de reparar. No meu caso; me enxergar e me ajustar. Dei tanto espaço para a dor que deixei no canto todas as conquistas, evolução e a abundância de vida, de amor que sempre tive, por mim, dos outros. Nesse reparo, não só me reconheci, mas passei a amar tudo o que vi, vivi, senti, tenho. Amei com tanta lucidez a ponto de conseguir tocar nesse vazio tão meu com compaixão, e enfim pude preenchê-lo com a melhor parte de mim. E assim, completa, virei felicidade!

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Sobre as pessoas certas




A vida é uma troca, uma soma quando feita com as pessoas certas. Tudo se expande e é melhor quando encontramos as pessoas certas. No trabalho, na prestação de serviço, nas relações, nas viagens. Qualquer programa com as pessoas certas se torna único e especial. Você pode programar a viagem dos sonhos, mas com gente com outra energia ou interesses bem diferentes dos seus, vai ser só stress. 

Recentemente fiz uma viagem de férias, maravilhosa. Mas, o que a tornou tão especial e inesquecível, foram as pessoas certas. Amigas, que tornaram os dias não só divertidos, mas cumplices. Éramos um time, mas um time muito natural, fluido, porque nossas essências e formatos são parecidos, comuns. Não era a minha viagem, mas, a nossa. Quando sabemos ser mais de um, sabemos nos multiplicar. Quando abrimos espaço para o outro, encontramos um espaço novo, somado; onde somos capazes de ver aprender coisas que nosso olhar solo não conseguiria. A minha felicidade deixa de ser só minha, passa a ser nossa e a do outro passa a ser minha também. 

Tudo é sobre encontrar, estar com as pessoas certas. A vida nos dá muitos sinais das pessoas não certas, mas muitas vezes preferimos acreditar que podemos transformar o não encaixe no encaixe por pura teimosia. Não encontramos o acolhimento nas diferenças. Em uma vaga de emprego, por exemplo, quando colocamos um excelente profissional, mas fora do perfil da vaga, ele não vai performar, e automaticamente entendemos que aquele profissional não é um bom profissional. Mas, ele só não é a pessoa certa para aquela função, mas é a pessoa certa para outra e assim podemos seguir em múltiplos exemplos; como nas relações pessoais e tudo que envolve pessoas. 

Tem a pessoa certa para pedir opinião, a para a mesa do bar, para uma noite apenas, para viagens incríveis e para uma vida inteira. As pessoas podem ser passagem também. Elas passam, transformam, somam, e se vão. Às vezes a pessoa errada é a certa para aquele momento. Ela te prepara para as pessoas, ou escolhas certas. 

Certo e errado sempre serão relativos, mas o perfeito encaixe nos leva a uma felicidade que só a sintonia pode entender. 

Qual o contexto?




Hoje fala-se muito de feminismo, diversidade e pronomes neutros. Porém, quero falar sobre um espaço pouco falado; que é o respeito às diferenças de culturas, histórias, contextos.

Quando falamos de homens e mulheres, entendo que os direitos devem ser iguais e não as diferenças. Pois, somos diferentemente diferentes e maravilhosamente complementares.

Estamos ignorando essa complementariedade e duelando por igualdades diferentes para sermos iguais e desperdiçamos toda a complementariedade positiva que homens, mulheres, trans, crianças, pais, podem construir. As pessoas estão brigando para enfiar um triângulo num quadrado, sem qualquer necessidade geométrica.

Minha reflexão é sobre o respeito aos contextos diferentes de cada um. Só podemos pedir respeito quando respeitamos as diferenças, tanto para lá quanto para cá. Afinal, pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Não diminuo, ao contrário, trago para cá a reflexão da dificuldade de homens e mulheres principalmente de gerações diferentes em lidar com a realidade moderna de ser homem, mulher ou qualquer gênero, ou formando escolhido. Estamos enfiando goela abaixo uma realidade não real para muitas gerações. Nos deparamos com criação x atualidade. Temos referências e crenças idealizadas advindas de nossos pais, criação e histórias que não estão adaptadas a um novo contexto atual, que às vezes requer tempo de aprendizado ou aceitação. E nessa diferença de realidades e conceitos, nos perdemos sem entender direito do que é certo ou errado, mesmo sabendo que certo e errado é bem relativo. 

Não é sobre minoria e maioria, é sobre conviver bem com as diferenças. A mudança está no entendimento e respeito nessas diferenças. Precisamos fazer diferente para lidar bem com as diferenças. Porém o diferente, sempre será diferente, desconfortável e tudo bem.


domingo, 28 de novembro de 2021

@inspirandomulherempreendedora


Entre os dias 18 e 26 de novembro de 2021, participei do Programa Inspirando Mulheres Empreendedoras – em uma viagem de experiência à Portugal, e nem sei se vou conseguir traduzir em palavras o que foram esses dias intensos com 20 mulheres de países de expressão portuguesa. 

Por mais que eu goste de organizar as letrinhas em palavras fortes e bonitas, essa viagem tem menos legendas e muito mais sentir, aprendizado e inspiração. 

Explicando um pouco sobre esse Programa que tem como idealizadora a Luciana Mitri, com o propósito de inspirar mulheres com histórias e experiências de outras mulheres empreendedoras -   e, assim construir um grande ecossistema vivo de inspiração, transformação, troca, acolhimento, amor e sonhos realizados. O Programa promove simpósios pontuais durante o ano pelo Brasil, e um anual para mulheres de países com expressão portuguesa em uma viagem de experiência. Este ano foi em Portugal, e contou com a curadoria impecável de Monica Seabra Mendes e Saudade Leitão. Uma experiência luxuosíssima, cheia de aprendizados em um roteiro que passeia por empreendimentos de sucesso do país escolhido, para que as participantes vivenciem como os negócios nasceram e se tornaram relevantes no mercado local / global. 

Quando me inscrevi, achei que seria o investimento em uma viagem, networking e divulgação do meu novo romance; Dias de Clarice.  Mas, não foi nada disso, apesar de ser também isso. Foi muito além do que eu esperava, foi um presente para a alma, uma descoberta sobre mim mesma e sobre o outro.  Foi sobre doar e receber, descobrir e ser descoberta, sonhar e realizar, se inspirar e inspirar, amor e sublimação de dor. Foi mágico, único, especial, luxuoso, alegria, amor, acolhimento, amizade, sorrisos, lágrimas, risadas, risadas, aprendizados, anotações, fotos, registros, histórias, histórias e mais histórias. 

No início até pensei: “Só mulher? Isso não vai dar certo”. E não deu mesmo, mas só na hora do ônibus sair pela manhã para conhecermos a história de alguma empreendedora – sempre atrasávamos ajustando o look uma da outra, ou tirando fotos nos glamorosos hotéis. Nos encontros, e foram muitos, todos em linha com o roteiro dos lugares, cidades que visitamos, encontramos uma história de sucesso, dores e superações necessárias para estarem ali nos recebendo.  Se engana quem pensa que o sucesso é sorte, ou que é fácil. Quem pensa assim, deve ficar mais no sofá julgando a história do outro do que realizando algum sonho.

E essa experiência é sobre isso: entender que por trás de cada julgamento nosso, existe uma história inspiradora de luta e realização: só os grandes são grandes. Somos do tamanho que decidimos ser, e que sim precisamos de inspiração para sermos ainda maiores, e se tivermos troca e acolhimento, o caminho se torna mais leve, só mais leve, porque fácil nunca será.

Inspirando Mulheres Empreendedoras, é um espaço onde entendi a importância de fazer de parte de um espaço só para mulheres, mesmo nunca tendo tido necessidade de ter um espaço para que minha voz de mulher independente e livre tivesse seu espaço. Mas, ter um espaço é diferente. Não me senti mais sozinha, principalmente no âmbito do sonhar. Percebi, que esse grupo me potencializou para algo maior que eu desconhecia. Muitas vezes os sonhos empreendedores (sem gênero) - são solitários e essa solidão, nos dá medo, e o medo, nos limita, muitas vezes em sermos cem vezes maiores do que podemos ser. Felizes são aqueles que aprendem com a experiência do outro e se multiplica.

É importante entender que histórias são bem diferentes de stories - aqueles que passam em nossos feeds de 15 segundos. 

Quem acompanhou nossa viagem pelos stories, viu: luxo, mulheres lindas, poderosas e de sucesso. Mas, só quem conhece a história do Inspirando e dessas mulheres, sabe: que o Inspirando quase acabou e que essa viagem não ia acontecer, que os próximos simpósios ainda precisam de patrocínio para que se realizem, que as palestrantes participam sem qualquer patrocínio e vão pela vontade em se doarem e inspirarem outras mulheres. Que essas mulheres dos simpósios e dessa viagem, muitas foram abusadas, tiveram grandes perdas, depressões, crises de pânico por conta de tanta pressão e cobranças dos maridos, família, sociedade, mas principalmente delas mesmas. Só quem entende ou são essas histórias, sabe da força interna necessária para seguir em frente e não desistir.  

O luxo dessa viagem é justamente para que entendamos que somos uma marca luxo, que não merecemos menos do que o melhor, o mais bem feito, executado, belo, único, porque somos únicas, especiais e merecemos ser cuidadas. Não lembro da última vez que minha maior preocupação era em escolher se o vinho seria tinto ou branco. E foi exatamente assim.

Só quem foi nessa viagem entende, só quem faz parte do Inspirando Mulheres Empreendedoras sabe a importância da troca desse ecossistema.

Quero através desse texto inspirar você (sem gênero) a se inspirar, a ser maior, a sonhar. Julgar menos, sentir mais, se doar e a ficar feliz com o sucesso do outro – tem espaço para todos. Encontrei tudo isso genuinamente nessa viagem, nessas mulheres maravilosassss, como sempre diz Rosana Bernardes, outra grande mulher. O verdadeiro luxo está na troca que temos com as pessoas, no que o outro deixa em nós e nós no outro.

Nossa mascote, Magdinha,  de 20 anos, definiu bem essa experiência: Maktub – “estava escrito”, não tem volta.


domingo, 31 de outubro de 2021

Como você quer ser lembrado?

 


Falam muito sobre propósito, mas percebo que nem sempre sabem explicar ou como chegar nele. Não existe uma fórmula para chegar no propósito, e só nós podemos responder a essa pergunta. Porém, um bom caminho é pensar como você quer ser lembrado e avaliar se suas atitudes e ações estão coerentes com sua resposta. Achei essa pergunta a melhor forma de descobrir o meu propósito, ou melhor dizendo, a melhor forma de confirmá-lo.

O meu propósito é fazer diferença na vida das pessoas, no mundo e no meu trabalho. Deixar em pouco de mim no outro, na vida.

É comum confundir propósito com meta. Comprar uma casa, montar um negocio, casar, ter um filho, não é propósito, é meta, realização de um sonho. Mas se você compra uma casa para construir um lar com uma família de princípios, isso é um propósito.

Como você quer ser lembrado? O homem que comprou uma casa? Sabemos que não se trata disso.

Mas como achar o seu propósito, isso não acontece naturalmente com a maturidade?

Sim e não. Quanto mais cedo entendermos que nosso mundo interno, reflete no externo e que ter um propósito ou um por fase acelera o processo de recebermos do mundo o que queremos receber. Ajuda, e muito. O mundo não dá nada de graça, não seria justo e nem daríamos valor sermos seres que só recebem. É preciso co-criar, fazer parte dessa construção e passar adiante. Se doar.

No caso dos mais jovens, os entendimentos mais profundos não acontecem ainda, é preciso vivência e maturidade. Mas só deles entenderem que o propósito pode ser: não fazer merda no play, estudar, ser um bom filho, ser consciente com o lixo, respeitar ao próximo, já é um super propósito. Pena que muitos tem como propósito se exibir na internet sem qualquer fim, ou só para colecionar seguidores, por colecionar, ou ser aceito. Os propósitos existem para criar sentido à nossa existência na terra, e fazer alguma diferença, positiva, por assim dizer. 

Quero ser lembrada como uma pessoa que torna às pessoas melhores quando está presente – frase que ouvi de um grande executivo ao receber um prêmio. Como autora que escreveu coisas que impactaram na vida de alguém. Como uma boa filha, amiga, companheira, quem sabe mãe. Aquela que empreendeu sonhos, corajosa, autêntica, amável, que amou muito, muito. Mas principalmente, que deixou genuinamente muito de si nos outros – acredito muito no outro.

Não sei como seria o seu texto, nem sei qual o seu propósito, mas faço essa provocação de propósito: como você quer ser lembrado?

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 Percebi que aconteceu um encontro quando você me perguntou sobre algo que sou apaixonada e que as vezes me esqueço de lembrar. Nessa sensação de reviver, ao falar apaixonadamente, senti no seu olhar e energia, seu encantamento por minha paixão e naquele minuto presente, a vida pulsou. Era viver, era sentir, era saber que tudo que sou você já admirava, queria, desejava estar, quem sabe ficar. Naquele minuto presente entendi que de nós pode existir muito. Muito de você, de mim, em mim, em você; os encontros são assim - únicos. Sua mão pousou na minha coxa, estava úmida, senti seu calor. Me arrepiei. O nervosismo dos encontros não tem faixa etária ou hora marcada. Seu olhar pairou no meu e ambos em silêncio não nos beijamos. Você não parava de olhar para as minhas sardas e eu quase pedi para você contar quantas tinham só para ficar mais tempo congelada ali nas nuvens. O silêncio se encerrou e deu espaço ao recuo dos corpos e das poltronas quando a aeromoça anunciou o desembarque de nossa fileira. Você me ajudou com a mala, sorriu com os olhos e falamos: obrigado. Sabíamos que tínhamos tido um encontro ali e que tinha gente dentro. E puxando minha mala azul, segui meu destino e você o seu. 


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Sobre o desconstruir




Hoje se fala muito sobre desconstrução. Já me peguei diversas vezes fazendo esse exercício. Porém, passamos uma vida toda nos construindo e do nada temos que desconstruir? 

Anos e anos de construção aprendendo a amar o construído para desconstruir? 

Entendi que não é desconstruir, desconstruir é anular o que foi construído, é desaprender. Ninguém desaprende. Não temos que fazer nada disso, temos que nos ampliar e aprender a ver e sentir por uma perspectiva diferente. Diferente do nosso padrão, de nossas crenças, e sentimentos que estamos acostumados a sentir. 

Ninguém desaprende a tomar Coca Cola. Voce aprende que engorda, aí muda para a Coca Zero, aí você entende que não faz bem para a saúde e nesse entendimento de vida saudável, você aprende ou não, que ela não faz bem e passa enxergar de uma outra forma e seu cérebro entende que não precisa mais de Coca Zero e que água com limão exprimido, é muito melhor. Eu ainda não sei se consigo chegar nesse nível de evolução e enxergar por essa perspectiva diferente a ponto de não mais ver valor e sentir prazer ao tomar minha coquinha. Só nos mantemos em certas situações e condições quando temos ganhos. Ou mais ganhos do que perdas. E não cabe dizer: Ana, você precisa desconstruir a Coca Zero. 

Desconstruir dá a entender que construímos algo errado, tem um julgamento. Olhar por uma perspectiva diferente é ser capaz de enxergar e entender algo que antes por desconhecimento, falta de necessidade, cultura nos impedia de enxergar e sentir – esse diferente.

Não é errado gostar de Coca Zero, você pode dizer que não é bom para a saúde - que nada que desentope pia, pode fazer bem para o corpo. Como a Coca, existem muitos outros exemplos que podia ilustrar aqui: culturais, regionais ou que simplesmente fazem parte do contexto de quem está sendo julgado. Como gostamos de julgar e dizer como o outro deve viver, ou rotulá-lo disso ou daquilo, sem nos darmos qualquer trabalho em compreendê-lo e a sua história.

Eu que passei a vida querendo entender a razão das coisas, metodologias de sucesso, bem como o entendimento das emoções e melhor forma de me comunicar, tenho que ampliar minha perspectiva de viver mais no sentir do que no pensar e definir. 

Passei os últimos anos organizando as coisas em caixinhas e etiquetando, e justamente por isso, agora conhecendo elas bem, posso selecionar quais jogar fora, mudar a disposição, juntar duas em uma e abrir novas. O autoconhecimento nos expande. E esse conhecimento, nos ajuda a fazer escolhas mais inteligentes para nós mesmos. 

As vezes só precisamos entender que o que nos trouxe até aqui, não nos levará até lá e tá tudo certo, porque a vida sempre será um processo.

Não é sobre desconstrução, mas sim construção. Não é desconstruir um plano. É administrar a frustração de que nem sempre a vida sai como planejamos, mas que ainda sim, existem múltiplas possibilidades. Olhar por uma outra perspectiva é desapegar de tudo aquilo que não aconteceu, não temos, ou ainda não somos - e enxergarmos todas as possibilidades que ainda não vemos ou queremos aceitar que existem. Nós somos os maiores ditadores de como nossa vida e nós deveríamos ser e ao mesmo tempo os maiores sabotadores. Nunca é tarde para mudar, recomeçar, aprender, entender, aceitar e amar. Essa é a sua história e é perfeita para você. Aceitar isso, é libertador.