domingo, 31 de outubro de 2021

Como você quer ser lembrado?

 


Falam muito sobre propósito, mas percebo que nem sempre sabem explicar ou como chegar nele. Não existe uma fórmula para chegar no propósito, e só nós podemos responder a essa pergunta. Porém, um bom caminho é pensar como você quer ser lembrado e avaliar se suas atitudes e ações estão coerentes com sua resposta. Achei essa pergunta a melhor forma de descobrir o meu propósito, ou melhor dizendo, a melhor forma de confirmá-lo.

O meu propósito é fazer diferença na vida das pessoas, no mundo e no meu trabalho. Deixar em pouco de mim no outro, na vida.

É comum confundir propósito com meta. Comprar uma casa, montar um negocio, casar, ter um filho, não é propósito, é meta, realização de um sonho. Mas se você compra uma casa para construir um lar com uma família de princípios, isso é um propósito.

Como você quer ser lembrado? O homem que comprou uma casa? Sabemos que não se trata disso.

Mas como achar o seu propósito, isso não acontece naturalmente com a maturidade?

Sim e não. Quanto mais cedo entendermos que nosso mundo interno, reflete no externo e que ter um propósito ou um por fase acelera o processo de recebermos do mundo o que queremos receber. Ajuda, e muito. O mundo não dá nada de graça, não seria justo e nem daríamos valor sermos seres que só recebem. É preciso co-criar, fazer parte dessa construção e passar adiante. Se doar.

No caso dos mais jovens, os entendimentos mais profundos não acontecem ainda, é preciso vivência e maturidade. Mas só deles entenderem que o propósito pode ser: não fazer merda no play, estudar, ser um bom filho, ser consciente com o lixo, respeitar ao próximo, já é um super propósito. Pena que muitos tem como propósito se exibir na internet sem qualquer fim, ou só para colecionar seguidores, por colecionar, ou ser aceito. Os propósitos existem para criar sentido à nossa existência na terra, e fazer alguma diferença, positiva, por assim dizer. 

Quero ser lembrada como uma pessoa que torna às pessoas melhores quando está presente – frase que ouvi de um grande executivo ao receber um prêmio. Como autora que escreveu coisas que impactaram na vida de alguém. Como uma boa filha, amiga, companheira, quem sabe mãe. Aquela que empreendeu sonhos, corajosa, autêntica, amável, que amou muito, muito. Mas principalmente, que deixou genuinamente muito de si nos outros – acredito muito no outro.

Não sei como seria o seu texto, nem sei qual o seu propósito, mas faço essa provocação de propósito: como você quer ser lembrado?

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

 Percebi que aconteceu um encontro quando você me perguntou sobre algo que sou apaixonada e que as vezes me esqueço de lembrar. Nessa sensação de reviver, ao falar apaixonadamente, senti no seu olhar e energia, seu encantamento por minha paixão e naquele minuto presente, a vida pulsou. Era viver, era sentir, era saber que tudo que sou você já admirava, queria, desejava estar, quem sabe ficar. Naquele minuto presente entendi que de nós pode existir muito. Muito de você, de mim, em mim, em você; os encontros são assim - únicos. Sua mão pousou na minha coxa, estava úmida, senti seu calor. Me arrepiei. O nervosismo dos encontros não tem faixa etária ou hora marcada. Seu olhar pairou no meu e ambos em silêncio não nos beijamos. Você não parava de olhar para as minhas sardas e eu quase pedi para você contar quantas tinham só para ficar mais tempo congelada ali nas nuvens. O silêncio se encerrou e deu espaço ao recuo dos corpos e das poltronas quando a aeromoça anunciou o desembarque de nossa fileira. Você me ajudou com a mala, sorriu com os olhos e falamos: obrigado. Sabíamos que tínhamos tido um encontro ali e que tinha gente dentro. E puxando minha mala azul, segui meu destino e você o seu. 


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Sobre o desconstruir




Hoje se fala muito sobre desconstrução. Já me peguei diversas vezes fazendo esse exercício. Porém, passamos uma vida toda nos construindo e do nada temos que desconstruir? 

Anos e anos de construção aprendendo a amar o construído para desconstruir? 

Entendi que não é desconstruir, desconstruir é anular o que foi construído, é desaprender. Ninguém desaprende. Não temos que fazer nada disso, temos que nos ampliar e aprender a ver e sentir por uma perspectiva diferente. Diferente do nosso padrão, de nossas crenças, e sentimentos que estamos acostumados a sentir. 

Ninguém desaprende a tomar Coca Cola. Voce aprende que engorda, aí muda para a Coca Zero, aí você entende que não faz bem para a saúde e nesse entendimento de vida saudável, você aprende ou não, que ela não faz bem e passa enxergar de uma outra forma e seu cérebro entende que não precisa mais de Coca Zero e que água com limão exprimido, é muito melhor. Eu ainda não sei se consigo chegar nesse nível de evolução e enxergar por essa perspectiva diferente a ponto de não mais ver valor e sentir prazer ao tomar minha coquinha. Só nos mantemos em certas situações e condições quando temos ganhos. Ou mais ganhos do que perdas. E não cabe dizer: Ana, você precisa desconstruir a Coca Zero. 

Desconstruir dá a entender que construímos algo errado, tem um julgamento. Olhar por uma perspectiva diferente é ser capaz de enxergar e entender algo que antes por desconhecimento, falta de necessidade, cultura nos impedia de enxergar e sentir – esse diferente.

Não é errado gostar de Coca Zero, você pode dizer que não é bom para a saúde - que nada que desentope pia, pode fazer bem para o corpo. Como a Coca, existem muitos outros exemplos que podia ilustrar aqui: culturais, regionais ou que simplesmente fazem parte do contexto de quem está sendo julgado. Como gostamos de julgar e dizer como o outro deve viver, ou rotulá-lo disso ou daquilo, sem nos darmos qualquer trabalho em compreendê-lo e a sua história.

Eu que passei a vida querendo entender a razão das coisas, metodologias de sucesso, bem como o entendimento das emoções e melhor forma de me comunicar, tenho que ampliar minha perspectiva de viver mais no sentir do que no pensar e definir. 

Passei os últimos anos organizando as coisas em caixinhas e etiquetando, e justamente por isso, agora conhecendo elas bem, posso selecionar quais jogar fora, mudar a disposição, juntar duas em uma e abrir novas. O autoconhecimento nos expande. E esse conhecimento, nos ajuda a fazer escolhas mais inteligentes para nós mesmos. 

As vezes só precisamos entender que o que nos trouxe até aqui, não nos levará até lá e tá tudo certo, porque a vida sempre será um processo.

Não é sobre desconstrução, mas sim construção. Não é desconstruir um plano. É administrar a frustração de que nem sempre a vida sai como planejamos, mas que ainda sim, existem múltiplas possibilidades. Olhar por uma outra perspectiva é desapegar de tudo aquilo que não aconteceu, não temos, ou ainda não somos - e enxergarmos todas as possibilidades que ainda não vemos ou queremos aceitar que existem. Nós somos os maiores ditadores de como nossa vida e nós deveríamos ser e ao mesmo tempo os maiores sabotadores. Nunca é tarde para mudar, recomeçar, aprender, entender, aceitar e amar. Essa é a sua história e é perfeita para você. Aceitar isso, é libertador.


sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Sextou


Você costuma levar trabalho para casa? Era bem comum nos perguntarem isso há nem tanto tempo atrás. Hoje, casa e trabalho para muitos não são mais ambientes separados.

Nesse aprendizado de convivência e de produção em pandemia, a vida e o trabalho passaram a morar juntos, a ocuparem o mesmo espaço, apenas com horários diferentes – para todos aqueles que puderam literalmente levar seus trabalhos para casa. 

Em um primeiro momento não foi nada fácil e funcional. O trabalho era espaçoso, tomou conta de todos os horários e ambientes. Um caos só. Tiveram casas que eram consultórios, escolas, escritórios, academias e mais tudo que podia ou precisava caber ali dentro. O físico deu espaço ao digital, e uma nova vida precisou ser criada, pois todos os protocolos que separavam a vida do trabalho foram quebrados. 

Crianças e cachorros passaram a participar de reuniões, pijama passou a fazer parte do dress code, e até idas ao banheiro desatentas e brigas de casais foram palcos dessa nova realidade do mundo do trabalho. Seu chefe não passa mais para olhar se você está em sua mesa, e nem sei mais se ainda existe folha de ponto. Mesmo com toda essa “liberdade” e “informalidade” a pandemia mostrou um aumento absurdo de produtividade, redução de custos e agora, devido “ao fim” da quarentena - um aumento considerável de qualidade de vida.

Quantas descobertas e aprendizados, estamos passando! No início me senti invadida, sem ser dona da minha agenda e vida, hoje vivo o contrário, encaixo meu trabalho na minha vida. Na verdade, trabalho e vida viraram uma coisa só, apenas com deveres diferentes. Podemos acordar quase na hora de uma reunião, terminar outra mais cedo para levar os filhos na escola, fazer um call passeando com o cachorro, ou fazendo o almoço. Fazer academia, unha ou massagem entre uma reunião e outra, e até arrumar um amor em outro país e ir morar lá sem qualquer problema logístico ou impacto nos resultados. 

Liquidaram os protocolos e nos deixaram nas essências. Na essência de nossas funções e carreiras, na essência de nossa realidade, das pessoas que moramos e convivemos, mas principalmente na nossa essência. Na nossa essência... 

Esse novo modelo de vida e trabalho, nos deu a liberdade de tempo e escolhas. Antes, era fácil dizer que éramos vítimas de nossa profissão, rotina, trânsito... fatores e condições que não podíamos mudar; hoje podemos montar múltiplos formatos e ainda sermos mais produtivos. Porém, o que quero dizer é que esse novo modelo de vida e trabalho nos deu um grau de consciência e responsabilidade que não sei se todos estavam preparados para ter e enxergar.

Por exemplo, todo o inesperado e glamour da minha profissão - de viagens internacionais, almoços, eventos, treinamentos com diversas pessoas e lugares, looks incríveis todos os dias, encontros com executivos nos corredores, trocas de ideias e papos riquíssimos sem agendamentos que aconteciam naturalmente, deu espaço só e unicamente para as atividades que exerço para atingimento das metas que sempre existiram. 

Natural dizer e pensar que a pandemia me tirou a parte boa, e só deixou a ruim da minha profissão.

Construímos a ideia, verbalizamos e reforçamos que trabalhar é penoso, uma obrigação, que de segunda a sexta não temos vida e que queremos ganhar na loteria para ser feliz. Aguardamos ansiosamente para dizer: “sextou” em todas as redes sociais. 

Estava ouvindo uma palestra semana passada que falava sobre isso: passamos a semana toda esperando “sextar” – como se vida só acontecesse entre às 18h de sexta até domingo ao dormir, triste inclusive, por saber que o dia seguinte é segunda e começa tudo novamente.

A nossa vida acontece todos os dias e temos que ser felizes no durante. O famoso se divertir no processo. Tudo é um processo, que te leva a algum lugar – bom ou ruim. Não rasgue nenhum dia da sua semana ou da sua vida! Se o inesperado e o glamour da minha profissão são o que me fazem gostar dela, está errado. Apenas estou mascarando com maquiagem algo que não me dá prazer, não tem significado para mim. Assim como nossa casa, nossa vida, quem somos. Tava tudo muito cheio de maquiagem, no automático antes da pandemia chegar e chacoalhar tudo, não é verdade?

Aceite esse demaquilante, olhe para sua agenda como uma linha contínua de vida para ser vivida, construída, trabalhada, você como protagonista e tomador de decisões. O que não está legal, mude, existem milhões de opções que antes não eram possíveis. Bagunce tudo, experimente, torne as atividades corriqueiras divertidas, mude o cenário, construa espaços para o ócio criativo, comemore e fique feliz com cada conquista, ideia.

Ficou mais difícil mesmo se reinventar dentro de casa, dá preguiça. Mas, o que nos trouxe até aqui não nos levará adiante se continuarmos esperando o “sextar”, até porque nem do sofá eu saio, e abrir uma cerveja, posso fazer isso em qualquer horário que eu quiser. Transforme a sua rotina em um verbo diário: Viver. 

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Ganhei dez anos...

Os quarenta agora são os novos trinta. Demorei dois anos para entender essa expressão, mas finalmente entendi - e agora posso explicar esse alargamento da idade, não só pela perspectiva estética botoxmente paralisada, mas cronologicamente modificada.

Não sei se foi o mundo que mudou nosso comportamento, ou se foi o nosso comportamento que mudou o mundo. Essa frase vai lá para a caixinha onde estão o ovo e a galinha, juntamente com o biscoito Tostines.

Se analisarmos as gerações passadas: pais, avós, bisavós, percebemos claramente isso. Os ciclos eram marcados conforme as faixas etárias. Para os da geração Cringe, como eu: nossas bisavós se casavam de quatorze a dezoito anos, nossas avós até vinte anos, nossas mães se casassem depois dos vinte quatro já estavam velhas – e ter filho depois dos trinta anos então, era considerado gravidez tardia.

O que mudou de lá para cá? 

Com a revolução tecnológica e novos hábitos, o tempo ficou atemporal e muitas vezes invertido. Hoje o mocinho fica com a mocinha no início, não mais no final. Conhecer para querer e não mais querer conhecer. Uma drástica sutil diferença, que pode levar à indiferença. Quero, logo gosto. Gosto, mas não necessariamente, quero. 

Porém, as referências e modelo mental de nós Cringes – ou qualquer outro termo que queiram falar dos anos oitenta, (tô nem aí), ainda são os nossos pais; ao contrário dos Millenials and beyond, que ainda moram com os pais e só pensam em casar e ter filhos depois de montarem empresas e fazerem seu primeiro milhão antes dos trinta anos. 

O mundo mudou, as carreiras e os relacionamentos mudaram, e hoje podemos viver um monte de histórias felizes e tristes numa vida só, sem muita ordem.

Então, racionalmente entendo que ganhei dez anos nessa transição matemática da mudança de comportamento, mas emocionalmente ainda me prendo no comportamento da geração passada. E nesse entendimento do racional com o emocional é que mora a libertação das cobranças internas e externas.

Hum....

Ao contrário do que pensam sobre os quarentões que atingiram essa idade sem se casarem ou terem filhos (ainda) – de que estão encalhados, ficaram para titios, possuem algum problema, carma, má sorte, traumas, ou que o cupido morreu de Covid. Talvez, apenas talvez, vale a reflexão de que eles usaram esse tempo para se construir vivendo uma vida escolhida. O amor foi, é e sempre será atemporal. Casar e ter filhos, naquela faixa de tempo, não é sinônimo de necessidade ou felicidade, mas ser independente, praticar o amor e se orgulhar de si próprio, sim.

Hoje, a metade da laranja virou uma laranja inteira que pode ter uma saudável combinação de sabores com outras frutas e temperos, ou ser simplesmente feliz sendo laranja.

Que bom que me construí e ganhei de brinde dez anos para viver todas as possibilidades da melhor versão da minha própria história – que venham os novos quarenta! 


domingo, 6 de junho de 2021

Chega de dor

 


Estamos em um momento longo de dor, de dores. Costumo dizer que para a dor passar, precisamos passar por ela, e que só se cresce no caminho da dor. Evitamos a dor, porque ela é dolorosa, mas senti-la em sua essência, além de libertador, também é acolhedor. 

Porém, chega de dor! Chega de revisitar passados, perdas, os “E, se?” e todas as fraquezas que não nos permitimos e sofremos. Chega de viver em loopings mentais com as dores rodopiando em nossas mentes e corações como se fossem bolinhas no sinal. Gatilhos sempre existirão para sacar aquela dor da caixinha e colocá-la sobre a mesa. Temos que dar um basta em passados já vividos, sofridos, digeridos e que teimamos em não superar simplesmente porque em nosso entendimento não veio o depois, aí ele fica lá quicando no corredor de nossas vidas, indo e voltando só porque damos espaço.

Se conseguimos sentir saudades do que não vivemos, imagina do que já vivemos e foi bom? Transformamos a saudade em dor e a dor em um disco arranhado, arranhando nosso emocional toda vez que tocam.

Chega de dor! Precisamos sublimar isso. A dor ela é provocada por estímulos de nossas provocações nervosas que geram a dor física e/ou emocional. A dor sempre vem de uma provocação. E tendo a acreditar que muitas vezes nós mesmos provocamos essas provocações e nos ferimos.

Auto cuidado é importante nesse processo. Não podemos nos isentar e responsabilizar o outro por nossas dores, o mundo, e principalmente a Deus - o colocando no papel vilão de nossa própria história.

Quantas vezes não ficamos presos às histórias antigas, vividas, por serem a última referência? A vida segue, mas sempre revisitamos essas histórias e junto com essa visita, sentimos novamente amores, dores, abandonos, afetos e desafetos. Sentimentos bons e ruins que sempre farão parte do vivido e de nós.

Mas, chega de dor! A cura está no presente. Não se vire para a vida, vire a página... uma, duas, ou quantas vezes precisar para deixar no passado o passado e somente trazer para o presente sua melhor versão. Somos a soma de nossas experiências e dores, mas não podemos nos afogar nessas experiências e dores. Mais uma vez, não se vire para a vida, vire a página e chega de dor. E se precisar de algo, estou aqui. 



O amor tem passado por mim,

Sempre o convido para entrar, mas ele prefere só passar. Mal sabe ele que o dia que entrar será um caso de amor.

Ele flerta comigo o tempo todo, mas prefere só passar por mim.

Te procuro, te desejo, fantasio o tempo todo que você me encontra e fica. Mas é tudo sonho, na realidade, o amor existe, mas ainda não tomou sua decisão de ficar.

Te vejo todos os dias passar, e não adianta forcar, só me resta esperar.