quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um Amor de Condomínio



Sandrinha, nem tão recém mudada para seu apartamento próprio, se depara com um cartaz no elevador. “Caros Condôminos, não se esqueçam hoje às 20h da reunião de condomínio no salão de festas do bloco A. Assunto principal: cota extra”.
Sandrinha que comprara seu apartamento há pouco mais de dois anos e nunca havia ido a uma reunião de condomínio, se quer; resolveu deixar seu laptop, Ipad, Iphone, compras, bolsa da academia e todos os seus personal Apps e desceu lá no salão de festas do bloco A, a fim de conhecer seus vizinhos e participar como membro ativo daquilo que costumam chamar de reunião de condomínio. Mas, o que mais interessou Sandrinha na ata, foi o sorteio das novas vagas marcadas na garagem. Sandrinha era uma barbeira de plantão e sua vaga no estilo só para “Magaivers” era sempre uma dor de cabeça e um arranhão a mais em seu carro – e de outros - todo mês.
A reunião já havia começado, e os nervos já estavam tomados, na rivalidade entre as alas “naftalina, sim eu uso Corega!” – versus “Facebook, sim iposso!”. Discussões mil, sobre o transito dos cachorrinhos nos elevadores e áreas comuns, descamisados na academia, os cheiros estranhos do “tipo incenso” diariamente vindos de certos apartamentos e o som alto depois das 22h. Meninas que recebem muitas meninas e meninos que recebem muitos meninos. Os sons de casais apaixonados. As lavagens das varandas e dos carros na garagem. Se a babá pode entrar na piscina e se devem circular de uniforme, ou não.
Sandrinha olhou aquela discussão enlouquecida e identificou que a velha do conselho era a tal velha que ficava observando seu apartamento e reclamando na portaria para qualquer coisa que fosse colocada para secar na grade da janela da sua área de serviço, bem como a mesma que fazia “Cooper” na garagem pela manhã. Naquela discussão condominial, remediada pela velha louca - que chegou ao cúmulo de reclamar dos pingos em sua janela do ar condicionado do apartamento do 4º andar, sendo que ela mora no décimo. Sandrinha pensou: “Se cercar isso aqui vira hospício e se colocar toldo vira circo!”. Mas, indo um pouco mais além, Sandrinha pensou em sem querer atropelar a velha em seu “Cooper matutino” na garagem, já que tinha uma coleção de bilhetinhos dos simpáticos vizinhos “Sua barbeira, aprenda estacionar essa M....”.
Para completar, vira uma outra velha louca e fala para colocar em Ata - que ela guarda a chave da porta de sua casa na gaveta da cômoda do Hall e que se alguém roubar seu Portinari original, ela vai saber que foi alguém daquele salão do bloco A. E a justificativa da Velha para guardar a chave ali é que ela mora sozinha e pode ter alguma coisa, ou morrer a qualquer momento, sendo necessário entrar com facilidade no apartamento.
Ao ver aquela visão comum do “inferno”, Sandrinha entendeu o porquê de nunca ter ido a uma reunião de condomínio. E aceitou sem titubear a assinar a cota extra para a reforma do parquinho que se quer já foi.
Já haviam se passado mais de duas horas e nada do sorteio das vagas e Sandrinha percebeu algo bem mais produtivo ali... um belo moreno, na verdade nem tanto, de óculos, alto, esguio, de cabelos levemente cacheados e com um charmoso sorriso de canto - parecendo se divertir com aquela “gaiola de loucos”, sobre o nada, assim como ela.
Ele sorriu, ela sorriu. A distância, ele informou: “sou do 304”, ela: “sou do 301”. Ele: “Bloco A?”. Ela: “Bloco A”. Com ar indignado ele “Mas, nunca te vi”. E ela também indignada “Nem eu!”. E ambos sorriram. Ele pergunta: “Você está precisando de açúcar?”. Ela responde: “Não, mas de adoçante”. Ambos sorriram.
Sandrinha e Pedro, moravam ali já há alguns anos e nunca se encontraram, mas hoje o Paulinho filho do casal, brinca quase todos os dias no novo parquinho. E o sorteio das vagas? Pedro passou a estacionar o carro de Sandrinha e tudo ficou resolvido.

Moral da História: O amor é inusitado e sempre tem um endereço.

domingo, 28 de agosto de 2011

O Retrato da Mulher Moderna

Um interessante homem já descrente em encontrar a mulher perfeita: bonita, com belas curvas, inteligente, bem sucedida, sincera e simpática – pois, já parecia entender que não podia existir tudo num “pacote” só; um dia, em uma badalada festa, foi surpreendido por uma deslumbrante loira... alta, cabelos cumpridos, com curvas escondidas em um elegante e discreto vestido, seios fartos, unhas cumpridas e vermelhas, sorriso simpático e ar inteligente, fazendo parecer que podia existir sim tudo num pacote só.
Os olhos do interessante homem não conseguiam desviar da deslumbrante loira, e por obvio impulso, resolveu ir até ela levando duas taças de champagne e todo o seu charme. A deslumbrante loira foi receptiva e o papo fluiu naturalmente e logo o interessante homem percebeu que a deslumbrante loira era mais que deslumbrante: linda, simpática, doce, bem sucedida, de bons valores, culta, viajada, elegante, discreta, em forma... e o mais surpreendente, inteligente. Algum problema essa deslumbrante loira devia ter, afinal quando da esmola é demais, o Santo desconfia:
Ele – Posso te fazer uma pergunta?
Ela – Claro!
Ele – Você tem namorado, não tem?
Ela – Não....
Ele – Não consigo entender como uma mulher tão deslumbrante como você e ainda bem profissionalmente, pode estar sozinha...
Ela – Deve ser exatamente por isso... deslumbrante demais...
Ele – Impossível! Sorte a minha então...

E a deslumbrante loira sorriu...

Pronto! O clima estava criado e perfeito! E envolto por natural sinergia o interessante homem se aproximou da deslumbrante loira para beijá-la:

Ela – Desculpe, hoje não vai dar...
Ele – Por que? Tem algum ex por aqui?
Ela – Não é isso! Você é um homem super interessante, mas hoje não estou muito disposta.
Ele – Não entendi... agora me perdi, achei que você estava interessada.
Ela – Sabe o que é... fiz uma cirurgia recentemente e ainda estou me recuperando, entende?
Ele – Mas, está tudo bem com você?
Ela – Ah sim! Foi estética e não é a primeira.

Ele riu...
Ela riu...

Ele – Entendi.... posso saber o que você fez?
Ela – Dei uma melhorada nas curvas e uma avantajada na forma, se você me entende...

Os dois riram...

Ele – Pensei que esse lindo corpo era resultado de horas de academia..
Ela – Ahahah... não, não... tenho feito mais figuração na academia do que qualquer outra coisa.
Ele – Já que não posso abraçá-la, posso fazer um cafuné nesses seus lindos cumpridos cabelos dourados?
Ela – Pode.... mas, só cuidado para não se embaraçar no mega hair...
Ele – Mega hair? Nossa! Nem parece, pensei que fosse natural...

Ela riu...

Ele – Bom, será que em suas lindas mãos eu posso pegar?
Ela – Claro! Só não repara que esta unha de porcelana quebrou...
Ele – Nossa! Você me surpreende a cada segundo... posso saber o que de fato é natural?
Ela – O interior,é claro! Não é o que importa???

Naquele momento o interessante homem percebeu que o pacote completo existia sim, era a mulher moderna! Não existe mulher feia, acabada e burra, mas sim, mulher sem investimento!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

iReconhecíveis Mulheres


Esta rolando pela internet um textinho que faz todo o sentido que compara meninas de mulheres. Se eu mesma, uma mulher - quem sabe com doses ainda de menina, não tinha me dado conta disso; fico só imaginando os homens que não conseguem diferenciar a cor laranja da coral.

O texto diz: 
“Meninas esperam você ligar, mulheres te ligam sem problema;
Meninas encaram para depois ignorar, mulheres só te olham quando te escolhem;
Meninas reclamam do futebol, mulheres assistem os jogos com você; 
Meninas ligam para o que você tem, mulheres se importam com quem você é; 
Meninas ligam para o que as amigas falam, mulheres se importam com o que você sente;
Meninas condicionam seus carinhos, mulheres dão carinho incondicionalmente;
Meninas reclamam dos meninos que ainda não são homens, mulheres os transformam!!" 
 
Saber reconhecer uma mulher nos dias de hoje não é simplesmente complicado para os homens. Talvez seja complicado igual, ou mais, para nós - a nos dar esse reconhecimento e valor; simplesmente porque - com tanta falta de reconhecimento, julgamentos e cobranças, acabamos deixando erradamente de nos reconhecer.  
Não quero entrar na polêmica de que só os homens que estão acompanhados - e de grandes mulheres, sabem tratar bem uma mulher - de uma forma geral, nivelando por cima; pois talvez isso seja uma verdade injusta, ou até uma inverdade. O ponto é que nós mulheres não podemos deixar, ou transferir que o reconhecimento deva vir de fora para dentro. Ou nos transformar em “tratores” passando até por cima das rosas da feminilidade.  
A verdade é simples, já a vaidade - nem tato. Por isso, nos atrapalhamos, sabotamos e nos perdemos tantas vezes nos papeis. Mas, o fato é que meninas são meninas e mulheres são mulheres. Não julguemos, apenas lamentemos aqueles homens que não sabem se preferem meninas a mulheres, ou os que simplesmente não querem.   
Deus fez o homem e a mulher. Se fosse para sermos todos iguais, ele não nos teria feito diferentes. E um de nossos papeis é reproduzir, por algum motivo, Deus escolheu a gente e “ovulamente” com prazo de validade. E agora?  
Escuto muito as observações masculinas do “desespero” feminino em casar e ter filhos, ou em ter filhos, ou ter um amor para ter um filho. Infelizmente esse “fardo” existe para a nossa natureza nada atemporal; e se desapegar de algo que faz parte da sua natureza, do seu papel no ecossistema, é uma grande crueldade, diria até injustiça, ou até sem sentido. Não é a sociedade que nos cobra, ou os homens que nos julgam, mas sim a genética – e sem o direito de escolha da melhor fase para isso.  
Quando olhamos para os nossos irmãos, pais, queremos gerar essa continuidade – essas relações. Quem não quer? Que desperdício ser uma grande mulher, mas sem legados. Isso sim diria que é contra a nossa natureza. Mas, difícil a decisão que Deus nos deu para tomarmos com prazo, não é mesmo – sua louca desesperada?  
O amor moderno é atemporal, pode acontecer em qualquer fase ou idade. A paternidade hoje também. Quem sabe a genética não consegue evoluir a ponto de nos deixar com o livre arbítrio para frutificar, e nos livra desse cronômetro biológico. A psicanálise com a cura da solidão a um, a dois, a três a todos. E a economia para um futuro financeiramente mais sólido e estável.  
Mas, enquanto temos o que temos, felizes são as mulheres que se reconhecem como mulheres sem ir contra a genética, ou sem se desequilibrar com ela.  Felizes são os homens que percebem, querem e valorizam grandes mulheres, e sem medo vão e fazem meninas. Porém, mais felizes ainda são os encontros entre grandes mulheres e homens para belos frutos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Meia Noite sem virar Abóbora.



Ai ...Meia Noite em Paris. Quem não viu o filme, deveria assistir. Não só pela fotografia, porque Paris apesar de não ser o Rio de Janeiro; sempre será Paris - a cidade luz e que mais exala romantismo no mundo inteiro. Além de cenário, trilha sonora, bons atores e excelente roteiro. O filme retrata cada vez mais explícito o brilhantismo de Wood Allen - que vem se superando a cada filme, com maturidade e a marca de sempre.
É exatamente sobre isso que quero falar, sobre o brilhantismo, a “Idade do Ouro” – que tanto o filme fala e busca mostrar.
Um roteirista Hollywoodiano escolhe Paris nos anos 20 para desenhar a história de seu primeiro romance, época que queria viver. Com um roteiro “brincalhão no tempo”. O escritor pôde viver sua história nessa época, no petit comitê entre os gênios da pintura, música, literatura – da arte em geral que lotam museus, galerias e que fomenta o mercado cultural nos tempos de hoje, e que irá fomentar nos tempos eternos. Afinal, estamos falando de história, de patrimônio histórico.
Quem tem o prazer e interesse de viajar e estudar um pouco sobre arte/ história; poder ver ilustrado no cinema a “boemia cultural” de Picasso, Dali, Ernest Heminghay, Zelda e Scott Ftizgerald, Gertrude Stein, Cole Porter, Henri Matisse, Luis Buñel, entre outros artistas, que viviam na mesma época, eram amigos e circulavam nas mesmas “festinhas”, é um tanto quanto interessante. Ilustrativo mesmo, daquilo que lemos nos livros ou vemos em museus.
Mas, o que tanto encantava nos anos 20? Naquela época, o que tanto encantava a estes artistas, era a era Renascentista. Assim como o que tanto nos encanta nos tempos de hoje é a era da Bossa Nova, dos Beatleas, dos Rolling Stones – por exemplo.
Porque sempre achamos que o brilhantismo está num passado? Que a “Era ou idade do Ouro”, é sempre outra que não a nossa, que não fazem mais artistas ou pessoas como antigamente? Ok. Vou tirar a palavrinha “sempre”, porque seria radicalismo demasiado. Mas, a grande sacada é perceber que toda era é a “Idade do Ouro”, pois sem a era passada a atual não existiria e a futura não poderia existir. Cada era, de certa forma é a base, faz parte de uma evolução que querendo, ou não, você e eu iremos viver, nossos filhos e netos também. Até o grupo “É o Tchan” dos anos 90, ou o Funk dos anos 2000, tem o seu papel na arte da sociedade. Ok, estou fazendo força para pensar em qual - ainda mais depois de falar de Pablo Picasso.... mas foquemos no conceito da obra prima como um todo, ok?
Naquela época dos anos 20, não existia a Apple, Play Station, filme em 4D, e-commerce, ou ir a Lua. Indo mais trivialmente, não existia o Valium, Tylenol, silicone e nem o Miojo!! Vai dizer que isso não é arte e que não é brilhante? Sem falar nos Google Apps, GPS e toda essa conectividade. Isso não é brilhantismo?
Cada era tem o seu quadrado, o espaço evolutivo que pode ir até transbordar, e transbordando, vira uma nova era e assim sucessivamente.
Mas, trazendo isso para o cotidiano, vale pensar por que somos eternos insatisfeitos, que o jardim do vizinho é sempre mais bonito que o nosso, que a mulher do outro também é melhor que a nossa, que estamos sempre gordos, ou recamando de tudo que a gente tem e não tem.
A nossa era atual é a “Idade do Ouro”, é o brilhantismo que podemos ter com o que nós escolhemos, fazemos e que a vida nos disponibilizou. E o hoje será a base de nosso amanhã. Por isso, foquemos e brilhemos no hoje, pois quem fica com um pé no passado e outro no futuro, mija no presente.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Montanha Russa da Vida



“O nosso amor a gente inventa e quando acaba a gente pensa, que ele nunca existiu”. Seria tão bom se pudéssemos fazer isso também na vida real, né? Mas, na prática a vida não é assim; ela vem com realidades nada inventadas que precisamos administrar; e pelo simples fato dessas realidades existirem nos tornamos melhores administradores da vida e de nós mesmos.

Nesse mundo dinâmico, estamos aprendendo a ser, donos de nós, seres independentes, auto-suficientes e unicelulares, pois a vida virou uma eterna montanha russa, com altos e baixos sem garantias, avisos prévios, ou prazos de validade. Não estou dizendo que não precisamos de ninguém, ou que hoje somos seres egoístas perambulantes pela vida. Nada disso! Ao contrário, estamos cada vez mais carentes, por conta dessas “não garantias” e necessidade de auto-sobrevivência. Mas, essa auto-suficiência é necessária no aprendizado do recomeçar, no se reconstruir em qualquer idade ou fase de vida. Necessidade que não existia assim, tão explicitamente nos tempos antigos.

Hoje vivemos em um mundo sem estabilidade profissional, amorosa, familiar, emocional... Podemos encarar isso como uma crueldade do mundo atual, ou como uma evolução natural da espécie e oportunidade de sermos pessoas felizes por nós mesmas com capacidade de reconstrução e renovação cíclica.

O grande problema é que nós seres humanos não estamos preparados para as perdas, na verdade temos muito medo delas, fora que somos vaidosos, e isso muitas vezes nos paralisa para uma janela de oportunidades, e até a alcançar essa tal felicidade que tanto buscamos.

Tô chegando à conclusão que apesar dessa complexidade enorme que é viver, tudo é muito mais simples do que parece, e se desapegar de algumas coisas é fundamental para essa simplicidade. Com tanto dinamismo, fazemos mais coisas, somos mais cobrados, nos cobramos mais também e por conta desse “bololô” todo, nos expomos mais ao risco de errar, acertar, perder e ganhar, e nos tornamos mais exigentes. Mas, com o tempo percebemos que só quem perde tudo, perde também o medo, e que perdendo o medo, aprendemos a nos reconstruir sempre em qualquer fase ou época de nossas vidas, tornando-nos mais flexíveis.

Não tem jeito fofinho, só se aprende mesmo através do caminho da dor e quando a dor passa, ela passa e mais forte ficamos. Ter altos e baixos, não é um privilégio seu ou meu, é nosso, é uma realidade e por isso essa “auto-suficiência reconstrutiva” é tão necessária, pois nem sempre estaremos acompanhados nessa montanha russa, ou poderemos transferir nossos problemas para os outros.

Por incrível que pareça, a vida não é tão “carrasca” assim quanto a gente acha, ou parece. As rasteiras, decepções, mudanças, e decisões que ela toma por nós, nada mais são um “Acorda aí meu irmão!”. Até a morte, a maior perda que podemos ter, tem grandes aprendizados por trás, que passa pelo desapego e auto suficiência falados lá em cima. Pode não parecer, mas tudo tem uma explicação, que só com o tempo junto com as ações e forma que decidimos ver e lidar com esses acontecimentos saberemos os resultados.

E a conclusão que chego disso tudo é que a felicidade está em nós, que o mal não vem desacompanhado do bem, que se você não acredita mais em algo, é hora sim de mudar e mudar te abre um mundo de possibilidades. Mas, principalmente que se a vida é essa eterna montanha russa, estaremos em constante emoção e estar em constante emoção é estar vivo, logo tudo isso que esta acontecendo não poderia ser diferente, não é mesmo? Por isso, pare, pense e aproveite essa deliciosa merda que é viver!  

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sede de Vingança

Os vingativos dizem que “vingança é um prato que se come frio”. Os mais filosóficos falam “olho por olho, dente por dente”, e os mais divinos acreditam no “aqui se faz, aqui se paga” – afinal, segundo a Bíblia somente Deus tem o direito de praticar a vingança. Será?

Tema de novelas, ou do cotidiano. A vingança existe desde a época de Adão e Eva, e não é que é verdade? Adão descobre que Eva o traia e faz a sua vingança ali mesmo com a cobra em pleno ano 0 da história, num mundinho de 3. Imaginem 2011 anos depois com uma população de quase 7 bilhões de habitantes até onde uma bela vingança pode chegar.

Apresentada também no Antigo Testamento, na Bíblia e muito discutida na filosofia; a vingança além de um “troco básico” em quem te feriu, tem um papel de justiça na história da sociedade, como forma de punição, a fim de acabar com o mal inicial.

Justamente pensando nisso, qual o limite ético de uma bela vingança?

Dependendo da cabeça do vingador o céu, ou melhor, o inferno é o limite. Dado que a vida humana é vulnerável, pode ser invadida, violada e ferida por diversas ações de outros, a vingança para muitos é a cura apropriada, como forma de contra-invasão, afinal, “toda ação gera uma reação” – já diz a física.

E quem é mais vingativo? 

Segundo a Universidade Estadual de Louisiana, EUA: as mulheres; as pessoas com mais de 40 anos; os com baixa escolaridade; os mais pobres; os que têm emprego; e os moradores de áreas com alta criminalidade, são os mais vingativos.

Pesquisinha um tanto previsível, não é mesmo? Que a mulher é mais vingativa que o homem é fato. O homem passa longe da ética ao ferir uma mulher; e mulher ferida, sai de baixo. Vaidade, eloqüência e instabilidade emocional, é nitroglicerina pura. As pessoas com mais de 40 anos além de uma amargura natural e intolerância também, já passou do tempo de deixar a critério divino a justiça na terra. Depois dos 40, a Poliana juvenil dá espaço ao ditado: “Aqui se faz, aqui se paga meu bem”. Já as pessoas com baixa escolaridade, é fácil entender; onde não há conhecimento, comunicação e entendimento mental a reação é um instinto natural de defesa, assim como para os mais pobres e os que vivem em áreas perigosas e de risco, onde cada um luta com as armas que tem. E no trabalho não tem jeito. Qual deles não é um ninho de cobras? E você vai deixar barato se tentarem puxar seu tapete? Acho que não...

Pois é, mundinho cruel esse o nosso, não é mesmo? Tadinhos de nós pobres vítimas da sociedade e de pessoas malvadas que nos enganam, ferem com padrões, palavras, gestões e ações, ou a falta delas. Quem foi que disse que o mundo era legal e as pessoas também?

Pois é, Papai Noel não existe e a gente só sente sede de vingança com o que nos atinge emocionalmente; e qualquer coisa que faça o outro sentir nem que seja uma pontinha do que ele nos fez, já valeu. O vingador tem sede de ficar por cima e nada melhor do que o pagamento ser na mesma moeda. Talvez seja esse o limite ético de uma bela vingança.

Por falar nisso, vem cá meu benzinho... o microondas quebrou, o meu prato esta frio, por isso vou comer bem devagarzinho. Mas, o seu esta aqui, quentinho e pronto só te esperando provar de seu próprio veneno.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Homem de A a Z

Segunda-feira, a bela morena chega em casa com aquela vontade de “caderninho”.

Vontade de “caderninho”?

Isso, de estar com alguém, com algum “homem alguma coisa”. E na viagem junto ao caderninho, ou celular, a bela morena, encontra:

Na letra A, a lista dos “homens Amantes” ou poderíamos dizer “homens Aranha”, aqueles que não vão visitar você, mas sim... eles são sexys, exalam testosterona, transam com você como se fosse a única, mas a única coisa que você terá deles, é uma noite de muito prazer.

Seguindo pela letra B, temos a lista dos “homens Bonzinhos” aqueles que te adoram, fazem tudo por você, mas que a gente não quer, só em caso de carência extrema, quase suicídio.

Na letra C, encontramos o “homem Carretel”, aquele que só te enrola. Liga para dizer nada, te paparica, mas nunca te chama para sair, ou aparece. Mas, uma coisa é certa, ele sempre fica feliz em falar ou saber de você. Por isso, a gente deixa ele lá... “vai que”... Tem também o “homem Custo x Benefício”, aquele que vale o que é.

A letra D, é do “homem Delivery”, aquele que você liga e ele vem. Esses são ótimos ter na agenda para situações de emergência.

Na letra E, temos o “homem Escola”, aquele que quer sempre te dar uma aula, o famoso especialista, sabe tudo, ou chato, que se acha. Mas, que é sempre bom ter por perto, pois ele tem boas respostas, dicas, orientações para nos dar. Tem também aquele “homem Encosto”, que vai se aboletar na sua casa, se abastecer da sua geladeira e se apropriar do seu carro.

Quando chegamos na letra F, encontramos o “homem Foda-se”, aquele que a gente sabe que não quer nada com a gente, mas que ligamos o foda-se, perdemos a cabeça, nos humilhamos, corremos atrás, pelo simples fato, que com esse tipo de homem: foda-se tudo e todos!

Na letra G, encontramos um tipo comum desse balaio masculino, o “homem Gerúndio”, aquele que ainda esta se descobrindo, buscando a independência financeira, ainda esta juntando dinheiro para comprar o seu primeiro carro. Esse tipo tem aos montes, na busca de mulheres catalisadoras para ajudá-lo a chegar a algum lugar que ele ainda não sabe. As mocinhas independentes devem fugir ou pegar para criar, mesmo ele já tendo quase 40 anos. Ainda na letra G, encontramos também o “homem Gás” aquele que some do nada, sem deixar rastro. Quando você vê o cara já desapareceu, e te deixa a ver navios, sem entender nada. Esses têm como lema aquela música: “primeiro a gente foge, depois a gente vê”. Esse tipo a gente nunca vai saber quando vai evaporar.

Na letra H, chegamos no “homem Harém”, aquele que está sempre rodeado de mulheres paparicando, ligando, mas que jura que são só amigas. Esse a gente finge que ele engana e a gente que acredita. Ainda na letra H, temos também o “homem Humorista”, aquele que sempre tem uma piada para tudo e te faz rir. Não tem jeito, nós mulheres adoramos homem com bom humor, não que nos façam de palhaça.

Já na letra I, encontramos um tipo interessante, o “homem Idéias”, aquele eloqüente, criativo, que fala de idéias e não de fatos. Estar perto dele sempre é uma delícia, lúdico e leve. Cada encontro é especial, interessante e passa sem sentir, deixando aquele gostinho de quero mais. Mas, também encontramos o “homem Igloo”, ou “Iceberg”, que por mais que a gente tente, não conseguimos entender, ou quebrar a pedra de gelo que ele é. Esse ai, não adianta insistir, a não ser que queira uma vida sem emoções. Ou também o “homem Impossível”, aquele que nunca, nunca vai ser seu.

Na letra J, encontramos um tipo típico do cotidiano feminino, o “homem Joselito”, aquele completamente sem noção para tudo. Esse aí ta sobrando aos montes, será que ele nunca se toca?

Na Letra K, chegamos no “homem Kamikaze”, esse tipo é bem preocupante, pois é suicídio certo. Tem também o “homem Kinder Ovo”, que tem sempre uma surpresa, nem sempre agradável. Mas, para ambos os casos... quem não sabe brincar não desce para o play, não é mesmo?

Na letra L, temos o “homem Loser” esse aí tem aos montes te querendo, é aquele que não deu certo na vida e se apega ao amor como única possibilidade. É o estagio pós “homem Gerúndio”. Cai fora, pois esses fazem o tipo “ancora” que só te levam para baixo.

Na letra M, temos o tipo “homem Maestro”, que eu particularmente adoro, são aqueles que te dominam, ensinam, cuidam de forma sábia e elegante, como se você fosse uma orquestra. Mas, esses ai, são espécies raras e em extinção e já tem dona. Logo, nem adianta ligar.

Na letra N, temos o “homem Neném” que acha que você é mãe dele e fala com vozinha. Para as que aturam, eles são ótimos filhos, ops! Namorados.

Na letra O, chegamos ao “homem Ovelha”, aquele que é o maior “Maria vai com as outras”, principalmente dos amigos. 

Na letra P, encontramos o tipo ideal, o “homem Para”, para se amar, casar, ter filhos, construir... para você parar a sua vida na dele e ele na sua até que a morte os separem, ou um juiz mesmo. Tem também os “homens Panela Velha”, os coroas, que muitas mocinhas adoram.

Na letra Q, tem o “homem Queda de Braço”, aquele que cisma em duelar com você, competir, e que não consegue entender que se relacionar é jogar frescobol, não tênis. Esses às vezes nem fazem por maldade, mas pela forma que aprenderam a se relacionar, aí só com terapia mesmo.

Já na letra R, nos deparamos com o “homem Rádio” aquele é um informativo ambulante, não para de falar, ou cantar, ou opinar - o próprio DDA.

Agora, na letra S, temos o “homem Sapo”, espécie também quase em extinção, são aqueles que ainda gostam de pererecas. 

Na letra T, temos o “homem Tesão” que só de olhar dá aquele tesão. Esse tipo pode até ser só colírio para olhos, até porque eles são em sua maioria uma variação do “homem Impossível”, e de caráter duvidoso.

Na letra U, temos o “homem Ursinho”, aquele que é fofinho, bonitinho, legalzinho, queridinho, que dá vontade de colocar ele ali em cima da cama, e só.

Na letra X, temos o “homem X-tudo”, a mistura de todos os tipos a cima, e mesmo sem saber o que se tem dentro, não é que fica gostoso?

Finalmente na letra Z temos o “homem Zebra”, que a gente sabe que vai dar Zebra... aquele que só nos mete em furada!

É... são muitos tipos de homens e para todos os gostos, mas depois dessa volta no caderninho, a bela morena, decide ligar mesmo é para o “homem Pretinho Básico”, aquele que não requer muito esforço, sempre cai bem e que você pode circular em qualquer ambiente. Alguém o viu por aí?