Amor
bem me quer, mal me quer. Eu que sempre gostei das margaridas me vejo nesse bem
ou mal amor. Amor que bem me quer e mal me quer, ou não me quer, ou me quer sem
querer, não por querer. Eu quero, mas não quero, porque com esse bem me quer,
mal me quer, fico nesse quero ou não quero, apesar de querer muito. Ai como
quero, como quero só o querer, o bem me quer. O bem me quer torta, descabelada,
mal humorada, sem vergonha. Tem cada servegonhice boa. Bem boas. Bem me
quer, mal me quer. Queria ser sua margarida. Risonha, alegre, divertida e não
essa brincadeira de ação e reação de bem me quer e mal me quer. Não se brinca
assim por hábito. Essa brincadeira acaba com as pétalas, com a alegria de uma
margarida. Ninguém é um jardim sem flores e não existem flores sem jardim.
terça-feira, 6 de março de 2018
A caminho de Paris.
O
trem passava e a lua o acompanhava. Não a tinha percebido. Não a tinha me
tocado. Estava coberta sem espaço para perceber. Ocupada com o que não deveria
me ocupar. A poesia perdeu espaço. O espaço foi invadido por vazios
desnecessários. Onde ficou a poesia? Onde foi parar a lua? Por que fiquei cega,
triste? A lua se apagou dos meus olhos. Olhos de jabuticaba que brilhavam como
a lua. Linda, redonda.
No
trem a caminho de Paris entendi que não podemos sair dos trilhos. Viajar nos
túneis da neurose. Não existe espaço ficar cega a caminho de Paris, com uma
taça de vinho na mão e um coração que bate La vie en Rose. Não podemos cegar a lua, calar a música. Desviver a poesia. Paris não permite
isso. Todos sonham com Paris porque Paris é um sonho. Mas sonhos só se realizam
para quem se permite sonhar. Sem sonhadores tudo se torna simplesmente real,
racional, arrogantemente chato. Ateu. Até mais túneis. Quero somente estar a
220 km por hora olhando a lua, com uma taça de vinho na mão a caminho de Paris.
O reparo.
Obrigada por reparar. Nesse seu
reparo você vem reparando as necessidades de reparos, e me fez reparar que não
estava mais reparando no que de fato é importante reparar. O amor muda e
emociona. Estava precisando me emocionar para voltar a reparar. Obrigada por
reparar e assim me emocionar. Emocionada volto a amar sem reparos.
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
A febre digital do Blockchain
O mercado está falando cada vez
mais do universo das criptomoedas e blockchain
como uma opção tecnológica de fazer negócios sem intermediários.
Ao mesmo tempo que falam, existem
muitas dúvidas quanto a usabilidade e como ele vai mudar o ambiente financeiro
nos próximos anos.
O mundo digital vive um paradigma
atraente com esse novo mercado que por hora está sendo usado para especulação.
Vale entender primeiro que a
plataforma blockchain, um livro criptográfico
de registro virtual, foi desenvolvida para dar suporte a cyber moeda bitcoin – a primeira das cybers moedas,
criada em 2008, por questões de segurança e registro das transações.
Um aspecto curioso sobre uma das
motivações para a criação do bitcoin,
pelo pseudo japonês Satoshi Sakamoto
– pseudônimo usado pelo criador ainda misterioso, ou não. Foi a privacidade
totalmente invadida e descoberta nos dias de hoje e que tende ser cada vez mais
exposta. A necessidade de um ambiente fechado, seguro e anônimo foi uma das
grandes motivações para a criação da operação da cyber moeda.
Mas o que era de se esperar, ou
não, é que o feitiço muitas vezes vira contra o feiticeiro. Ou melhor dizendo,
o homem desenvolve inteligentes e boas tecnologias e depois fica refém delas,
ou as usam mal – outro paradigma. O seguro e privado ficou perigoso e se tornou
um oceano azul para o crime e atividades ilícitas.
Deixando o crime de lado que as
regulamentações resolverão ou mitigarão isso no futuro e voltando para a
tecnologia; ao longo desses curtos anos de experiência nesse mercado, o blockchain passou a ser percebido como
uma plataforma inviolável interessante e opção para fazer transações não só de
moedas virtuais, mas também para registro de transações de processos,
documentos e outras ações passíveis de registro.
Porém, esse sedutor mercado,
ainda pouco usual, devido a seu caráter duvidoso quanto à segurança por
ausência de um terceiro de confiança no processo e da obrigatoriedade de
identificação das partes no processo, nos deixa inseguros quanto a substituição
de certas tecnologias e operações.
O que o mercado sabe, mas não
sabe, é que existem tecnologias prontas regulamentadas e com validade jurídica
que atendem também essa necessidade que o blockchain
cumpre a custo baixo, com segurança, por passar ou ser registrada por um
terceiro de confiança.
Posso citar aqui o carimbo tempo
e a assinatura digital que registram e dão legitimidade a um processo,
documento e qualquer operação que uma empresa ou você queira transacionar. Além
disso, nessa operação pode ser agregado a biometria para identificação do
indivíduo responsável pela ação.
Por exemplo; tenho visto na área de varejo e transportes o
uso da plataforma blockchain para
rastreabilidade e registro de ações e transações de uma cadeia de processo.
Esse mesmo projeto poderia ser feito utilizando o carimbo do tempo, um selo que
atesta data e hora exata que uma transação eletrônica aconteceu com validade
legal incontestável – quando emitido por uma Autoridade com poderes para isso.
No mundo das tecnologias, assim
como na vida, não existe melhor ou pior. Tudo depende da necessidade de cada um
e os riscos que estamos dispostos a assumir. Para o mesmo fim existem
diferentes formas de chegar até ele.
Porém, uma coisa é sabida. O que
o mercado busca e sempre buscou é confiança, transparência e validade jurídica.
Então que surfemos nessas soluções que melhor atendem aos nossos processos de
negócios e ao compliance das organizações.
terça-feira, 4 de julho de 2017
A realidade tem um sabor que a imaginação não sabe
Às vezes preciso sair da realidade
para escrever sobre a realidade. A realidade tem um sabor que a imaginação não
sabe.
Viver são fatias do imaginado e é
proporcionalmente igual à decepção. O imaginado não existiria se igual
fosse ao real. Tudo que é igual não se diferencia. E por isso a realidade tem
um sabor que a imaginação não sabe.
Talvez seja por isso também que
preciso sair da realidade para percebê-la. Às vezes brinco de brincar no mundo
do “se”, “se” eu tivesse escolhido outra profissão, “se” eu não tivesse me
mudado, “se” meu pai estivesse vivo, ou “se” eu tivesse vivido alguma história
que não vivi.
O “se” nos serve para enxergar o “é”.
“É” essa profissão que tenho, “é” essa a cidade que vivo, “é” essa lembrança
que tenho e “é” essa história que vivo. “É” essa história que vivo, “é” essa
história que vivo. Ecoar muitas vezes é importante para enxergar a nossa
realidade. Boa ou ruim “é” esse o sabor.
Sabor que teimamos em achar amargo
ou doce demais. Pouco ou muito - os excessos escassos de uma realidade.
Foi gostoso reparar o quão
saborosa é a realidade.
Reparar no sentido de notar,
observar ou conseguir perceber; não no jeito transitivo direto de restaurar,
por em funcionamento, recondicionar. Se bem que às vezes precisamos restaurar
certas coisas para repará-las.
Quando achei que distante estava
do imaginado, reparei que a realidade me estapeava com a cor branca da
segurança - somada ao colorido da felicidade do dia-a-dia.
O hoje é colorível e reparar é
cuidar.
O “se” será sempre um “se” quando
não tornado em “é”. E o “é” não pode ser pisoteado e massacrado pelos possíveis
“ses” que na maioria são utópicos.
Quando descobrimos o tempero certo
da realidade, entendemos que o sabor dela é inimaginável.
terça-feira, 13 de junho de 2017
A poesia do retorno sobre o investimento
Vejo muitos executivos olharem os negócios ou
parcerias pelo ângulo do ROI, retorno sobre o investimento. Chego a algumas
reuniões e negociações que poderia levar apenas um slide ou fazer uma conta
simples no papel de pão, ou no celular.
Um executivo não pode ficar míope ou pratico
em tomadas de decisão com respostas binárias de sim ou não.
Um grande executivo de sucesso me falou uma
vez: “Ana, pense grande, comece
pequeno e cresça rapidamente”.
O ROI está vinculado a sua estratégia e
disposição a riscos de curto, médio e longo prazo.
Para toda e qualquer conta existe um valor
intangível não calculado. Desde imagem, relacionamento, aprendizado, reputação,
indicação, facilidade, crescimento. Relações e negócios não se constroem ou se
definem em um slide, ou no slide.
Vejo casais ou parceiros de trabalho
planilharem tudo. Se relacionarem com o olhar da justiça: certo, errado, o
mercado cobra assim ou assado. Muitas vezes o que importa não é o quanto, mas
sim o como. Fora que fica chato, muito chato.
Nos contratos de parcerias as
responsabilidades das partes é sempre um ponto importante para definir não só
as obrigações, mas como cobrar essas responsabilidades. Porém, se o como se
relacionar for bem construído, sinérgico e de confiança, cobranças podem nem
virem a acontecer. E quanto custa um não desgaste e uma relação saudável?
O mais difícil é chegar ao simples, porque
requer dedicação e experimentação. Muitas pessoas confundem o simples com o
simplório. A diferença é que o simples é denso, tem excesso de conteúdo e
inteligência dentro dele. Já o simplório é vazio, raso, agrega pouco e tem
pouco conteúdo dentro. Quando passarmos a entender melhor o significado das
palavras e as olharmos por diferentes ângulos, seremos melhores estrategistas.
Assim como simples é diferente do simplório, o estrategista é diferente do manipulador.
O estrategista busca ganho coletivo, maior; o manipulador busca o benefício
próprio.
Os números, as palavras quando olhados
isoladamente são apenas números e palavras.
Meu saudoso pai me dizia: “Minha filha, o conhecimento de nada te vale se não passado a
diante”.
Conhecimento sem aplicação é igual a
investimento sem retorno. Um contrato assinado sem engajamento e ações é um
contrato cheio de intenções e vazio de negócios. Uma empresa que fatura muito,
mas gasta muito é uma empresa cheia de sucessos e vazia de lucros.
Assim como os detalhes nos conquistam, o
contexto, o valor intangível fazem os investimentos terem retorno não só
financeiro.
Você pode receber um presente caro sem valor
nenhum e uma declaração de reconhecimento valiosíssima. Não é o quanto, mas sim
o como.
Enquanto os negócios forem olhados
simploriamente pelos seus números as empresas não chegarão a resultados
simples.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
Adoro ser mulher!
Adoro ser mulher,
sentir como mulher, amar como mulher. Ser feminina, sensual e independente. Não
quero ser igual aos homens ou fazer seu papel. Adoro o meu. Amiga, esposa, filha,
executiva, escritora, mulher.
Ainda não casei no papel, mas sim quero casar
e ter no mínimo um filho. Construí tanta coisa boa, que vale a pena passar a
diante, me perpetuar - me doar. Não quero ser igual aos homens. Muito chato
sermos todos iguais.
Deus fez homem e
mulher diferentes e acho que entendi o porquê. Nos complementamos. Os homens
têm competências e características que as mulheres não têm e nos competências e
características que eles não têm. E o que há de errado nisso? Nessa pratica
entre homem e mulher, entendi que juntos somos melhores, e por isso não quero
ser ou brigar para ter um papel igual ao deles porque adoro o meu.
Eu podia ter feito
engenharia mecânica, mas isso nunca me seduziu. E danem-se as estatísticas.
Tive a oportunidade de escolher qualquer curso e escolhi humanas, as palavras,
os negócios. Se me perguntassem se eu gostaria de ser presidente quando ficasse
mais velha, agradeceria o convite, pois certamente preferirei ficar com meus
netos, meu marido passeando de navio por aí escrevendo livros, do que brigando
por poder, inalando corrupção, colocando bandido na cadeia ou calculando taxa
de juros.
Adoro ser mulher e
sei que só nós podemos gerar vidas e continuar a espécie. E para que isso
aconteça é com muito prazer e amor que permitirei que meu homem gere comigo uma
vida dentro de mim, onde descobriremos um amor que nunca sentimos antes, maior
que nós - e nisso tenho certeza que seremos e sentiremos igual.
Adoro poder chorar
num filme, ser cortejada, chamada de linda e gostosa. Adoro cuidar de mim, do
meu cabelo, do meu homem, família e saber que posso gastar e ir para onde quiser
porque sou independente e acima de tudo, amo o que faço. E particularmente faço
bem. Na verdade decidi que tudo que eu quiser; farei bem, porque a mulher tem
uma capacidade maior que a do homem de se apaixonar mais e se dignificar através
do amor. Por isso, vou querer acompanhar meu filho crescer, nem que tenha que
abrir mão de algumas coisas, porque meu objetivo não é ser igual a ninguém do
meu escritório; meu objetivo é ser feliz com tudo que Deus me deu e com que
decidi construir. Acho muita perda de tempo ficar brigando por direitos iguais,
quando no fundo somos todos diferentes com oportunidades desiguais e assim será
sempre. Somos heterogêneos, diferentes - apenas diferentes.
Não quero ser igual,
e muito menos incoerente. Chamar de assédio uma provocação frente a uma roupa
provocante de um peão de obras e de elogio de um galã na Mercedes. Eu sei muito
bem a coerência de ser mulher, ainda mais porque gosto desse papel e me sinto
livre nele. Quem tem problema com isso, o problema não está em ser mulher, mas
sim como cada uma se sente sendo mulher, e isso para mim é uma questão
particular, mesmo que comum.
Minha relação com os
homens é de parceria. E talvez seja por isso também, que escolhi essa área
profissional para trabalhar - que com toda certeza ganha um enorme charme justamente
porque sou mulher e nunca um homem vai conseguir ser igual a mim nisso. E
também, para que ele ou eu queremos isso?
Tristes os que
encaram a vida como uma competição. Eu só sei que adoro minha vida, voltar para
casa, para os braços do meu homem e ser A sua mulher.
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