quarta-feira, 8 de maio de 2013

Parte dos rodopios da A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo


"Essa noite com o Guto me fez lembrar da última vez tive com meu primeiro namorado lá em 1900 e bolinhas, quando senti que o havia perdido. Namoramos anos, e nos embolamos por anos também. Éramos um casal e tanto, super apaixonado e  companheiro. Todos diziam que íamos casar e que éramos feitos um para o outro — e acho que éramos mesmo. Até o dia em que ele me traiu em um happy hour sem sentido, ferindo meu coração juvenil. Naquela época eu não enxergava as nuances entre o preto e branco, ou entendia que a comunicação e o amor são capazes de sanar e perdoar, quando necessário. E no meio desse cinza todo de idas e vindas, veio também a atual esposa dele e o Guto em minha vida — com a chata da Tá. Mas como dois e dois são quatro, não precisa ser matemático para entender que nessas histórias quem sobrava era eu. O que me faz pensar que se o amor é um jogo, o meu só pode ser o Resta Um."




terça-feira, 7 de maio de 2013

Parte dos rodopios da A bailarina da loja de tapetes - Por Ana Corujo

"Quando era pequena, todas as vezes que me sentia assim, inquieta, com medo, eu pegava a caixinha de música que meu pai me deu e abria. Escutar a música e observar a bailarina dançar, me trazia paz, me acalmava internamente... Às vezes até dançava com ela. Mas, ao longo dos anos, esse ritual parou de existir e a caixinha de música ficou esquecida. Cheguei a procurá-la logo no dia que entrei na Tappetum, mas não achei, e nem voltei mais a procurar, de repente pela própria Tappetum me trazer essa paz, só em estar lá dentro."



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Adriana Falcão assina a contracapa do livro A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo


Costumo dizer que se este é o sabor de realizar sonhos, gostaria de poder guardar em potinhos....

Sempre fui  fã e admiradora do trabalho de Adriana Falcão, não só pela sua personalidade, trabalhos e roteiros... Sempre gostei de sua paixão e identidade assinada no que faz, e mais do que isso, sempre gostei dela dizer: " Eu gosto de gostar, gosto de escrever e gosto de gostar de escrever".

Muito bom se inspirar em quem te inspira.

Meu pai, em saudade, sempre me ensinou que o "não" a gente já tinha, e talvez, seja por isso que desde pequena, aprendi a ser aquela chata que só desiste quando se tem o "sim". Mas, neste caso, ganhar o "sim", não foi por cansaço, mas sim, por um encontro encantado. Ana Corujo, Ana Beatriz Leão (personagem principal do livro) e Adriana Falcão, se encontraram nessa floresta literária.

Tentei falar com a Adriana, e ela me ouviu, mesmo sem me conhecer, e nessa conversa abençoada, meu livro recebeu o maior presente sonhado, para sua contracapa de estreia......


“Quando eu peguei os papéis e li “”A bailarina da loja de tapetes””,  Ana Corujo, pensei: que combinação bonita de palavras bonitas. E me pus a bailar pelo texto.

Então constatei que a combinação bonita de palavras bonitas continuava história adentro, e me deu vontade de sentar no Arpoador e de gostar da vida.”

Adriana Falcão, roteirista da TV Globo e escritora.
Escreve para séries como Comédias da Vida Privada e A Grande Família, além de roteiros para cinema.

Obrigada Adriana pela confiança, carinho e palavras.

Ana Corujo


Parte dos rodopios da A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo

"Lembro-me perfeitamente de quando a ganhei, tinha oito anos. Meu pai chegou com uma caixa de presente e pensei que era um sapato, mas quando senti o peso e a chacoalhei, ouvi um barulho. Não sabia o que era e a desembrulhei com cuidado. Dentro havia uma caixinha de madeira preta de verniz. Podia ver minha imagem refletida nela, de tão brilhosa. Não havia um arranhão sequer. Quando abri a caixinha, meio que por um rodopio, surgiu uma bailarina. Me assustei. Não sabia ao certo o que era aquilo, ou para que servia, mas ao ver aquela bailarina, rodopiando na melodia de Beethoven, senti que aquele era um presente especial.

Lógico que aos oito anos eu não sabia quem era Beethoven. Minha reação foi dizer:

–– Pai, essa não é a música do caminhão de gás?

Anos depois fui entender sobre a música e o bilhete que meu pai havia deixado dentro dela.

Pour Ana Beatriz

A mais simples das minhas mais complexas obras".



Parte dos rodopios da A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo.


"Percebi que só podemos receber certas coisas quando há espaço. Achei que estava cem por cento aberta para aquela experiência. Mas na prática eu era uma excelente bailarina operacional, e só. Saber dançar, fazer passos perfeitos e certos, faz de mim somente uma boa bailarina mas apenas aquela que se entrega de corpo e alma consegue encantar e levantar o público. Para isso, é preciso estar envolvida, pensar além, criar... A nossa dose certa vem depois de transbordarmos muito, e eu precisava transbordar naquele universo de tapetes, pois só assim chegaria até mim."