segunda-feira, 6 de maio de 2013

Adriana Falcão assina a contracapa do livro A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo


Costumo dizer que se este é o sabor de realizar sonhos, gostaria de poder guardar em potinhos....

Sempre fui  fã e admiradora do trabalho de Adriana Falcão, não só pela sua personalidade, trabalhos e roteiros... Sempre gostei de sua paixão e identidade assinada no que faz, e mais do que isso, sempre gostei dela dizer: " Eu gosto de gostar, gosto de escrever e gosto de gostar de escrever".

Muito bom se inspirar em quem te inspira.

Meu pai, em saudade, sempre me ensinou que o "não" a gente já tinha, e talvez, seja por isso que desde pequena, aprendi a ser aquela chata que só desiste quando se tem o "sim". Mas, neste caso, ganhar o "sim", não foi por cansaço, mas sim, por um encontro encantado. Ana Corujo, Ana Beatriz Leão (personagem principal do livro) e Adriana Falcão, se encontraram nessa floresta literária.

Tentei falar com a Adriana, e ela me ouviu, mesmo sem me conhecer, e nessa conversa abençoada, meu livro recebeu o maior presente sonhado, para sua contracapa de estreia......


“Quando eu peguei os papéis e li “”A bailarina da loja de tapetes””,  Ana Corujo, pensei: que combinação bonita de palavras bonitas. E me pus a bailar pelo texto.

Então constatei que a combinação bonita de palavras bonitas continuava história adentro, e me deu vontade de sentar no Arpoador e de gostar da vida.”

Adriana Falcão, roteirista da TV Globo e escritora.
Escreve para séries como Comédias da Vida Privada e A Grande Família, além de roteiros para cinema.

Obrigada Adriana pela confiança, carinho e palavras.

Ana Corujo


Parte dos rodopios da A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo

"Lembro-me perfeitamente de quando a ganhei, tinha oito anos. Meu pai chegou com uma caixa de presente e pensei que era um sapato, mas quando senti o peso e a chacoalhei, ouvi um barulho. Não sabia o que era e a desembrulhei com cuidado. Dentro havia uma caixinha de madeira preta de verniz. Podia ver minha imagem refletida nela, de tão brilhosa. Não havia um arranhão sequer. Quando abri a caixinha, meio que por um rodopio, surgiu uma bailarina. Me assustei. Não sabia ao certo o que era aquilo, ou para que servia, mas ao ver aquela bailarina, rodopiando na melodia de Beethoven, senti que aquele era um presente especial.

Lógico que aos oito anos eu não sabia quem era Beethoven. Minha reação foi dizer:

–– Pai, essa não é a música do caminhão de gás?

Anos depois fui entender sobre a música e o bilhete que meu pai havia deixado dentro dela.

Pour Ana Beatriz

A mais simples das minhas mais complexas obras".



Parte dos rodopios da A bailarina da loja de tapetes - por Ana Corujo.


"Percebi que só podemos receber certas coisas quando há espaço. Achei que estava cem por cento aberta para aquela experiência. Mas na prática eu era uma excelente bailarina operacional, e só. Saber dançar, fazer passos perfeitos e certos, faz de mim somente uma boa bailarina mas apenas aquela que se entrega de corpo e alma consegue encantar e levantar o público. Para isso, é preciso estar envolvida, pensar além, criar... A nossa dose certa vem depois de transbordarmos muito, e eu precisava transbordar naquele universo de tapetes, pois só assim chegaria até mim."



quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fada ou arbusto?




- O que é que tem ali?
- Não tem nada, é um arbusto.
- Mas eu vi uma sombra se mexendo.
- É o vento das folhas, não é nada.
- E se for uma fada?
- Não é fada.
- E se for uma bruxa?
- Não e uma bruxa, fica quietinha agora , ou vai pra cama já.
- Seria tão bom se aparecesse uma fada aqui pra gente, né mãe?
- Seria. Agora sossega.

(Trecho do livro Mar de dentro -  Lya Luft)

Quando perdemos a magia? Quando paramos de acreditar?

Seria tão bom poder amadurecer sem perder o olhar da pureza sonhada das crianças. Quando deixamos de ser criança e passamos a ser rocha, céticos, marcados por arranhões? A culpa foi do tempo, da vida ou fomos nós que nos deixamos de castigo, para ficarmos assim?

Assim como? Assim..... duro, pesado, sem cheiro, sem cor, chatos, achatados... e não foi de propósito, foi sem sentir, não querendo, mas foi. Quando a gente viu, já foi, já é, ficou. Mas, não era assim, era? Não, não era... Mas ficou sem fada, fadado a isso até que a gente se pare e se junte ao que separa os livros dos contos de fadas de nós.  

Nós mulheres temos capacidade enorme de dar asas a imaginação a histórias ilusórias, ou que não vão dar em nada. Somos especialistas em imaginar o que passa na cabeça do homem, mesmo quando não está se passando nada, ele só não está muito a fim de conversar, e só, e só... sem legendas – pena que a gente nunca entende. Nesses casos ao invés de fadas, vemos monstros e assombrações tenebrosas, só para sofrer sem qualquer fundamento.

Substituímos a imaginação leve, infantil, pura – a nosso favor, pela pesada, aquela que nos boicota e totalmente do contra.  

Vou te contar um historia, outro dia confundi uma fada com um arbusto. A fada era a beleza de viver o melhor que se podia viver naquele momento, naquela viagem, naquele encontro ou reencontro, no programa de TV com a família, no sexo semanal. Já o arbusto atrapalhava a visão, podia ser mais verde, estar em outro lugar, ou não me custar mais dinheiro. Estava tão impaciente com aquele maldito arbusto, que jamais perceberia que ao invés de arbusto poderia ser uma fada... e nessa impercepcão da rotina a beleza da vida morreu prematura.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Uma ansiedade engarrafada


- Oi...
- Quem bate?
- Sou eu.
- Eu quem?
- A felicidade. Não reconhece mais a minha voz?
- Sim...
- Posso entrar?
- Não sei... tenho medo...

O que seriam os reencontros? Os desencontros que deram certo, os encontros que se perderam, uma forma de pedir um pouco mais, ou saudades vividas hoje?

Só se reencontra algo já encontrado e perdido. Essa perdição toda pode acontecer por motivos diversos ou adversos à sua vontade. Só a sua história vai saber. Assim como o medo ou a oportunidade que vem nessa segunda chance do encontro.

Um encontro perdido pode ser um desencontro. Assim como um encontro achado pode ser um reencontro. Perder, achar, se perder, encontrar. Um ioiô emocional que pode dar um nó. Sentimentos antigos, passados e congelados reaparecem para serem sentidos e vividos hoje, depois de você ter mudado tanto... simples, ou complicado?

Hoje não somos o que fomos ontem. E um encontro reencontrado hoje pode não ser sentido da mesma forma que poderia ser ontem, mesmo que tenhamos sonhado anos com isso. Pode ser maior, menor, melhor, pior, nada, ou apenas diferente por estarmos somente diferentes.

Um reencontro tem um sabor desconfortável. Pois vem com gosto de fel do medo e muitas vezes acompanhado de uma ansiedade engarrafada. Uma segunda perda ou uma segunda chance sempre terão a mesma probabilidade de acerto e erro da primeira. Talvez um pouco mais tendenciosa para os acertos, dado que alguns erros já deslizaram sobre a certeza de um belo encontro que se perdeu.

Quem vai saber a certeza de um futuro? Se eu soubesse, me chamariam de outra forma, e não teria forma, pois estaria além desse plano real e o real é o que de fato é, o que se pode tocar, viver, construir, o resto é crença de fé – o que se acredita que pode dar certo. E talvez a crença de fé seja o que eu e você estamos precisando para deixar reencontrar o que tanto procuramos...