terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A “Festa da Carne”

Terça-feira de Carnaval e é engraçado como 4 dias podem causar tantos impactos na vida pessoal, social, comercial, emocional e econômica. O período de Carnaval é um divisor de águas para muitas coisas, onde há tempos seu propósito: marcar as restrições da quaresma através de dias de liberdade com a festa da carne - ficou ou não no esquecimento. Bom, a festa liberta da carne, com certeza não caiu no esquecimento, aliás se proliferou por todo ano; não dando nem tempo para qualquer tipo de quarentena.

Longe de mim ficar explicando a origem do Carnaval e seu propósito Cristão, porque se Jesus Cristo fosse hoje a Salvador, aí aí acho que até ele se perdia! Até porque, poderia jurar que não era ele, mas sim alguém fantasiado dele.

O Carnaval tem uma magia lúdica, colorida e magnetizante, que somada ao espírito Brasileiro - não Cristão, tomou essa proporção, diferentemente de muitos países.

A festa toma conta das cidades e arrasta milhões de foliões pelas ruas. O Carnaval tem poderes que até ele mesmo desconhece, onde mulheres e pessoas se preparam o ano inteiro como uma profissão. Namoros, relacionamentos terminam, ou começam. Comércios sobrevivem. Pessoas morrem, ou são geradas. Histórias, risadas, viagens, amizades, amores, músicas, passam a existir. Mentiras, verdades e frustrações acontecem. E até o próprio calendário anual é guiado pelo Carnaval. Enfim, essa pequena-grande festa gera um “samba” e tanto em nossas vidas!

Para cada pessoa o Carnaval tem um peso – uma representatividade. Para uns é quase um exorcismo, sinônimo de luxúria, liberdade, curtição até a última gota. Para outros, oportunidade de relaxar, aproveitar essa energia magnética contagiante para recarregar as energias de outra forma. Não existe regra, mas querendo ou não todos se preparam para o Carnaval. Ele faz parte de nós brasileiros. Até os desgarrados que estão fora, em lugares sem Carnaval, sofrem nesse período por estarem longe, ou dão um jeito de estarem perto.

Não dá para não se contagiar com a alegria, com a energia positiva, com a festa, confete e serpentina. O Carnaval tem música, som, forma, cor, cheiro e muita gente feia. Nossa! Como tem gente feia! Mas, mesmo foliando no maior banheiro público do mundo, misturado com gente feia, ao som de marchinhas da “era do ronca”. O Carnaval tem a capacidade de nos fantasiar, transbordar almas, e transformar gente feia em “meu bem”, cheiro de xixi em aroma do campo, marchinhas em mantras, Salvador em Ibiza (mais caro é claro!) e até Búzios em Malibú.

Como diz o comercial da Skol, Carnaval é para “bobos”, para rir da vida. E, se você não vai esticar semana a dentro; sinto lhe dizer, meu caro: que a folia acabou e amanhã é dia de juntar as cinzas da carne, da liberdade, da ressaca alcoólica e moral - para de quarentena ou não “começar” o ano.

Mas antes disso, só aqui entre nós: “Foi bom para você?”

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

“Sra. Culpa”


Prazer, sou a “Sra. Culpa”. Luto contra ela, busco evitar, aceitar, não olhar, mas a culpa sempre está lá, ou melhor cá, dentro de mim. Parece uma sombra que acompanha dia e noite, noite e dia. Mesmo não querendo, ela acorda comigo e dorme comigo – prisioneira de mim e eu dela.

Para os dicionários, a culpa causa danos a outros, porém em muitos casos a culpa causa grandes danos a nós mesmos. Um enorme sofrimento, simplesmente por se tratar de algo de nosso comportamento que reprovamos ou permitimos. Por exemplo, em muitas situações se digo “não”, sinto culpa e se digo “sim” também sinto culpa. Se faço algo que “não quero” sou danosa comigo, e se não faço, sou danosa com a outra pessoa ou com a situação.

Entramos então, na questão da consciência moral pessoal (conjunto de condutas), onde achar essa linha tênue entre o “sim” e o “não” sem culpa - no meu caso, representaria a carta de alforria para a paz de espírito. Tomar qualquer ação, aparentemente certa dentro de um conceito com culpa de nada vale.

Mas, por que sentimos tanta culpa?

Juro que ainda estou tentando descobrir, e talvez eu gaste mais “um carro” em terapia para lidar com isso. De qualquer forma, imagino que almas como a minha também sofram da síndrome da “Sra. Culpa” aqui.

Para ilustrar, aqui vai um simples exemplo de uma Segunda-feira qualquer......

Despertador toca e não consigo acordar para ir à academia, pois culposamente dormi tarde no domingo, mesmo sabendo que nunca vou conseguir dormir cedo aos domingos. Não acordando para ir à academia, culposamente fico me sentindo uma fracassada sem força de vontade, pois comi exageradamente com culpa no final de semana e tinha que ir a academia, para tentar queimar um pouco a culpa calórica. Para amenizar, juro para mim mesma que vou à noite – e assim, adeus culpa!

O dia passa, e culposamente não esqueço que é o dia internacional da dieta, mas se não resisto a uma batatinha frita no almoço, ou o chocolatinho do café, mais culpa sinto por estar, duplamente, triplamente ou sei lá quantas vezes “mente” - não disciplinada.

Na volta do almoço culposo, se me deparo com letreiros promocionais nas lojas e não resisto a mais algumas comprinhas, a sensação de prazer e felicidade logo é abduzida pelo sentimento de culpa, pois também já gastei mais de um ou dois carros com comprinhas e mais comprinhas sem qualquer necessidade. Mas, tudo bem, você pensa- com culpa: dinheiro está aí para isso!

Hora de voltar ao trabalho, pois já é tarde e se você não produziu o que deveria pela manhã culposamente começa a correr contra o tempo e a cabeça não pára com o blá blá blá de devia ter feito isso, não devia ter feito aquilo e etc fica a martelar. Felizmente a rotina do trabalho faz você produzir, evoluir, aprender. Ocupa os pensamentos, mas também traz um stress natural. Aí no meio de tantas tarefas, atribuições, você comete um errinho, ou errão, ou sei lá - e mesmo sabendo que só erra quem faz, você se sente culpado por ter sido desatento, não ter planejado melhor, não ter feito isso ou aquilo e novamente a cabeça não para e o blá blá blá culposo mental - temporariamente esquecido volta. No meio disso tudo, sua mãe liga – não sei por que as mães têm essa incrível capacidade de ligar nos “melhores” momentos do dia - e por sentido natural, aí sem qualquer culpa, você desconta naquela ligação de um minuto todo esse descontentamento. Passado este minuto não culposo, lá volta ela a “Sra. Culpa” te fazendo sentir o pior dos filhos.

O dia passa a noite chega e você não fez nada exatamente como gostaria, ou queria. Mas mesmo tendo feito 458 mil outras coisas até positivas, ou mais produtivas, você não consegue olhar e não sentir culpa por não ter feito muitas coisas que deveria, e ou queria – onde uma delas era: ir à academia!!!

Ok! A semana está apenas começando, você se enche de otimismo, afinal o que é um dia para quem tem uma vida inteira? E resolve ir dormir cedo, para fazer tudo certinho no dia seguinte, pois a vida nos dá essa incrível capacidade todos os dias – a de recomeçar. Só que você começa a pensar no que precisa fazer, pois deixou para fazer amanhã o que deveria ter feito hoje, e o blá blá blá culposo mental volta – mais uma vez. As horas passam, você rola de um lado para o outro e acontece o quê? O mesmo na terça-feira!

Particularidades a parte. A bola de neve da “Sra. Culpa” sempre será assim se não colocarmos a plaquinha do STOP!!!!! E é por isso que agora resolvi dar um basta e às 23 horas tomo meio Lexotan, às 10 am – 10 mg de sibutramina, não saio mais na hora do almoço, às 17h mais 10 mg de sibutramina. E assim saudavelmente e sem qualquer contra-indicação, durmo que nem um bebê, resisto a qualquer caloria, fico cheia de energia para produzir e malhar e consigo até ser simpática com a minha mãe numa ligação durante o dia! Mas, se os sintomas persistirem, procurem-me um médio... psiquiatra!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O que você faria?


Nada como juntar um grupo de amigos em algum bar para as histórias mais peculiares virem à tona. Num curto espaço de tempo, ou de horas, ou de litros de cerveja, o festival das bizarrices vividas, por você, eu, fulano, sicrano e até seres lendários ou imaginários, é iniciado como se fosse uma competição surrealista de pegadinhas do Faustão (isso ainda existe?).

Esta semana não poderia ser diferente. O campeonato “Escuta essa!” teve como ganhadora a seguinte história:

Um homem na faixa dos seus 30 e alguma coisa anos; nem rico - nem pobre, nem nobre - nem “proleta”, nem culto - nem burro; queria impressionar uma super interessante mulher em um jantar a dois. Fez o dever de casa e a dica passada foi: “Leve-a para jantar no Hotel Fasano”. O homem, nem lá – nem cá, achou que a super interessante mulher merecia esse tipo de investimento e lá eles foram para seu primeiro e impressionante encontro. Papo vai... papo vem... pratos escolhidos, mas a carta de vinho de “450 páginas” (que só esses lugares com uma bela enoteca têm), fica nas mãos do nem lá nem cá homem. Até porque, nem ele mesmo sabia onde queria estar com as mãos e olhos.

Vinho escolhido e a noite fluía bem até a vinda do maître: “O senhor vai querer este vinho, mesmo?”. Sem pestanejar, ele: “Claro!” e continuou o papo com a super interessante mulher. Passado um tempo volta o maître com mais um garçom: “Senhor, o vinho já está no ponto, posso mandar abrir a garrafa?”, ele: “Claro!” e continuou o papo com a super interessante mulher. O maître: “Senhor, estamos abrindo a garrafa”. Irritado, o nem lá nem cá homem, quase falou: “Abre logo a porra dessa garrafa!”, mas sorriu e agradeceu ao atencioso maître, que e finalmente abriu a garrafa!

Vinho suave, mas nada demais, comida gostosa, mas nada demais e a super interessante mulher depois de algumas horas se apresentou como nada assim tão demais também. O nem lá – nem cá homem até pensou em pedir outra garrafa, mas aquela saída já estava de bom tamanho! E apesar de nada assim tão demais, valeu o programa e quem sabe até uns beijos (coisa que ainda não tinha rolado).

A conta é pedida e prontamente o maître a entrega nas mãos do nem lá – nem cá homem, que ao abrir se depara com o valor: R$14.320,50! Isso mesmo, quatorze mil e trezentos e vinte reais e cinqüenta centavos!

Pálido, o nem lá – nem cá homem, agora mais para lá do que para cá, chama o maître:

- Desculpe, mas deve haver algum engano nesta conta!
- Não senhor.
- Como não?
- Senhor, o vinho escolhido foi de uma safra rara, um dos mais caros da casa.
- Como assim? Eu escolhi um vinho de R$140,00!
- Desculpe senhor, mas o vinho escolhido custa R$14.000,00. O senhor deve ter visto errado. Por isso até viemos nos certificar de sua escolha, pois os grandes degustadores costumam seguir um ritual, perguntar sobre a história do vinho, ou mesmo contá-la.... mas, a partir do momento que o senhor nos autorizou a abrir a garrafa, abrimos.

Naquele momento, o mundo parou, e o nem lá – nem cá homem caiu em prantos como uma criança. Como se tivesse levado um tiro no peito. E sem qualquer reação ali ficou parado e chorando em pratos. Ali ficou também, sem qualquer reação, o maître e a não mais super interessante mulher.

Aí eu pergunto: O que você faria em uma situação como essa?

Confesso, que eu literalmente não sei! Mas, primeiro agradeci a Deus por ser mulher, pois numa situação como essa no máximo poderia comentar: “Poxa, ao invés de termos tomado este vinho, podíamos ter ido a Europa”. Mas, como não sou tão má assim, jamais falaria isso! E depois pensei: Ainda bem que nesse botequim o chopp mais caro custa R$3,80!!

*Obs: A conta foi paga.

Meu Mantra

“Ham-sa” - Eu sou isso.
Inteira, quadrada, redonda, enrolada.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Atrasada, antecipada, complicada, relaxada.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Agui-doce, ácida, apimentada, destemperada.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Avançada, engraçada, desconfiada, estressada.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Dama, puritana, mundana, putana.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Certa, errada, incerta, esperta.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Nobre, brega, popular, singular.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Brisa, furacão, vulcão, trovão.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Silêncio, alarme, música, grito.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Autêntica, plágio, verdadeira, falsa.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Vício, doença, cura, loucura.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Amor, ódio, paixão, solidão.
“Ham-sa”- Eu sou isso.
Menina, mulher, bem me quer, mal me quer.
“Ham-sa”- Eu sou isso.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Empacotando a Utopia


Outro dia estava conversando com alguém muito especial, aliás, mais do que especial que me disse: “Ana, às vezes acho que o que você está buscando é uma utopia”. Falávamos de um assunto pontual e na hora pensei: “Helllooo pessoa mais do que especial, eu só quero ser, ou me sentir mais feliz. Que utopia há nisso?”

Confesso que o que ouvi na hora não fez muito sentido para mim, até porque na hora o comentário soou como um acomode-se! Mas, de qualquer forma aquela palavrinha Utopia, não saía da minha cabeça. Por que querer mais pode ser uma concepção irrealizável, fantasia, ou um lugar que não existe?

Passei alguns dias digerindo aquela informação e comecei a ver sentido naquela frase, não só no assunto pontual, mas em um contexto maior. Realmente a utopia em alguns casos explica e consolida a síndrome da insatisfação - síndrome em crescimento exponencial no mundo atual. Pessoas que tem tudo para serem felizes e que teimam em não ser. Problemas, desilusões, stresses, sempre existirão. Problemas de família, de trabalho, de cabeça, de amor, de relacionamentos, fazem parte do nosso dia-a-dia comum.

Em todos os “pacotes” da vida existirão percalços e imperfeições. Alguns podem ser resolvidos, outros nem tanto – mas, administráveis. Os não toleráveis aí sim, devemos pesar e pensar no que fazer. Porém, muitas vezes pegamos um “pacote” cheio de bônus e só focamos nos “ônus”, e passamos a querer e a idealizar outros “pacotes”- aparentemente melhores. Achamos que merecemos mais e que não podemos estar felizes, ou aceitar que estamos felizes com o(s) “pacote(s)” atual(is). Será que isso é o que chamamos aqui de utopia?

Comecei a entender o que essa pessoa mais do que especial queria me dizer: “Ana Flávia você já é feliz, para quê ser mais agora? Curta isso!”. Esse entendimento me fez lembrar uma peça de humor “Nós na fita”, que contava uma história de um cara que morreu tentando bater o próprio recorde! E os atores ironizavam, dizendo que o cara merecia morrer pela burrice. Para quê ele precisava bater um recorde que já era dele?

Por conta da ansiedade, muitas vezes vivemos nessa função de bater nossos próprios recordes! E muitas vezes somos benevolentes com os outros e “Hitler” com nós mesmos. Nos sufocamos até ter certeza que não estamos felizes e que precisamos fazer, ter e ser - mais e mais, para aí sim encontrar a felicidade. Só que nessa corrida “atrás do rabo” utopicamente não a encontramos, pois sempre ficará faltando alguma coisa.

Resolvi parar... é parar. Coloquei todos os meus “pacotes” em cima da cama e os abri. Olhei, um a um sem misturar as coisas – pois é típico descontar ou transferir um “pacote” para outro, ou outros. Analisei todos com seus ônus e bônus. E, excluindo as conclusões que não cheguei, entendi que: não se tem tudo num “pacote” só; que a felicidade não está nos pacotes, mas sim dentro de nós - é só querer enxergar; que muitas vezes vamos precisar de tempo para chegar a alguma conclusão; e que na vida podemos aplicar o método, ou ferramenta de melhoria contínua GUT (Gravidade Urgência e Tendência), pois o que não for Grave, Urgente e Tendencioso hoje, foda-se!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Páginas em Branco para 2009

Toda vez que vou escrever, abro uma página em branco. Muitas vezes nem percebo que a página está em branco, porque já chego cheia de idéias, textos, vivências e pensamentos digeridos, prontos para ganhar forma em palavras - quase como se tivessem vida própria. Outras, olho, olho, olho para a página em branco e ela fica lá, horas sem uma frase se quer. Às vezes até tenho o assunto em mente, pesquisas e os sentimentos no peito, mas falta à vontade; aquela inspiração que faz toda diferença e dá a “bossa” ou o sentido da idéia principal. Quando isso acontece; ou espero a inspiração chegar - ter “o click”, ou começo a escrever quase que como um esforço, até a forma aparecer e as idéias tomarem sentindo. Leio, releio, apago, refaço.... às vezes até desisto e deixo “aquele” texto de lado e começo outro, ou tudo de novo - e nem sempre fica bom.

Hoje me dei conta que 2009 começou - e resolvi pensar sobre isso. E Você? Já se deu conta que o ano começou? Como o lindo texto do Tempo de Carlos Drummond de Andrade - que aliás, recebi várias vezes em mensagens de fim de ano - Alguém resolveu cortar o tempo em fatias e dar o nome de ano e esse mesmo alguém genial, nos deu mais 12 fatias de tempo - de novo! E vamos ter que fazer alguma coisa com isso, ou com ele. Já pensou também, que o tempo estar dividido em fatias pode não ter diferença alguma para mim, ou para você, pois o tempo de “nossas” vidas pode ser até atemporal?

Bom, para os que estão achando que usei drogas e comecei a escrever esse texto, fiquem tranqüilos! Não usei, ou uso drogas, muito menos sou a favor delas e de sua liberação. Confesso, que tenho minhas manias e vícios, mas nada que dariam origem ao parágrafo anterior, e sim a crônicas sobre compulsão feminina, estouro no cartão de crédito, como emagrecer em 5 dias e engordar em 1 - entre outras do gênero. Mas, a sensação que tenho é que para mim 2009 começou como uma página em branco. Olho para ela, ela olha para mim e fico meio sem saber ainda o que fazer. Percebo que tudo pode acontecer, inclusive o nada da “mesmice” de sempre.

Aí você pensa ironicamente: “Nossa! Que texto animador para início de ano!”.

Animador sim! Não é uma maravilha você olhar para uma página em branco e escrever a história da sua vida do seu jeito, ou de sua deliciosa rotina? A página em branco pode ser todo dia, pode ser dividida em fatias. A inspiração pode chegar em janeiro para algumas coisas, em maio para outras e a transformação só lá em dezembro, ou nunca. Por isso, que digo que o nosso tempo muitas vezes é atemporal.

Mas, para mim aos pouquinhos, quase como um esforço, percebo que em 2009 quero deixar alguns textos da minha vida lá no arquivo das lembranças ou no "Top 10", outros ainda inacabados, alguns ainda para reler, outros para acabar, uns para esquecer, outros para jogar fora... mas, muitos, muitos completamente em branco e abertos para deixar fluir toda a inspiração, sentimento e vontade que existir dentro de mim. E que 2009 siga com muitas novas páginas – coloridamente escritas por nós!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Momentaneamente Particular

Final do ano chegou, e 2008 passou como um “flash” para você? A cada ano tenho a sensação que o tempo passa mais rápido, fica mais curto. Será? Ou somos nós que quando vamos amadurecendo, crescendo, as responsabilidades, obrigações, administrações e atribuições vão aumentando e por isso, o tempo parece ficar menor? Não sei... quando éramos pequenos, nosso único compromisso era brincar, aí crescemos, passamos a fazer malabarismos para viver, construímos família e tal e aí vem a velhice, onde muitas vezes o compromisso é em esperar o tempo passar para tudo acabar.

Cíclico ou não, só sei que estou na fase de que a vida está passando muito rápida; e não tem como chegar a mais um final de ano e não fazer aquela retrospectiva e “balanço”: se foi bom, se realizamos o que havíamos planejado, se tivemos conquistas, se foi cumprida a obrigação desse ano ter sido melhor que o ano passado e assim sucessivamente, ou “passadamente”.

Bom, a conclusão que chego, é que 2008 foi, ou ainda está sendo, exatamente como deveria ser: o resultado das ações realizadas ou não por nós, ou melhor, por mim - assim como todos os anos que foram e que virão. Nossa história é construída por nós mesmos, somos 100% responsáveis por ela – e isso pesa. Tudo bem, que a vida não é totalmente previsível ou controlável, pelo contrário, mas também seria “muito chata” se fosse, não seria? Se bem que pensando melhor ser “Deus”, não seria nada mal.... não é mesmo?

Muitas coisas na vida são inerentes a nossa vontade e por isso, temos dificuldade em lidar – normal. Mas, creio que uma de nossas missões no mundo, talvez a principal, é viver uma vida feliz que escolhemos viver, e/ou aprender a ser feliz com uma vida que não escolhemos viver. Não estou dizendo se contentar com pouco, acomodar e achar que “Deus” é a estrela guia de tudo. Mas, muitas coisas precisamos aceitar sim e seguir. Não escolhemos perder pessoas queridas, não ter um amor correspondido, ou ter deixado de viajar por que o carro quebrou. Acontece e nem sempre “vira Manchete”, por isso, meu caro amigo, buscar ser feliz com as “inerências” da vida é um aprendizado necessário.

A cada dia, mês, ano que passa, vivências, experiências acontecem, construímos a nossa evolução natural. Salvos as exceções da “regressão inatural”; a evolução natural, ou maturidade é maravilhosa! Diria até, que é como se fosse construir a nossa casa própria... um tijolinho aqui, outro ali, uma varanda maior, ou um “puxadinho” - que com o tempo vai ficando cada vez mais com a nossa cara, jeito e estilo. Lógico, que quando a gente constrói nossa própria casa, existem algumas imperfeições, rachaduras e marcas.... mas, nada que não podemos conviver com elas, pelo contrário – são muitas vezes a base dessa enorme identidade arquitetônica. Antes a casa “torta” construída do que o sonho da casa perfeita pendurada numa parede vazia e sem cor.

Talvez por isso, que para mim, todos os anos são melhores que os anteriores, pois a cada ano me sinto, me construo, reconstruo, ou desconstruo - para ser melhor, viver melhor, e com paz de espírito. Um dia chego lá, pois essa tarefa não é nada, nada fácil - ainda mais para uma geminiana frenética! O ano pode pode ter sido mais difícil que outros, mais duro. Pode ter dado tudo errado, trazido grandes perdas e muito sofrimento. Mas, se conseguimos incorporar a sabedoria do aprender a ser feliz com o que você não escolheu viver, percebemos que somos donos da nossa felicidade e descobrimos que ela não estava lá fora como às vezes achamos, mas sim cá, dentro de nós.

Denso tudo isso, né? Pois é.... mas, vida é assim, “complicada e perfeitinha” e por isso, precisamos tentar levá-la de forma mais leve.

Deixando a densidade de lado e independentemente da nota final de 2008, procure guardar na sua caixinha de lembranças do ano: o melhor momento que você viveu, o melhor beijo que você deu, a melhor transa que você teve, a melhor chuva que você tomou, a risada mais gostosa que você deu, o melhor “eu te amo” que você ouviu, o melhor “eu te amo que você disse”, o melhor fora que você falou, a melhor surpresa que você teve, a melhor vigem que você fez – que muitas vezes não foi aquela para Paris, ou Grécia, mas sim um final de semana chuvoso em Búzios. O melhor livro que você leu, a melhor noite entre amigos, a música que foi sua trilha sonora, o melhor filme que você assistiu, o melhor vinho que você tomou, o melhor amor que você viveu, o melhor cheiro que você sentiu, o melhor dia de trabalho que você teve, o melhor “happy hour” que rolou, o dia que você se sentiu mais bonito(a), a melhor festa que você foi, a melhor vista que você viu, o dia que você mais se orgulhou de si, o melhor abraço que você recebeu, o melhor presente que você ganhou, a situação mais inesperada que aconteceu, o melhor “não” que você disse, o melhor “vai para PQP” que você mandou, a maior gafe que você cometeu, a melhor poesia que você escreveu, o melhor show que você foi – que pode ter sido Madonna, Michael Bubleu, Madeleine Pierrot, ou o de Victor & Léo – meu caso.

Enfim.... os melhores momentos de 2008 da sua vida foram assim, particularmente seus. Podem ter sido como um “flash”, com tempo, complicado, descomplicado, com emoção e até em vão - mas, foram exatamente como foram. E que venha 2009 para mais novos e coloridos “nossos” melhores momentos!