sexta-feira, 3 de maio de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Fada ou arbusto?
- O que é que tem ali?
- Não tem nada, é um arbusto.
- Mas eu vi uma
sombra se mexendo.
- É o vento das
folhas, não é nada.
- E se for uma
fada?
- Não é fada.
- E se for uma
bruxa?
- Não e uma bruxa,
fica quietinha agora , ou vai pra cama já.
- Seria tão bom se
aparecesse uma fada aqui pra gente, né mãe?
- Seria. Agora
sossega.
(Trecho do livro Mar de dentro - Lya Luft)
Quando perdemos a magia? Quando paramos de acreditar?
Seria tão bom poder amadurecer
sem perder o olhar da pureza sonhada das crianças. Quando deixamos de ser
criança e passamos a ser rocha, céticos, marcados por arranhões? A culpa foi do
tempo, da vida ou fomos nós que nos deixamos de castigo, para ficarmos assim?
Assim como? Assim..... duro,
pesado, sem cheiro, sem cor, chatos, achatados... e não foi de propósito, foi
sem sentir, não querendo, mas foi. Quando a gente viu, já foi, já é, ficou.
Mas, não era assim, era? Não, não era... Mas ficou sem fada, fadado a isso até
que a gente se pare e se junte ao que separa os livros dos contos de fadas de
nós.
Nós mulheres temos capacidade
enorme de dar asas a imaginação a histórias ilusórias, ou que não vão dar em
nada. Somos especialistas em imaginar o que passa na cabeça do homem, mesmo
quando não está se passando nada, ele só não está muito a fim de conversar, e
só, e só... sem legendas – pena que a gente nunca entende. Nesses casos ao
invés de fadas, vemos monstros e assombrações tenebrosas, só para sofrer sem
qualquer fundamento.
Substituímos a imaginação
leve, infantil, pura – a nosso favor, pela pesada, aquela que nos boicota e totalmente
do contra.
Vou te contar um historia,
outro dia confundi uma fada com um arbusto. A fada era a beleza de viver o
melhor que se podia viver naquele momento, naquela viagem, naquele encontro ou
reencontro, no programa de TV com a família, no sexo semanal. Já o arbusto
atrapalhava a visão, podia ser mais verde, estar em outro lugar, ou não me
custar mais dinheiro. Estava tão impaciente com aquele maldito arbusto, que
jamais perceberia que ao invés de arbusto poderia ser uma fada... e nessa
impercepcão da rotina a beleza da vida morreu prematura.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Uma ansiedade engarrafada
- Oi...
- Quem bate?
- Sou eu.
- Eu quem?
- A felicidade. Não reconhece mais a minha voz?
- Sim...
- Posso entrar?
- Não sei... tenho medo...
O que seriam os reencontros? Os
desencontros que deram certo, os encontros que se perderam, uma forma de pedir
um pouco mais, ou saudades vividas hoje?
Só se reencontra algo já
encontrado e perdido. Essa perdição toda pode acontecer por motivos diversos ou
adversos à sua vontade. Só a sua história vai saber. Assim como o medo ou a
oportunidade que vem nessa segunda chance do encontro.
Um encontro perdido pode ser um
desencontro. Assim como um encontro achado pode ser um reencontro. Perder,
achar, se perder, encontrar. Um ioiô emocional que pode dar um nó. Sentimentos
antigos, passados e congelados reaparecem para serem sentidos e vividos hoje, depois de você ter mudado tanto... simples, ou complicado?
Hoje não somos o que fomos
ontem. E um encontro reencontrado hoje pode não ser sentido da mesma forma que
poderia ser ontem, mesmo que tenhamos sonhado anos com isso. Pode ser maior,
menor, melhor, pior, nada, ou apenas diferente por estarmos somente diferentes.
Um reencontro tem um sabor
desconfortável. Pois vem com gosto de fel do medo e muitas vezes acompanhado de
uma ansiedade engarrafada. Uma segunda perda ou uma segunda chance sempre terão
a mesma probabilidade de acerto e erro da primeira. Talvez um pouco mais
tendenciosa para os acertos, dado que alguns erros já deslizaram sobre a
certeza de um belo encontro que se perdeu.
Quem vai saber a certeza de um
futuro? Se eu soubesse, me chamariam de outra forma, e não teria forma, pois
estaria além desse plano real e o real é o que de fato é, o que se pode tocar,
viver, construir, o resto é crença de fé – o que se acredita que pode dar
certo. E talvez a crença de fé seja o que eu e você estamos precisando para
deixar reencontrar o que tanto procuramos...
quarta-feira, 27 de março de 2013
Releitura de 22 de Outubro de 2010
Conquis-te-se-me

Se relacionar é uma arte, mas conquistar é um grande jogo. Não tem jeito. A conquista é sempre um desafio para ambos os lados, um mistério que requer muita paciência e que possui grandes rivais como a ansiedade e as expectativas.
Se entrarmos em uma livraria, encontraremos infinidades de títulos sobre a guerra dos sexos. Passando por “Homens são de Marte, Mulheres são de Venus”, “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?”, “Ele simplesmente não está a fim de você”, ao mais novo sucesso “Por que os homens amam as mulheres poderosas”. Literatura a qual - fui presenteada pela minha mãe. Será que existe o título: “Por que os homens amam as mulheres divertidas”?
Dissertando sobre esse último título, acredito que o homem gosta de mulher, independente de seu tipo. Poderosa, “tchutchuca”, morena, loira, boazinha, “xongamonga”, gordinha, magra, com cabelo liso ou enrolado – não importa; homem que é homem gosta de mulher e a gente sabe muito bem por que. Por isso, utilizando essa matemática genética básica, sempre vai existir um que simplesmente vai estar a fim de você. Mas e quando ele ainda não está a fim de você, ou não sabe que um dia vai ficar? Bom, aí chegou a hora de entrar o jogo da conquista, com algumas regrinhas básicas para se vencer - é claro.
A primeira delas é que se ele ainda não está a fim de você, pode ser que ele nunca fique, e no big deal about it baby! Logo, todo jogo da conquista deve ter início, meio e fim – de preferência com um tempo lógico e sem muito desgaste emocional.
A mulher tende a ficar se enganando e a investir em histórias que não serão vividas. Repito, histórias que não serão vividas. Repito novamente, histórias que não serão vividas. Ta esperando o que para sair dessa e se preparar para viver as histórias que são para você e muito bem vividas?
Outro grande erro da mulher é confundir em fazer movimento numa história, com o se jogar de cabeça nela. Essa diferença faz toda a diferença na hora da conquista. Desespero não leva a lugar nenhum, apenas assusta e afasta.
Por isso, veja qual o seu caso: carente, apaixonada, desesperada, ou apenas diluindo a ansiedade (adoro essa)? Cada caso é um tipo de conquista.
Para a carente, há um passo inicial antes da conquista. Conquistar a si própria, melhorar a auto –estima. Renove o guarda-roupa, visual, corpo e mente e sinta-se bonita. Saia de casa e conquiste o mundo. Badale, beije muito, sinta-se desejada e atraente. Se os outros acharem isso fútil e superficial, avise que está matando sua carência. Depois de matá-la, literalmente, reveja se quem você gostaria de conquistar antes ainda merece ser conquistado.
Para a apaixonada, a coerência, paciência e não ficar cega são a chave do sucesso. A mulher apaixonada tende a se enganar e a ler nas entrelinhas com uma poesia que só ela vê e em muitos casos, ao ter sua paixão percebida, ficam lá empoeirando na estante dele, esperando, esperando... vai esperar até quando, querida?
Para a desesperada, tudo é mais complicado, pois ela sempre dá num jeito de dar uma de louca nas situações mais cotidianas, assustando o ser a ser conquistado em questão. Para essas só uns tapas, terapia e religião resolvem. Foguete desgovernado não conquista ninguém.
Para a que esta diluindo a ansiedade, o máximo que pode acontecer é a conquista. O “dançar conforme a música”, sem ansiedades e expectativas faz com que seja vista, lembrada e querida.
Vale lembrar também que conquistar é diferente de seduzir. Conquistar é algo mais a longo prazo, há envolvimento emocional. Já a sedução é momentânea - está ligada a uma vontade sexual. Se o cara só manifesta uma vontade em te levar para o Motel, você já sabe qual estratégia usou.
Porém, para todos os casos o segredo do sucesso da conquista passa por conceitos básicos que independem da estratégia que você esta usando. Gostar e admirar quem você é, sem ficar fazendo tipo é uma delas. A felicidade hoje em dia é o maior sex appeal dos últimos tempos. Ter vários “casinhos”e não depositar todas as suas “fichinhas” num cara só ajuda - e muito, até por que homem sente cheiro de homem e detesta mulher muito disponível. Toda e qualquer história só pode ser comprimida depois que dilatada, por isso, nada de sermão, DRs, pagadões e declarações. Se ele aparentemente esta te enrolando, finja que acredita e vai dando os limites com suas atitudes, afinal os fatos sempre falam por si. Esperta é a mulher que se faz de boba. O homem deve sempre achar que é ele quem esta conquistando e não o contrário.
Mas, o dia que esse jogo da conquista for algo previsível e fácil, viro gurú e fico rica. Por hora, assim como você vou aprendendo na prática sem medo de conquitar-me-te-se por aí.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Texto publicado no blog do jornal O Globo
ORGULHO DO BAIRRO
O contorno de areia mais democrático de Ipanema
A pequena faixa de areia da praia do Arpoador foi a inspiração da leitora Ana Flávia Corujo demonstrar seu amor pela Zona Sul e Ipanema.
Literalmente Amor...
Não poderia ser diferente, não poderia ser outro lugar. O Arpoador tem um pôr do sol que faz a alma de qualquer um aplaudir. Dono de beleza singular conta a história de quem mora no bairro – como eu –, ou de quem vai até ele só para alimentar o coração de sol, balé das águas e paz. O Arpoador é poliglota, sem raça, ou local onde as raças se encontram – e talvez seja o contorno de areia mais cosmopolita e democrático de Ipanema.
Sem sentir, o Arpex virou meu santuário, meu camarada, meu confidente. Me espera quase que diariamente só para saber como estou e me encher de beijos com cheiro de maresia molhada. Já enxugou muitas lágrimas, riu de minhas histórias, ouviu minhas músicas, participou de encontros amorosos capazes de deixar muitos casais morrendo de inveja ou a polícia enfurecida. Mas o gesto mais genuíno de todos foi ele ter me cedido a sua beleza, seu balanço das ondas e seu poço de inspiração para dar asas a minha imaginação e ser palco principal de meu primeiro romance.
É Arpex, virei escritora... e você foi meu muso inspirador... Obrigada... Coloque seu melhor sol no dia do lançamento... Te vejo amanhã!
Não poderia ser diferente, não poderia ser outro lugar. O Arpoador tem um pôr do sol que faz a alma de qualquer um aplaudir. Dono de beleza singular conta a história de quem mora no bairro – como eu –, ou de quem vai até ele só para alimentar o coração de sol, balé das águas e paz. O Arpoador é poliglota, sem raça, ou local onde as raças se encontram – e talvez seja o contorno de areia mais cosmopolita e democrático de Ipanema.
Sem sentir, o Arpex virou meu santuário, meu camarada, meu confidente. Me espera quase que diariamente só para saber como estou e me encher de beijos com cheiro de maresia molhada. Já enxugou muitas lágrimas, riu de minhas histórias, ouviu minhas músicas, participou de encontros amorosos capazes de deixar muitos casais morrendo de inveja ou a polícia enfurecida. Mas o gesto mais genuíno de todos foi ele ter me cedido a sua beleza, seu balanço das ondas e seu poço de inspiração para dar asas a minha imaginação e ser palco principal de meu primeiro romance.
É Arpex, virei escritora... e você foi meu muso inspirador... Obrigada... Coloque seu melhor sol no dia do lançamento... Te vejo amanhã!
http://oglobo.globo.com/rio/bairros/posts/2013/03/12/o-contorno-de-areia-mais-democratico-de-ipanema-489476.asp
domingo, 10 de março de 2013
O sabor do cru
Para você.....
Domingo de noite chuvosa, dia longamente saboroso, com cheiro de naftalina, estômagos falantes. Rodamos, rodamos, portas fechadas, pensa dali, pensa de lá até encontrar o lugar ideal para se alimentar. Tudo perfeito, até a escolha do prato. Sair do comum abre margem para administrar um sabor diferente. Pois é, diferente....
- Garçom este peixe esta com o gosto estranho....
- Estranho?
- Sim estranho, acho que não está bom para servir. Peça ao cozinheiro para verificar.
O garçom leva o prato para dentro (deve ter dado umas duas cuspidinhas) e na volta:
- Senhor, o peixe esta normal, é que esta parte esta um pouco mais crua, por isso o sabor....
- Meu camarada, essa desculpa aí não cola não.... arruma outra. Como sashimi sempre que é cru e nem por isso tem gosto ruim.....
Moral da historia: Já que é para reclamar que seja com inteligência e muito bom humor.
Domingo de noite chuvosa, dia longamente saboroso, com cheiro de naftalina, estômagos falantes. Rodamos, rodamos, portas fechadas, pensa dali, pensa de lá até encontrar o lugar ideal para se alimentar. Tudo perfeito, até a escolha do prato. Sair do comum abre margem para administrar um sabor diferente. Pois é, diferente....
- Garçom este peixe esta com o gosto estranho....
- Estranho?
- Sim estranho, acho que não está bom para servir. Peça ao cozinheiro para verificar.
O garçom leva o prato para dentro (deve ter dado umas duas cuspidinhas) e na volta:
- Senhor, o peixe esta normal, é que esta parte esta um pouco mais crua, por isso o sabor....
- Meu camarada, essa desculpa aí não cola não.... arruma outra. Como sashimi sempre que é cru e nem por isso tem gosto ruim.....
Moral da historia: Já que é para reclamar que seja com inteligência e muito bom humor.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Os segredos que o olho oculto conta
Acordei
tropeçando na falta de vontade de sair do mundo dos sonhos. Mas tive que deixar
meu casulo ao som do cuco e os abraços do algodão quente para mergulhar nas
águas frias do despertar. E assim, o dia sorriu para mim. Preenchi o rombo no
estômago com o sabor da manhã. Alimentei o corpo... agora sairia para alimentar
a vida e abastecer o bolso.
Desci no
elevador teco-teco e caminhei através da paisagem urbana arborizada para mais
um dia tradicionalmente comum. Conversei com o vento para parar de bagunçar
meus cabelos e senti o cheiro verde das plantas. Senti também o cheiro amarelo
dos bichanos domésticos e daqueles que cismam em fazer das ruas a sua casa. Por
que os incorretos gostam de burlar sua invisibilidade sujando as paisagens?
Andei pelos
trilhos até chegar ao Centro do mundo. Mas, durante o trajeto, blindei os
ruídos cotidianos com muita Celine Dion e literatura feminina boboca. Em meu
mundinho, não fui capaz de perceber o pôster torto, o cara suando, o bebê com o
brinquedo, a velha sem dente, o gatinho com seu tablet e uma briga pelo celular.
Preferi adentrar na solidão mais coletiva do dia.
No
arranha-céu cheguei e lá fiquei até escurecer o sol. Tirando tudo que acontece
igual, das laudas ao recreio tititi com cheiro de café, reparei na ferrugem que
saía do ar, na recepcionista que não veio, no sol que brilhava e continuava a
sorrir para mim lá fora. Matei o meu leão do dia, fechei a tela e me
desconectei das obrigações que enobrece o homem - mas que possibilita comprar
pilhas de sapatos.
Saltitei
nas pontas dos pés, no zig zague das pedras portuguesas, tentando não
desequilibrar até entrar nos trilhos. Enlatada segui na turbulenta e barulhenta
volta para casa. Agora sim, li o pôster perfeitamente colocado, senti o suor do
cara gordo, brinquei com o bebê, cedi o lugar para a velha sem dentes, sorri
para o Gianecchini com o tablet e fui obrigada a não concordar com os motivos
deletáveis da briga do casal no celular.
O vento deu
lugar à lua e o sol ao brilho de maresia molhada. E assim voltei que nem
oferenda de iemanjá para o ponto de partida, sabendo que amanhã será
sensivelmente diferente dentro de uma rota que não necessita de bússola, mas de
poesia, não para sair da rotina, mas sim da chatice.
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